Cinema negro ganha espaço em plataforma gratuita de streaming

entretenimento
22.06.2021, 06:00:00
Cena de A Cabana do Pai Tomás, novela que aparece no documentário A Negação do Brasil; Zózimo Bulbul em Alma no Olho; Estrela Azul: Mãe Stella (divulgação)

Cinema negro ganha espaço em plataforma gratuita de streaming

Itaú Cultural Play tem também seção com produções da TVE

Mãe Stella, Jaime Sodré e Mestre Moa. Todas essas personalidades negras, fundamentais na história da Bahia, tiveram suas vidas registradas em especiais da TV Educativa da Bahia (TVE). Agora, a história dessas personalidades e também da cultura da Bahia está disponível a qualquer hora. Graças a uma parceria da emissora pública baiana com o Itaú Cultural Play, já é possível assistir a seis produções da TVE no serviço de streaming gratuito que foi lançado no sábado, 19.  

Flávio Gonçalves, diretor geral do Irdeb (Instituto de Radiodifusão do Estado da Bahia) - instituição que gere a TVE -, fala sobre a importância da parceria: "A TVE tem essa tradição de produzir e exibir conteúdos que mostram a cultura da Bahia e seus personagens. Então, vimos com bons olhos essa parceria porque essas produções vão chegar a mais pessoas através da internet". 

Cinco produções da emissora já estão disponíveis: Jaime Sodré e o Carnaval Negro na Bahia (2021); Estrela Azul: Mãe Stella (2005); Mestre Pastinha, Rei da Capoeira (2019); Irmandade da Boa Morte (2019) e Mestre Moa (2019), Presente!. Em contrapartida, a emissora baiana também pode exibir produções do Itaú Cultural, como a mostra Iconoclássicos, com documentários sobre artistas brasileiros contemporâneos. 

Cinema Negro

O espaço para o cinema de autoria negra no Itaú Cultural Play é destacado na nova plataforma e tem uma seção especial: O Cinema Negro Brasileiro, composta por 12 produções. Uma delas é o documentário Escola das Águas - O Desafio Pantaneiro (2014). A diretora do filme, Juliana Vicente, é sócia da Preta Portê Filmes, que ela define como "uma produtora preta, indígena e LGBTQI+".

A diretora observa que, no cinema brasileiro, as minorias ganharam representatividade e, segundo ela, houve "um esgotamento das narrativas hegemônicas". "Há uma urgência de abertura para novas narrativas, que são novas porque houve muito esforço pra que a hegemonia da branquitude hétero-normativa se mantivesse à frente do audiovisual e outras formas de expressões culturais reconhecidas durante muito tempo", afirma a diretora.

Na parte dedicada ao cinema negro, estão outros títulos, como o curta-metragem baiano Òrun Àiyé – A Criação do Mundo (2015), de Jamile Coelho e Cintia Maria. Na animação, que utiliza diversas técnicas, um avô narra à neta a história da criação do mundo e dos seres humanos, segundo a mitologia iorubá.

Um dos cineastas negros contemporâneos mais importantes do Brasil, Joel Zito Araújo, também mereceu uma seleção especial. Um dos longas dele, A Negação do Brasil, tornou-se um clássico do documentário nacional. O filme investiga a presença do negro na televisão brasileira dos anos 1960 até o ano 2000, quando o filme foi realizado. São analisados os estereótipos, o preconceito racial e a representatividade negra na teledramaturgia.

Mulheres

Na montagem do catálogo, houve uma preocupação em equilibrar o número de produções dirigidas por homens e mulheres: são 56 dirigidas por mulheres ante 64 dirigidas por homens. A mineira Júnia Torres tem quatro filmes no acervo. "É muito importante essa plataforma abranger a diversidade do cinema brasileiro, dando espaço aos regionalismos e também a filmes dirigidos por mulheres. Com mais acesso a tecnologia e equipamento de filmagem, como ocorreu nos últimos anos, há uma diversidade maior no cinema brasileiro. E é preciso acolher isso", afirma Júnia.

Júnia Torres, cineasta mineira com quatro filmes na plataforma

O Itaú Cultural Play homenageia também outros cineastas, como o baiano Glauber Rocha, com sete filmes, incluindo títulos populares como Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), ao lado de outros menos conhecidos e raros, como o curta Pátio (1959). Outro homenageado é Luiz Carlos Barreto, talvez o mais importante produtor do cinema nacional. Estão disponíveis cinco filmes produzidos ou dirigidos por ele, todos relacionados ao futebol, esporte por qual Barretão é apaixonado.  Um deles é o documentário Isto é Pelé, de 1974. 

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