Correio Mar: Os faróis do Brasil

colunistas
09.04.2011, 18:11:00

Correio Mar: Os faróis do Brasil

Cada farol tem sua identidade: eles piscam de forma diferente, como uma impressão digital

Os faróis do Brasil
Os faróis são os guardiões da costa brasileira. Sempre situados em locais estratégicos, sinalizam aos navegantes, sejam amadores ou profissionais, pequenos veleiros ou grandes navios mercantes, os perigos próximos e ajudam a confirmar a navegação que todos fazem com cautela.

A Marinha do Brasil instala, cuida e opera os faróis, que são 213 distribuídos pelo nosso litoral e ilhas. Alguns são humildes e esquecidos, outros são famosos, como os de Fernando de Noronha, Abrolhos e o baianíssimo Farol da Barra.

Cada farol tem sua identidade: eles piscam de forma diferente, como uma impressão digital. Piscam branco, vermelho, verde, em um ou mais lampejos, com intervalos de tempo diferentes. Ao avistá-lo, o navegante pode rapidamente confirmar que aquele “é o seu farol”!

O comandante André Moraes Ferreira, encarregado do Serviço de Sinalização Náutica do Leste, coordena agora a comemoração dos 150 anos do farol de Abrolhos. Parcel descoberto por Américo Vespúcio em 1503, que na oportunidade registrou: “Quem por aqui passar abra os olhos”.


Farol de Abrolhos

Perigo mortal identificado, D. Pedro II determinou, e em 1861 a Marinha instalou o farol na ilha de Santa Bárbara, com tecnologia francesa, o top na época. Desde então, um mar de histórias e acontecimentos foi testemunhado por esse equipamento, do alto de sua redoma.

A primeira homenagem aconteceu junto ao farol de Porto Seguro, na Cidade Histórica, no dia 6 passado, com a presença da alta cúpula da Marinha na Bahia, o prefeito, Gilberto Abade, o embaixador de Portugal e o cônsul português na cidade, Dr. Moacir Andrade, e mais autoridades, registrando o importante evento em uma placa comemorativa.

Ao largo, o imponente navio veleiro Cisne Branco, embarcação de instrução de oficiais e de representação da Marinha, participava do programa, vindo do Rio, com passagem pelo Arquipélago de Abrolhos. Seguindo o roteiro, o Cisne Branco saiu no dia seguinte, 7, com destino a Salvador. Ficará em visitação pública no Porto de Salvador por dois dias, amanhã e segunda-feira. Oportunidade única para famílias, escolas e amantes do mar e das embarcações conhecerem esse magnífico veleiro.

Em tempo, o nosso Farol da Barra já tem mais de 300 anos, sendo o mais antigo das Américas.
Saiba mais: www.mar.mil.br.

O Veleiro Cisne Branco
Convidado pelo Comandante do 2º Distrito Naval, vice-almirante Carlos Autran, a embarcar no navio veleiro Cisne Branco para o percurso Porto Seguro-Salvador, aceitamos de imediato. Oportunidade única para um velejador amador estar a bordo desse magnífico veleiro de três mastros e 76 metros de comprimento, presenciando a tripulação operar o navio, levantar 32 velas, toda sua faina e a vida a bordo, mesmo que só por dois dias.

O Cisne Branco foi incorporado à Marinha do Brasil em fevereiro de 2000, com a finalidade de representar nossa Marinha e o próprio Brasil em eventos náuticos em todo o mundo. Logo, participou das comemorações relativas aos 500 anos de descobrimento do Brasil, realizando a travessia do Oceano Atlântico exatamente como Pedro Álvares Cabral havia feito. Assim, já cumpria a função de desenvolver e promover as tradições navais brasileiras.

Foi construído em Amsterdã, baseado nos projetos dos últimos ‘Clippers’ do século XIX, sob a supervisão da Marinha Brasileira, para ser operado por 52 tripulantes, tem capacidade de embarcar ainda até 31 tripulantes em treinamento.

O projeto era utilizar as mais avançadas tecnologias existentes, porém, permitindo todas as manobras de convés e vela exatamente como ocorriam no século XIX, mantendo, assim, as mais antigas tradições da marinharia. Laboram suas velas em torno de 18 km de cabos, manobrados manualmente em trabalho de equipe, faina de elevado conteúdo profissional que preserva as antigas tradições dos heroicos e históricos veleiros.

Grandes eventos náuticos ocorrem frequentemente em diversos países ao redor do mundo. Tais eventos têm a capacidade de reunir grande parte da comunidade marítima internacional. A participação de um navio de época, como o Cisne Branco, nesses eventos proporciona ao Brasil uma ótima oportunidade de mostrar sua cultura, tradições e capacidades.

Apesar de toda a tecnologia empregada na Marinha moderna, a essência da marinharia continua a ser requisito fundamental para aqueles que têm o mar como ambiente de trabalho. A bordo do Cisne Branco, as mais diversas atividades relativas à vida no mar são desenvolvidas. Manobras de vela, tarefas nos conveses, navegação e marinharia são somente algumas delas.

A constante interação com a natureza ensina aos tripulantes em treinamento a respeitar o mar e também lhes dá a confiança que só os que já o enfrentaram podem ter. Os exercícios de subida na mastreação exercitam a capacidade de vencer desafios e reforçam a autoestima. Os trabalhos nos conveses e as fainas nas vergas ensinam o valor do trabalho em equipe e a importância em desenvolver a confiança no companheiro.

O nome Cisne Branco veio do hino da Marinha do Brasil, a canção do marinheiro.

Comando e equipe:
Comandante: Capitão-de-mar-e-guerra Renato Batista de Melo
Oficialidade: 9
Guarnição: 42
Tripulantes em treinamento: 31

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