Confira entrevista com atores que viveram Popó e Luís Cláudio em série

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19.10.2019, 05:55:00
Daniel Rocha vive Popó e Rômulo Braga é Luís Cláudio (Foto: Canal Space/Divulgação)

Confira entrevista com atores que viveram Popó e Luís Cláudio em série

'Perdi 5 kg em dez horas', revela Daniel Rocha, que dispensou dublê, quebrou o nariz e desidratou

Para interpretar os ex-campeões de boxe Popó e Luís Cláudio, os atores Daniel Rocha e Rômulo Braga se entregaram de corpo e alma. A exaustão física foi uma constante no set de filmagens, por escolha dos protagonistas, e teve direito a sangue de verdade, nariz quebrado e desidratação.

"Em uma das lutas, Daniel começou a sangrar e eu me perguntei: 'Que efeito é esse?'. Aí me dei conta que era sangue", conta o diretor baiano Sérgio Machado, que assina a série com Walter Salles e Aly Muritiba. "Eu me assustei, mas dava corda, porque achava bonito, sabe? Fui meio irresponsável (risos). Até eu treinei com os atores. Apanhei muito... Mas bati também", gargalha Sérgio.

Abaixo, os atores Daniel e Rômulo falam sobre a experiência de fazer parte da série Irmãos Freitas, que estreia neste domingo (20), no Canal Space. "Perdi 5 kg em dez horas. A diferença valeu o esforço", conta Daniel Rocha (Avenida Brasil/2012).

Além de citar os desafios, Rômulo Braga (Carcereiros/2019) fala sobre seu personagem, que foi ex-campeão brasileiro de boxe e viu seu posto ser tomado pelo próprio irmão, Popó. "Luís Cláudio é um desses heróis que passam quase batidos", reflete. Confira.

Daniel Rocha interpreta Popó (Foto: Space/Divulgação)

ENTREVISTA DANIEL ROCHA

Você dispensou dublê, quebrou o nariz, machucou a mão e até se desidratou para viver Popó. Pode falar mais sobre esses desafios?
Fui atleta de kickboxing, ex-campeão, tinha uma noção, mas mesmo que me esforçasse muito, não chegaria nem perto do Popó. Mas queria fazer um bom trabalho e copiar o estilo dele, suas lutas com 20, 21 anos. Então, ele treinou comigo, me ensinou os golpes, me colocou com um professor baiano. Pra isso tive que perder muito peso. Tinha 87 kg e fiz o Popó com 67 kg. Na série, na luta pelo campeonato mundial, eles me mostraram uma foto e perguntaram: “Daniel, você quer maquiagem ou efeito especial?”.

Eu disse: “quero fazer igual a Popó, quero desidratar”. Tive uma semana para conseguir desidratar. Perdi 5kg em dez horas. A diferença na tela serviu, valeu o esforço.

Por que essa entrega visceral para viver seu primeiro protagonista?
Mudei minha vida inteira para fazer esse projeto e se estivesse escalado para qualquer outro trabalho, eu largaria. É uma oportunidade única. O Walter [Salles] nunca fez nada para a televisão e o Sérgio [Machado] fez há muito tempo. Eu queria fazer parte disso.

Como foi o processo de pesquisa para viver Popó?
Vi tudo o que dava para ver. Conversei com ele, principalmente. Como era o pré-luta? Como você ficava no banheiro? Como fui atleta, sei que tem gente que reza, gente que se isola, gente que fica brincando como se nada estivesse acontecendo. Ele era desses. Para entender como era ele garoto, ele com 20 anos lutando. A gente decidiu fazer um popó não copiando o original, mas eu mesmo.

Foi um desafiozaço, um processo não muito fácil, talvez o mais difícil da minha vida, mas quis fazer desse jeito. Eu não esperava por isso, nunca achei que fosse parecido, mas o próprio Popó disse que se viu em mim.

Como é a relação com Luís Cláudio?
É uma história que quase ninguém conhece: Luís Cláudio foi considerado o mágico do boxe, o lutador baiano mais importante. A diferença é que Luís Cláudio não sabia ler e escrever, mas Popó sabia. Popó teve que provar que tinha força de vontade e não queria a vida que estava reservada para ela, ele queria a vida que o irmão tinha. Luís Cláudio era e é o grande exemplo de Popó até hoje, uma admiração absurda. É a família brasileira, né? Essa família grande que passa dificuldade para comprar comida de todo dia, tem o irmão mais velho com um trocado o irmão mais novo querendo ajudar também.

Rômulo Braga vive Luís Cláudio (Foto: Space/Divulgação)

ENTREVISTA RÔMULO BRAGA

O que chama a atenção em seu personagem?
O que me chama a atenção é o fato de ele ser aguerrido. Ser contraditório: por um lado luta pra sobreviver, tem ambição, por outro parece viver em um mundo próprio, parece ser condescendente com as aflições que a vida lhe impõe, parece suportar tudo, todas as dores... A força de espírito que o personagem tem é o que mais me encanta.

Sérgio Machado disse que a disputa dos irmãos é, na verdade, pelo amor da mãe. O que acha disso?
O que se tem na série, na minha visão, é como se dá na maioria das famílias populares brasileira. A mãe é o centro do poder. Claro que existe um conflito nisso: enquanto a mãe é o centro no pequeno núcleo, na comunidade esse poder passa a ser dividido e vai sendo fracionado na medida em que ganha novas camadas sociais. Os irmãos são necessariamente, por questão de sobrevivência, impelidos à disputa de poder. Primeiro e o mais fundamental de todos o poder da mãe.

Quem tiver o amor da mãe será o grande vitorioso, o grande herdeiro, o mais amado... Muitas vezes a vida me parece uma síntese dessa relação de amor [de Popó e Luís Cláudio com a mãe]: queremos apenas ser amados.

Quais foram os principais desafios que você enfrentou para interpretar Luís Cláudio?
Muitos. Mas muitos mesmo! Desde a exaustão física e psíquica, até o esgotamento das funções fundamentais da atuação.

Diferente do seu personagem, você não é baiano. Pode nos contar um pouco mais sobre a preparação? Em quais fontes você bebeu? Conversou com o próprio Luís?
Não sou Baiano, mas sou brasileiro e pra mim todo brasileiro é um pouco baiano, um pouco nordestino. É onde tudo começa... As fontes que eu bebi e bebo sempre são as pessoas que encontro. Mas nem sempre as pessoas que encontro, mas que vejo e me sinto identificado em algum lugar. É uma relação intrínseca, anterior e interior, as minhas próprias experienciações. No caso do Luís, fui conhecê-lo já mais pro final do processo, mas sabia que já o conhecia, já o percebia dentro. 

Luís tinha orgulho de ser arrimo de família, mas viu seu posto tomado por Popó. Há alguma mágoa?
Tive poucos encontros com Luís. Não tive muita oportunidade - apesar de ele se mostrar muito disponível - por causa das filmagens intensas. Mas o que você chama de mágoa, desfalecimento de um sonho, decepção com quem se ama, medo de não servir ao que se propõe, medo da rejeição de quem se ama, o abismo da reinvenção são sentimentos heróicos.

Luís é um desses heróis santos, sagrados, daqueles que passam quase batidos pela vida afora.

Como seu papel em Irmãos Freitas se diferencia dos outros e de que forma marcou sua carreira?
Antes de ser ou vir a se tornar um marco na carreira, o personagem ou a vivência das sensações que o personagem permitiu, é um marco de vida. É algo que se vive e não esquece mais. São aberturas na alma das quais não se desvencilha nunca mais, se aprende a conviver.


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