César Romero recebe principal medalha da Assembleia Legislativa

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11.04.2018, 20:30:00
Atualizado: 11.04.2018, 22:27:07
Artista é também crítico de artes no jornal CORREIO (Foto: Divulgação)

César Romero recebe principal medalha da Assembleia Legislativa

Artista plástico é homenageado pelos 50 anos de atividades na Bahia; confira entrevista

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A maior honraria concedida pela Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) vai homenagear o artista plástico César Romero na manhã desta quinta-feira (12).  A Comenda 2 de Julho, a mais importante do estado, foi definida para o desenhista por unanimidade de votos na Assembleia. O prêmio é emitido como gratidão pelos 50 anos de atividades de Romero, que reúnem suas contribuições artísticas para o país e para a Bahia. Salvador, que é ponto de partida da maior parte das obras de César, já apareceu em pinturas que retratam temáticas como casarios, festas de largo e faixas emblemáticas.

A Comenda 2 de Julho é a mais alta condecoração do legislativo baiano por representar a principal data histórica da Bahia e simbolizar o sentimento motivador de libertação e emancipação do povo. Assim, o título homenageia somente aqueles que são considerados como fundamentais para a história e inovação da região e do país.

Além de artista plástico, César Romero que é, ainda, crítico de artes no jornal CORREIO e psicanalista, afirmou que receber o reconhecimento pela sua arte é um incentivo diferenciado. “É muito gratificante e importante pra mim que o meu lado de artista plástico ganhe essa visibilidade. Infelizmente, outras artes ganham mais espaço, em geral, nas grandes mídias nacionais e esse tipo de celebração nos lembra que há importância no que fazemos”, pondera Romero, que ainda dedica o prêmio para todos os artistas plásticos brasileiros: “Dedico a cada um dos meus colegas de trabalho”.

Aos novos talentos
Falando em amigos que fez no universo artístico, Romero afirma que tem notado uma geração de artistas pouco unidos. “Na minha época discutíamos sobre a vida e sobre a arte, nos acrescentávamos e ajudávamos a arte do outro a ser divulgada. Hoje em dia, mesmo com a internet para ajudar um artista daqui a falar com um de outro país, vejo menos conexão entre essa galera. Se houvesse mais interação entre eles, teríamos mais projetos coletivos e iríamos conhecer mais dos novos talentos”, alerta, deixando a dica de que novos talentos criem grupos e redes sociais para maiores contatos e divulgações coletivas. “Um portal com vários novos artistas deixa todos mais fortes, não tem como sair perdendo”, declara.

O legado
Ao refletir sobre a Bahia que inspirava os seus trabalhos há 50 anos atrás e a Bahia atual, o pintor afirma: “Não existem mais tamboretes nas festas de largo, mas ainda existem as festas. Tudo o que você visualizar por aí, já foi alguma coisa antes. É sobre isso que se trata a minha arte: pensar que tudo tem algo por trás, uma história que fez aquela acontecer. Essa é a base da empatia, inclusive”, pontua Romero, refletindo sobre os ganhos das perdas.



Muito presente nas suas artes, a colcha de retalhos também não é esquecida pelo artista. Ela sempre traz, dentro das artes do pintor, uma união de símbolos dos orixás, ainda que ele seja católico. "Ela representa a união das várias crenças baianas", conta, ainda afirmando que, em outros momentos, o desenho deseja trazer analogias, através das cores, sobre os alívios que existem atrás de lágrimas, afinal, como disse o autor, 'tudo é livramento, de alguma maneira'. 

O artista, que continua com a sua veia barroca, não evita lembrar também de como era ser criança na capital baiana. “Mudei para cá com 16 anos, cheguei de Feira de Santana e me encantei com o mar. Na época, as crianças brincavam com carrinhos no meio das ruas... Atualmente uma cena dessa seria absurda, seria colocar a vida dos pequenos em risco, mas olha a poesia crítica que isso forma. Lembrar como era também se trata de refletir o que precisamos melhorar no agora”, declara, com tons nostálgicos.

Ao ser indagado sobre o legado que deseja deixar, o pintor declara: “Um legado que lembre de não deixar morrer as marcas que o povo criou”. Se tudo é colcha de retalhos, difícil seria esquecer. Mas, só para frisar, Romero deixa o pedido para o público: “Tirem um tempo do dia para pesquisar artes, nem que seja na internet. Tentem interpretar, levar alguma lição para si. Isso vai mudar você para sempre”, disse em meio aos lembretes da sua boa memória, afinal, esquecer é o maior pecado para um artista de verdade.

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