Cuidado, veado na pista: as peripécias de Marrom no caminho para Woodstock

entretenimento
22.05.2021, 06:15:00
(Foto: Acervo Pessoal)

Cuidado, veado na pista: as peripécias de Marrom no caminho para Woodstock

No Baú do Marrom de hoje, colunista conta como viu um desfile de veados nos EUA

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Para o norte-americano, seria mais uma placa de sinalização como muitas que tem pelo país. Mas, para um brasileiro e baiano como eu, foi uma surpresa. Uma placa igual à que a gente vê nas rodovias brasileiras, mas com um detalhe: ao invés da foto de um boi, um cavalo ou um bode, por exemplo, a placa indicava que tinha “veado” na pista. E antes que a turma do politicamente correto venha me acusar de homofóbico, estou me referindo ao animal, também chamado de cervo, e que no jogo do bicho é o número 24.

Durante muitos anos eu vou a New York e sempre tive vontade de ir à cidade de Bethel, onde foi realizado em 1969 o lendário e icônico Festival de Woodstock. Mas nunca encontrava alguém disposto a viajar, ou porque as viagens eram tão corridas que faltava tempo. Até que no dia 4 de setembro de 2015 encontrei dois malucos como eu para essa jornada: os queridos Breno Ferrari (um ítalo-brasileiro-mineiro) e o cantor e compositor Del Feliz, que também estava nessa época na cidade.

Assim, logo pela manhã, depois do breakfest na América do Norte, pegamos o carro e partimos para a nossa aventura. A estrada que liga New York a Bethel é maravilhosa (como todas as estradas norte-americanas). E saímos lépidos e fagueiros com Breno, que já mora há muito tempo nos EUA, nos guiando.

Conversa vai, conversa vem, eis que de repente, com meus olhos de águia, eu vejo ao longe uma placa bem vistosa anunciando para a gente tomar cuidado pois tinha animal na pista.

Quando o carro foi se aproximando, a minha surpresa: o desenho de um veado. Eu achei inusitado e pedi para que Breno parasse o carro. Eu queria ver de perto e registrar. E para não achar que poderia ser montagem, resolvi me agarrar na placa e mandei fazer o registro.

Mas o melhor estava por vir. Como a estrada é muito arborizada, com uma imensa vegetação ao redor, eis que de repente quem aparece saltitante? O veado, claro! Aí foi que entendemos por que tínhamos que tomar cuidado. Mas não foi um só não. Foram vários.

Ficamos uns 20 minutos observando o desfile “dos colegas” (rs). Eles não estavam nem aí para a gente. Passado o tempo, retornamos ao carro e fomos para o nosso objetivo: conhecer a fazenda onde aconteceu o famoso evento (hoje tombado) e transformado numa espécie de museu, mantendo as mesmas características de quando aconteceu a festa durante três dias de agosto.

Monumento na fazenda onde foi realizado o festival de Woodstock (Acervo Pessoal)

Está tudo registrado em livros, documentários e filmes sobre aquele encontro de jovens cheios de ideais que esperavam mudar o mundo com a filosofia da Paz e do Amor. Realizado entre os dias 15 e 18 de agosto de 1969 na fazenda de gado de Max Yasgur, na cidade de Berthel, Estado de New York, foi anunciado como "Uma Exposição Aquariana: 3 Dias de Paz & Música".

O festival reuniu grandes nomes como The Who, Joe Cocker, Janis Joplin, Jimmy Hendrix, Santana, Joan Baez, e até o cantor Tim Harden, autor da música  If I Were a Carpenter, que ganhou versão no Brasil como O Carpinteiro, com Ronnie Von e hoje foi regravada em ritmo de pisadinha por Elias Monkbel.

Eu cresci lendo e ouvindo comentários sobre o festival e esses artistas, que anos mais tarde eu passaria a admirá-los, mesmo alguns já que nos deixaram, como Jimmy Hendrix, Joe Cocker e Janis Joplin - esta que esteve na Bahia, nos anos 70, seis meses ante de morrer.

Eu nem imaginava que seria jornalista e que me especializaria na área de música. Era um garoto que ainda não amava os Beatles nem os Rolling Stones, o que aconteceria mais tarde, quando passei também a gostar de Gil e Caetano e outros grandes astros.

Mas sempre com a imagem que tinha visto na tela da TV e depois no DVD do festival, imaginando: 'um dia ainda vou lá neste templo'. E fui, mas, antes, descobri a placa: 'cuidado, viado na pista' (rs).

***

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