Chimamanda Ngozi: 'O luto é uma forma cruel de aprendizagem'

entretenimento
12.06.2021, 07:00:00
Chimamanda participa do Roda Viva, nesta segunda (14) (Foto: Divulgação)

Chimamanda Ngozi: 'O luto é uma forma cruel de aprendizagem'

Novo livro da escritora nigeriana reflete sobre a morte do pai, no ano passado

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Tem a Chimamanda Ngozi da ficção, que te pega pelas histórias envolventes e escrita impecável de livros como Americanah e Hibisco Roxo. E tem a Chimamanda de ensaios como O Perigo de Uma História Única e Sejamos Todos Feministas, que tocam em questões centrais que a sociedade ainda precisa enfrentar, como o racismo e o machismo.

Mas em seu novo livro, Notas Sobre o Luto, a escritora nigeriana inaugura uma outra forma literária: em tom confessional, a autora abre o coração para falar da dor de perder um ente querido. No caso, o pai, o ex-professor universitário James Nwoye Adichie, que morreu há um ano, numa pequena cidade do interior da Nigéria. 

O livrinho de pouco mais de 100 páginas e leitura fluida impressiona pela forma como Chimamanda expõe suas fragilidades e a impotência diante da morte. Sentimentos que ganham mais amplitude no contexto da pandemia da covid-19 e que  vão de encontro a dor que muita gente está vivendo. 

Porque ela já abre o livro falando das chamadas familiares via zoom aos domingos, “nosso turbulento ritual de lockdown”, que unia os pais em Abba, aos cinco filhos espalhados pelo mundo. Chimamanda, por exemplo, vive nos Estados Unidos. 
E segue falando como se sentiu frustrada pela distância e pela impossibilidade de pegar um avião e ir se despedir e se confortar entre seus familiares.

Entre lembranças de momentos vividos com o pai e reflexões sobre a morte, sobretudo na Nigéria, Chimamanda fala da dor física provocada pela perda, do medo de não conseguir superá-la e de sentimentos como negação e culpa. “Minha raiva me assusta, meu medo me assusta, e em algum lugar há também vergonha: por que eu estou sentindo tanta raiva e tanto medo?”, questiona-se, sem resposta.

Em meio a tantas perdas que estamos enfrentando - individuais e coletivas - Notas Sobre o Luto nos faz pensar sobre a essência dos sentimentos. O soa como um alento para quem quer refletir um pouco mais sobre a dor inevitável diante da morte. 

“O luto é uma forma cruel de aprendizado”,  resume a autora, que ainda perdeu duas tias, uma delas bem jovem e a outra idosa, entristecida pela morte de seu pai. Está é “uma época sombria escurecida de modo inexóravel”, diz Chimamanda, acrescentando que “as camadas da perda” fazem com que se sinta fina com um papel.

Roda viva
Chimamanda  será entrevistada no programa Roda Viva nesta segunda- feira (14). Com apresentação de Vera Magalhães, a edição inédita vai ao ar a partir das 22h, na TV Cultura, site e redes sociais da emissora. Os entrevistadores estão as escritoras Djmila Ribeiro e Carla Akotirene, e as jornalistas  Marcella Franco, Adriana Ferreira Silva e Carol Pires.

chimamanda

Ficha 
Livro:  Notas sobre o Luto
Editora: Companhia das Letras
Preço: R$ 29,90 (144 páginas)

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas