Conheça a ginástica especial criada para crianças com deficiência

salvador
29.09.2021, 06:00:00
Crianças com deficiência aprendem ginástica (Arisson Marinho)

Conheça a ginástica especial criada para crianças com deficiência

Pais adotam métodos que trazem benefícios para autistas

Gabriel tem cinco anos e é autista. Apesar disso, tem o desenvolvimento cognitivo bastante avançado: comunica-se muito bem, começou a ler aos dois anos e tem ótimo vocabulário. Mas, como qualquer outra criança, tem seus medos. “A questão dele é mais sensorial, tem problemas em lidar com altura, equilíbrio, medo de escorregar e subir escada. Por isso, damos atenção à questão corporal”, diz Ricardo Santa Rosa, pai de Gabriel.

Foi por isso que ele levou o filho para uma aula de ginástica artística. “Ele tem problema para perceber profundidade, a sensação dele no corpo é diferente”, revela Ricardo. Há poucos dias, Gabriel teve uma experiência especial: aula de ginástica artística voltada especialmente para crianças com desenvolvimento atípico, o Ginástica Terapêutica, criado pelo professores Rose Evangelista e Hugo Guimarães, que ensinam no Colégio Dois de Julho. O programa, no entanto, recebe também crianças de fora da escola.

Rose é formada em educação física e dá aulas de ginástica artística desde 1994. Hugo tem a mesma formação e fez especialização para trabalhar com pessoas com deficiência. No Centro de Reabilitação das Obras Sociais Irmã Dulce, atuou em reabilitação física e teve contato com pessoas que tinha deficiência visual, auditiva ou intelectual.

Professor Hugo Guimarães ensina movimentos específicos para o pequeno Lucca

(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Foi aí que Hugo começou a se sensibilizar e percebeu que era aquela sua vocação: “Não me identifico com o fitness nem com musculação, gosto de perceber o desenvolvimento da criança. Tenho essa empatia e quero ajudar a desenvolvê-las para que participem da sociedade”.

Inicialmente, Hugo e Rose planejam receber crianças dos três aos 12 anos, mas pretendem em breve ampliar o público. Por enquanto, foram oferecidas aulas experimentais, como aquela onde Gabriel esteve. As mensalidades custam R$ 400 para uma aula por semana e R$ 650 para dois encontros semanais e as inscrições estão abertas pelo telefone (71) 98807-3003.

Além da turma para crianças com desenvolvimento atípico, haverá outra para desenvolvimento típico, para os pequenos que apresentem algum atraso provocado pelo isolamento na pandemia. “Às vezes, elas têm um atraso ou apenas falta de estímulo por privação ou isolamento”, revela Hugo.

A fonoaudióloga Mariana Ferraz também levou o filho Miguel, que é autista, para uma aula experimental, principalmente para desenvolver habilidades motoras nele. “O planejamento motor dele é um pouquinho ineficiente e esta atividade favorece, Isso acaba interferindo na motricidade fina dele. Interfere, por exemplo, na habilidade de desenhar e de fazer as letras, que está aprendendo”, conta Mariana.

Os pais também destacam a socialização que a ginástica proporciona aos filhos. “No dia em que Miguel foi, foi superprodutivo, porque, quando faz junto com outra criança, em dupla ou trio, um serve de modelo para o outro. Serve de modelo para a imitação e isso é muito importante, ainda que o professor esteja ali orientando”, defende a mãe.

A professora Rose também a ponta o convívio social como um dos benefícios da Ginástica Terapêutica. Porém, ela acrescenta outros avanços que a atividade pode trazer. “Os alunos aprendem questões disciplinares, a cumprir regras. Além disso, experimentam vivências completamente diferentes do dia a dia deles”. 

Rose acrescenta que as aulas são uma oportunidade para aproximar os pais de seus filhos, já que é permitido acompanhá-los durante todo o tempo, afinal, de acordo com a professora, a área é de 400 m². Além disso, a sala usada é específica para a prática da ginástica artística, com aparelhos oficiais.

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