Catherine Deneuve, Audrey Tautou e Sandrine Bonnaire brilham na telona

entretenimento
14.06.2011, 06:03:00
Atualizado: 14.06.2011, 06:05:51

Catherine Deneuve, Audrey Tautou e Sandrine Bonnaire brilham na telona

Estrelas do cinema feito na França , aparecem em destaque em filmes do Festival Varilux, que segue em Salvador até quinta

Salvatore Carrozzo | Redação CORREIO
salvatore.carrozzo@redebahia.com.br


Todas são lindas e talentosas. Apesar de idades e estilos diferentes, têm muitos pontos em comum. Pertencem ao universo de divas do cinema francês que desperta fascínio em admiradores do cinema. Um fascínio diferente, longe da curiosidade alimentada por paparazzi de Hollywood Catherine Deneuve, Audrey Tautou e Sandrine Bonnaire, em declarações ou gestos, renegam o título de diva que lhes é dado. Mas, diferentemente de reis e rainhas, não podem abdicar do cargo. As três atrizes estiveram no Brasil para o lançamento do Festival Varilux de Cinema Francês, que ocorre em 22 cidades brasileiras. Em Salvador, a programação segue até quinta, no Espaço Unibanco Glauber Rocha, na  Castro Alves.


Em cena de Potiche: Esposa Troféu, Catherine Deneuve mostra-se como é fora das telas: uma mulher repleta de beleza e que, mesmo negando o título, aparece como diva do cinema

No Varilux, Deneuve estrela Potiche: Esposa Troféu, de François Ozon, que será exibido quinta, às 18h – o lançamento nacional é no dia 24. Tautou é a protagonista de Uma Doce Mentira, de Pierre Salvadori – hoje, às 18h20, e quinta, às 15h55. E Bonnaire atua em Xeque Mate, de Caroline Bottaro – hoje, às 16h10.

Deusa Catherine Deneuve é prova de que a beleza transcende a idade. Com 67 anos, guarda a vivacidade e o frescor que surpreenderam o mundo na década de 60. Naquela época, estrelou filmes como Os Guarda-Chuvas do Amor, de Jacques Demy; Repulsa ao Sexo, de Roman Polanski; A Bela da Tarde, de Luis Buñuel; e A Sereia do Mississipi, de François Truffaut.  A elegância que a faz garota-propaganda de grifes até hoje é traduzida em gestos comedidos e respostas por vezes pouco reveladoras. “O que falta ao cinema é o mistério”, deixa no ar.

Catherine Deneuve rejeita o título de diva e acha o termo um tanto quanto negativo por remeter a mulheres geniosas e caprichosas. Adjetivos que Deneuve, que  tem na estante de casa prêmios de festivais como Cannes, Berlim e Veneza, diz passar longe.

Truque de uma grande atriz para parecer uma simples mortal ou sinceridade que revela uma mulher comum por trás do mito? Nunca saberemos, mas isso pouco importa frente à imagem da atriz.

E é justamente uma mulher comum  que Deneuve interpreta em Potiche: Esposa Troféu, também estrelado por Gérard Depardieu. Potiche, em francês, significa algo como ‘objeto decorativo’. É um termo usado para definir pessoas coadjuvantes, que não se destacam. Ela mesma admite já ter sido uma potiche em algumas situações e não vê nada de mau nisso.

No filme, Deneuve  volta a ser dirigida pelo diretor  François Ozon. Em 2002, ela estrelou 8 Mulheres, ao lado de grandes nomes do cinema francês como Fanny Ardant e Isabelle Huppert – esta última também em cartaz no Varilux com o filme Copacabana, que será exibido hoje, às 14h; e quinta, às 20h05.

 “Queria muito voltar a trabalhar com Ozon. Ele gosta muito das mulheres, e olha que foi complicadíssimo dirigir oito delas”, conta , entre risadas. Potiche guarda muitas semelhanças com 8 Mulheres, do visual colorido ao destaque às personagens femininas.

Hitler  
Com a carreira marcada pela atuação em filmes transgressores como A Bela da Tarde e Repulsa ao Sexo, Deneuve não parece mais ter a necessidade de chocar – se é que algum dia buscou isso. “Transgressão não era uma coisa que eu pensava (quando escolhia os roteiros dos filmes). Mas é preciso transgredir em coisas que valem a pena”, diz, mais uma vez misteriosa.
Deneuve, que atuou em Dançando no Escuro, de Lars Von Trier, comenta a polêmica causada pelo diretor no Festival de Cannes, em maio passado, quando o diretor dinamarquês disse que entendia Adolf Hitler.

“O que ele (Von Trier) disse é grave, de extremo mau gosto, mas ele pediu desculpas. É preciso relativizar as coisas, Von Trier é um provocador”, afirma. Para ela, as coisas muitas vezes são reproduzidas na internet à exaustão e sem um controle ou contextualização dos fatos.

Deneuve mostra-se um pouco incomodada com as eternas citações ao filme A Bela da Tarde. “Existe essa vontade de me vincular ao filme, mas não foi uma escolha minha. A vida segue”, diz, sobre o clássico de Buñuel. Para Deneuve, entretanto, o filme é eterno. “As fantasias femininas permanecem”, afirma.



Mentiras
Nem só de loiras vive o panteão do cinema francês, como bem representa Audrey Tautou, 34. Catapultada ao sucesso internacional em 2001 com O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, ela diz não se incomodar por ser lembrada por muitos como a eterna protagonista do filme. “Foi uma imensa honra ter feito Amélie Poulain, mas não concebo minha profissão pelo olhar do público”, diz.

Em Uma Doce Mentira, a atriz - magra e mais baixa do que aparenta nas telas - interpreta Emilie, uma jovem que recebe cartas de amor anônimas. Ela acaba repassando para a mãe os textos, na tentativa de ajudá-la a superar uma depressão e o fim do casamento. Na vida pessoal, Tautou diz que nunca seria capaz de mentir assim, mesmo com as melhores das intenções. “Grandes mentiras como essas são perigosas. A gente não pode fazer a felicidade de alguém que no fundo não quer ser feliz”, considera.

Tautou diz observar três coisas antes de aceitar um papel: o roteiro, o diretor e a equipe. “Procuro ver se a visão do diretor para aquele roteiro vai me levar a algum lugar. Isso me permite evoluir”, afirma.

Já em relação aos personagens, Tautou busca aqueles que não se parecem com ela. Sobre Emilie, diz ter ficado encantada desde o início. “É uma personagem por vezes detestável, egoísta e manipuladora, mas que também pode ser leve e cheia de boas intenções”, opina.

Tautou comemora o destaque que a seleção do Festival Varilux deu às mulheres, seja na direção ou na atuação. “Existem diretores muito talentosos que dão um lugar formidável às mulheres. Veja o caso de Walter Salles. Fernanda Montenegro está fantástica em Central do Brasil”, elogia os colegas brasileiros. 


Retrospectiva
Menos conhecida pelo público brasileiro, Sandrine Bonnaire tem o status de diva na França. O primeiro sucesso foi aos 17 anos, com À Nos Amours, do diretor Maurice Pialat, com o qual ganhou  o César de atriz revelação, na maior premiação do cinema francês. De 25 a 31 de julho, o festival Varilux traz a Salvador uma mostra retrospectiva com oito filmes de Bonnaire.

Além de Pialat, Sandrine  já trabalhou com nomes como Agnès Varda e André Téchiné.  Com um dos pais da Nouvelle Vague, Claude Chabrol, Bonnaire filmou duas vezes. Ela atua em Mulheres Diabólicas e No Coração da Mentira.

Sandrine diz ter ficado chocada com a morte de Chabrol – o diretor faleceu em setembro de 2010, aos 80 anos. “A morte dele me marcou. Apesar da idade, Chabrol tinha um enorme desejo de viver e estava em boa forma”, afirma.


Revelada ao mundo após o sucesso internacional de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, Audrey Tautou estrela Uma Doce Mentira no Festival Varilux. O filme será exibido hoje, às 18h20, e quinta, às 15h55, no Espaço Unibanco Glauber Rocha


Em Xeque-Mate, Sandrine  vive uma camareira de um hotel na ilha francesa da Córsega, no Mediterrâneo. No filme, a personagem principal luta para conseguir a atenção do marido, que parece ter perdido o gosto pela vida. Ao longo da narrativa, aproxima-se do personagem do ator americano Kevin Kline, com quem divide o amor pelo xadrez. “O cinema francês é generoso com as mulheres de todas as idades”. Para ela, Catherine Deneuve é o exemplo disso. Nada mais justo. Afinal, as divas são atemporais.

 O jornalista viajou ao Rio a convite do Festival Varilux

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