Como livrar seu carro do 'moforena', o mofo da quarentena

salvador
04.07.2020, 05:00:00
Atualizado: 04.07.2020, 08:36:52
Mofo dá sobretudo nos bancos do carro (Reprodução)

Como livrar seu carro do 'moforena', o mofo da quarentena

Cuidado ao abrir seu carro: praga tem atingido bancos e painéis dos veículos

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Se você tem seguido à risca a quarentena, mal tem saído de casa e tem deixado o carro parado na garagem esse tempo todo, muito cuidado: você pode ter uma surpresa bem desagradável ao abrir a porta do veículo.

Há uma nova praga solta por aí, e ela já recebeu até nome nas redes sociais. É o ‘moforena’, o mofo da quarentena. E ele ataca de maneira cruel os bancos, estofados, tapetes, teto, volante e até o painel do carro que está sem uso.

O apelido foi criado por clientes de uma oficina automotiva de Salvador, que começaram a buscar a empresa aos bandos, todos com o mesmo problema. “A gente tem recebido aqui uns 10 carros por dia, no mínimo”, relata Ricson Matos, dono da CleanJet, a oficina em questão.

2020 tem sido o ano mais chuvoso em Salvador dos últimos 36 anos. Junte isso a condições ruins de iluminação e ventilação de algumas garagens e resíduos de sujeira no interior do carro e você tem uma combinação perfeita para a proliferação do mofo.

“As pessoas começaram a procurar a oficina a partir do segundo mês de quarentena, no final de abril, mais ou menos. O que a gente percebeu é que o mofo começa a surgir depois de 20, 30 dias com o carro fechado”, explica Ricson Matos.

Algumas ‘vítimas’ do moforena não conseguiram sequer conduzir o carro até a oficina, tamanha era a proliferação da praga. Ele age sobretudo nos bancos, demais estofados e no volante, mas pode surgir basicamente em qualquer item interno. Até mesmo dentro do painel.

“Se você olha as fotos dos clientes, fica assustado. Tem casos em que o mofo fica amarelo, em outros chega a nascer ‘cabelo’ na mancha”, relata Ricson Matos.

Se você for atingido por essa praga, a chance de retirá-la com sucesso por conta própria, infelizmente, é muito pequena. Segundo os especialistas, há o risco de deixar o ambiente ainda mais úmido, aumentando assim as chances do mofo voltar, e ainda mais feroz.

Abaixo, confira cinco dicas para evitar o moforena:


1) Limpeza preventiva

Essa é a dica mais importante. Você não enxerga, mas o estofado do carro tem resíduos de suor e poeira do dia a dia. Ao colocar o veículo de quarentena, é importante realizar uma limpeza preventiva para que não apareça mofo ali.

No caso dos estofados e do forro do teto, o ideal é procurar limpeza profissional, com máquinas que não deixam resíduos de água. “A gente trabalha com máquinas de gás ozônio, que elimina bactérias e germes. É a forma mais eficiente”, explica Ricson Matos.

No caso do volante, painel e demais peças internas, é possível fazer a limpeza por conta própria, e o ideal é que ela aconteça com frequência.

“Basta usar detergente neutro diluído em água ou então desinfetante de uso geral. Tem gente passando álcool em gel por conta do vírus, mas a gente não recomenda porque pode ressecar e queimar os componentes”, indica o especialista.

2) Coloque o carro no sol

A luz solar é mesmo campeã: faz bem pra saúde humana e para a limpeza do seu carro. O ideal é que pelo menos uma vez por semana o veículo fique exposto ao sol. Duas horas de exposição por semana são suficientes para evitar o mofo.

“Tem muita gente indo ao mercado e estacionando o carro na sombra. A gente não recomenda isso. O ideal para quem está de quarentena é aproveitar esse momento para deixar o veículo exposto ao sol, mesmo”, explica Ricson Matos.

A dica é ainda mais importante para quem guarda o carro em garagens subterrâneas e de baixa iluminação. O ideal é tirar o carro de lá pelo meno duas vezes por semana e colocá-lo em outra vaga no condomínio ou na rua, mas sob o sol.

Problema pode atingir também volante (Foto: Reprodução)

3) Ar quente

Se a pessoa estiver sob isolamento rígido, evitando até mesmo sair para o mercado ou para a farmácia, a opção é ligar o veículo pelo menos uma vez por semana na própria garagem e acionar o ar-condicionado, mas no modo ar quente.

“Deixar o carro ligado e ventilando por 10 minutos com ar quente já é suficiente para reduzir bastante a umidade na parte interna e evitar a proliferação do mofo”, explica Ricson Matos.

4) Infiltrações

É importante ficar atento a possíveis infiltrações no carro, sobretudo se o veículo for mais antigo – existe a chance da borracha estar mais ressecada – ou se você não tiver garagem coberta.

Quando puder, observe se existem pontos de infiltração. Os mais comuns são: antena de teto, borrachas das portas, bordas do teto solar, furos de drenagem das portas e do porta-malas.

Se o problema persistir, será necessário procurar ajuda profissional para uma inspeção mais a fundo. As infiltrações são as principais causas do mofo e podem ainda danificar, por si só, outras peças e estofados internos.

Mofo chega a fazer 'cabelo' no estofado (Foto: Reprodução)

5) Faça uma limpeza profunda

Mesmo que você identifique um ponto de mofo nessa quarentena e consiga eliminá-lo por conta própria, é importante procurar, quando possível, um serviço de limpeza profissional.

Isso porque a origem do mofo pode não estar visível. É possível que ele surja a partir dos tubos de ventilação do carro ou na parte interna do painel e abaixo dos bancos, por exemplo. Algumas oficinas de limpeza oferecem o serviço de limpeza profunda do veículo, e com leva e traz gratuito durante a pandemia.


Outros riscos da quarentena

O mofo não é o único problema que pode surgir no carro com a falta de uso por muito tempo durante a quarentena. Se você é um proprietário cuidadoso, é importante ficar atento a outros itens do veículo:


1) Bateria

Você pode ter uma surpresa bastante desagradável ao acionar o carro depois de muitos dias sem uso: simplesmente não conseguir ligá-lo. Provavelmente, a bateria ‘arriou’, como dizem, ou ficou sem carga. E a troca a domicílio vai custar alguma grana.

“Esse risco é ainda maior se a bateria for antiga, já estiver no final da vida útil. Nesse caso, 15 dias sem uso são suficientes para que ela fique sem carga”, explica Ricson Matos.

Para esse caso, vale também aquela dica de usar o ar-quente do carro para ventilá-lo. Ao mesmo tempo que você está combatendo o surgimento do mofo interno, vai estar também carregando a bateria – se o motor estiver ativo, claro.


2) Pneus

Um problema muito comum do carro sem uso é a deformação dos pneus. “Se o veículo ficar muito tempo parado na mesma posição, isso pode ‘ovalizar’ os pneus, ou seja, podem perder a forma circular. E isso pode gerar um problema grande e muito custoso”, explicou Ricson Matos.

“A gente recomenda que toda semana a pessoa ligue o motor e tire o carro daquela posição, nem que seja indo alguns metros para a frente e depois retornando de ré, várias vezes. Vai distribuir um pouco o peso e ajudar a combater a ovalização”, completou o especialista.


3) Óleo

Muita gente pensa que, por falta de uso do motor, não é preciso ficar atento ao óleo do carro. Esse é um grave erro. Segundo os especialistas, é preciso sim checar o óleo com frequência, observando sua viscosidade e validade.

“A troca de óleo é realizada de acordo com a validade do óleo ou pela quilometragem do veículo. Então é preciso ficar atento à data de validade. Se passar, será preciso trocar o óleo, mesmo que não esteja rodando com o carro. Porque no futuro pode trazer um prejuízo grande”, explica Ricson Matos.

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