Conhecido por declarações polêmicas, Bolsonaro chama refugiados de "escória do mundo"

brasil
22.09.2015, 20:19:00
Atualizado: 22.09.2015, 20:20:04

Conhecido por declarações polêmicas, Bolsonaro chama refugiados de "escória do mundo"

Deputado disse ainda que, por ele, Dilma deixaria o cargo imediatamente: "Infartada, com câncer ou de qualquer maneira"

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Conhecido por declarações polêmicas, Bolsonaro
chama refugiados de "escória do mundo"
(Foto: Divulgação)

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) fez uma nova declaração polêmica na última quinta-feira (17). O alvo da vez foram os refugiados, que tem migrado em massa para países, principalmente, da Europa - e também para o Brasil - na tentativa de fugir de conflitos, perseguições e do avanço do grupo extremista Estado Islâmico.

Após participar do I Workshop da Justiça Criminal em Goiânia, Bolsonaro deu uma entrevista ao Jornal Opção, de Goiás, e disse que os refugiados que chegam ao Brasil são a pior coisa do mundo. "A escória do mundo está chegando ao Brasil como se nós não tivéssemos problema demais para resolver".

Segundo informações da revista Exame, Bolsonaro afirmou ainda que os militares brasileiros não estão preparados para lidar com os novos moradores do país. "Não sei qual é a adesão dos comandantes, mas, caso venham reduzir o efetivo [das Forças Armadas] é menos gente nas ruas para fazer frente aos marginais do MST, dos haitianos, senegaleses, bolivianos e tudo que é escória do mundo que, agora, está chegando os sírios também", disse.

Leia também:
Refugiados no Brasil, sírios tem dificuldade de encontrar empregos e moradia

O deputado disse também que, se dependesse dele, a presidente Dilma Rousseff deixaria o cargo imediatamente. "Espero que o mandato dela acabe hoje, infartada, com câncer ou de qualquer maneira", disse.

"O Brasil não pode continuar sofrendo com uma incompetente, ou 'incompetenta', à frente de um país tão grande e maravilhoso como esse aqui", finalizou. 

A síria Hanaa Nachawaty vende esfirras com a família no Rio de Janeiro, onde vivem refugiados da guera na Síria Fernando (Frazão/Agência Brasil)
Hanaa Nachawaty vende esfirras com a família no Rio de Janeiro, onde vivem refugiados da guerra na Síria (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Crise migratória
Fugindo das guerras, perseguições e do avanço do grupo terrorista Estado Islâmico, milhares de pessoas tem fugido de suas casas e tentado entrar na Europa em busca de refúgio. 

Pelo menos 473 mil pessoas atravessaram, este ano, o mar Mediterrâneo para chegar à Europa, das quais perto de 40% são oriundas da Síria. O número é o dobro do registrado no ano passado, segundo cálculo da Organização Internacional das Migrações (OIM).

Da Síria chegaram 182 mil pessoas, 38% do total, quando em 2014 os refugiados sírios na Europa representaram menos de 30% das entradas. De todas as pessoas que chegaram à Europa, 349 mil entraram pela Grécia, 121 mil pela Itália e 2 mil pela Espanha.

De acordo com os levantamentos da organização, pelo menos 2.812 pessoas morreram tentando a travessia pelo mar. O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados indicou que o número de mortos é superior a 2.900.

Barco com imigrantes afegãs chega à costa da Grécia. Eles atravessaram o Mar Egeu entre a Grécia e Turquia (Foto: Angelos Tzortzinis/AFP)
Fugindo de conflitos, mais de 180 mil pessoas já deixaram a Síria
(Foto: AFP)

Desde o início do ano passaram pela Hungria 225.000 migrantes. Budapeste levantou uma cerca de arame farpado nos 175 quilômetros de sua fronteira com a Sérvia e começou a fazer o mesmo em segmentos das suas fronteiras com a Romênia e a Croácia.

A Áustria, por sua vez, registou a entrada de mais de 100 mil refugiados do Médio Oriente, a maioria proveniente da Hungria. 

"As nossas fronteiras estão em risco. A Hungria e toda a Europa estão em perigo", sublinhou Viktor Orban, primeiro-ministro húngaro. "Não podemos deixar entrar os que nos sobrecarregam", afirmou.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas