Conheça o novo formato do trabalho em casa que deverá ser adotado após a quarentena

empregos
15.06.2020, 09:41:00
Atualizado: 15.06.2020, 09:54:20
O home office foi uma alternativa para o distanciamento social, mas tende a ser um novo formato de trabalho nas empresas (shutterstock/reprodução)

Conheça o novo formato do trabalho em casa que deverá ser adotado após a quarentena

O trabalho em casa é o novo conceito; entenda

Com o advento da pandemia, o home office foi adotado em caráter de emergência. No entanto, o modelo chegou para ficar e algumas empresas já começam a analisar a possibilidade de manutenção do formato, mesmo após a flexibilização da quarentena. 

De acordo com a diretora técnica da Logos Consultoria Taiana Jung, cada tipo de organização está lidando de uma forma diferente com o modelo de trabalho a distância. “Esse modelo é uma tendência que veio para ficar, mas precisa estar pautado no equilíbrio entre o colaborador, a sua família e o trabalho. O home office antes da pandemia apresentava características e exigências que são diferentes das atuais”, diz a especialista em Organização Espacial, lembrando que a rede de apoio de um profissional com filhos não estava comprometida no nível que está agora. 

“O home office atual é um misto entre medos, novidades, pressões, demandas domésticas, educação de filho, relacionamentos, saúde e trabalho”, diz. Para ela, as questões relacionadas à segurança da informação, a revisão de metas e as estratégias de socialização entre as equipes são estratégias que devem compor o conjunto de ações desse novo modelo para que os resultados sejam melhores comunicados e partilhados entre todos. 

Novos modelos

O administrador e professor da pós-graduação no Curso de Especialização em Gestão, Planejamento e Licenciamento Ambiental da Universidade Salgado de Oliveira, Rui Marcos defende que, no pós quarentena, a tendência será o modelo híbrido. “As empresas estão conseguindo se adaptar e confiar nos resultados do trabalho a distância, esse é o primeiro fator. Depois, quando colocado na ponta do lápis, já foram identificados os ganhos com recursos financeiros e tempo, como: corte de despesas com locação e manutenção de grandes espaços de escritórios, tempo e despesa com deslocamentos para reuniões em outras cidades, segurança, entre outras”, defende.

Taiana Jung e Rui Marcos defendem um aprimoramento do modelo atual de home office com ênfase na saúde mental e na comunicação fluída (Foto: Divulçação/Pedro Costa)


Para o professor, a partir de agora, as empresas precisam aprimorar a cultura corporativa, criando um plano ação específico, contendo: diagnóstico para buscar entender o nível atual da empresa em relação a prática, identificando os possíveis gargalos, conhecendo a percepção dos colaboradores sobre a experiência, identificando a maturidade dos colaboradores tanto no âmbito dos soft skills como dos hard skills (habilidades e conhecimentos técnicos). “A partir dessa ação, deve-se criar um planejamento participativo de curto, médio e longo prazos com metas e resultados, monitoramento e avaliação por meio de indicadores de desempenho e resultados”, ensina.

Taiana Jung afirma que passado o momento da transição abrupta, agora é o momento de estabelecer uma política com regras claras voltadas exclusivamente para o trabalha em home office em conjunto com as atividades domésticas e o confinamento nas residências. “A curto prazo, os líderes devem ampliar a sua visão em relação às novas necessidades e demandas dos colaboradores, potencializando a comunicação assertiva entre lideranças e liderados, criando momentos que estimulem a socialização, mesmo que à distância”, esclarece.

Cuidados com o pessoal

Dentro da criação de um novo modelo de home office, Taiana Jung enfatiza a importância de criar espaços de escutas para promover a melhoria dos processos e das práticas. “Além disso, é fundamental tratar cada colaborador a partir da sua realidade, nesse momento, alguns tipos de soluções devem ser ajustados por pessoa e não para o grupo”, defende.

Para a especialista, o investimento no desenvolvimento emocional ainda está abaixo do necessário, tanto nas escolas, nas universidades, como pelas empresas ou pelas próprias pessoas. “Há uma visão de senso comum de que o cuidado com a saúde mental está associado as psicopatologias, daí o investimento do desenvolvimento e gestão das emoções, por exemplo, não recebem a atenção necessária. É como se o sujeito tivesse que se desenvolver emocionalmente por si”, comenta.

Com um pensamento bem próximo, Rui Marcos garante que a expansão da consciência e o equilíbrio emocional são exercícios constantes, especialmente nesses tempos de tantas incertezas. “Pessoas e empresas devem investir em formações, grupos de terapia comportamental terapêutica, inclusão na cultura corporativa de momentos dedicados à meditação, procedimentos e regras claras e acordadas entre as partes, lideranças que saibam dar e receber feedbacks, e que estejam abertas a produção colaborativa”, finaliza. 

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