De Coração: entrevista com a apresentadora do GNT e arquiteta Bel Lobo

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23.07.2015, 06:06:00

De Coração: entrevista com a apresentadora do GNT e arquiteta Bel Lobo

Bel Lobo é apresentadora do GNT e assinou projetos de lojas como Farm e Richards

Bel Lobo passou sete temporadas (3 anos) à frente do Decora, programa de decoração do canal por assinatura GNT, e mudou a cara da casa de muita gente. No Lá Fora, mais recente projeto na TV, repaginou áreas comunitárias e públicas.

Seu escritório, o be.bo., que comanda em parceria com o marido, Bob Neri, assina projetos de lojas como Farm, Richards e Shoulder. Arquiteta há mais de 30 anos, ela se descreve, no próprio site, como alguém de “mente curiosa, alma inquieta e coração quente”. Conheça um pouco da carioca, que conversou com a gente por telefone.


Bel Lobo comandou sete temporadas do programa Decora e uma do Lá Fora: ‘Gostaria de continuar no público’ (Foto: Divulgação)

Por que escolheu arquitetura?

No fim do colégio, pensei em fazer faculdade de psicologia. Um teste vocacional tinha apontado aptidão para a área. Como eu era meio maluca, achei que podia me consertar (risos). Nas férias, estava conversando com uma amiga que desenhava. Comecei a desenhar também. Aí ela me falou que eu sabia desenhar bem. Como eu adorava física e matemática, ela sugeriu que eu fizesse arquitetura. A mãe dela era arquiteta. Conversamos e gostei.

Como nasceu o be.bo.?

Na volta de uma viagem, no avião, tive a ideia de fazer um escritório no andar de cima do meu. Já ganhava dinheiro, mas queria desafios. Escrevi um manifesto e pensei nas diretrizes... Queria também uma marca de móveis e aí surgiu a mooc.

Como é sua rotina?

Fala-se em crise, mas tá agitado para mim. Quando não estou trabalhando, estou gravando ou dando palestra. No coletivo be.bo., eu e o Bob somos maestros, porque o que acontece é mesmo um coletivo de criação. A gente desenvolve coisas em grupo.

De qual parte você mais gosta?

De criar. Adoro quando vem cliente com uma coisa nova. Tudo em que eu possa aprender, ser desafiada. Fico animada como se fosse brincadeira. Recentemente, participamos de uma concorrência para projetar lojas de uma empresa brasileira grande.

Eles queriam algo com os valores da marca, que falasse com o futuro, com o sempre, com sustentabilidade e inovação... Aí convidei o Matéria Brasil (centro carioca de modelos de produção e consumo conscientes) e o estúdio SuperUber. São meninos superantenados. Gosto dessa troca. Lembro de quando fiz a loja da Farm e chamei artistas pásticos. A troca deixa os trabalhos mais ricos.

Como surgiu o projeto Be.lo Bo.m?

A gente já fazia e não tinha dado nome. Uma vez por ano, fazemos uma ação social, do projeto à execução, com nosso próprio dinheiro, no Rio. Teve um centro cultural no (bairro de) Bangu, onde fizemos estrutura, botamos ar-condicionado, contratamos consultoria de teatro...

Também uma escola pública na qual estudei, em Botafogo. Tava tudo destruído. As salas não tinham nem porta, estava tudo pichado e estragado... Conseguimos recuperar o segundo andar que estava abandonado. Reformamos, pintamos, decoramos, botamos carteiras novas... É lindo ver tudo bonito até hoje.


Bel Lobo num dos episódios do Lá Fora: reforma de espaços comunitários

Como vê o futuro da arquitetura?

Acho que os leigos tão aprendendo a cuidar da própria casa. É possível fazer tanta coisa num espaço pequeno quando você contrata um profissional ou desenvolve um olhar... O curso de design de interiores é novo. O Instituto Europeu de Design do Rio pediu pra a gente desenvolver um curso de um  ano. O público tem muita gente de outras áreas, que gosta de entender possibilidades para os espaços.

Algum episódio do Lá Fora te marcou em especial?

Adorei todos. Teve o tempo que passei em Paquetá (ilha da Baía de Guanabara, no Rio) com os pescadores. Foi um prazer conhecer aquelas pessoas. Gosto de gente de verdade. Lembro das crianças de Marechal Hermes (bairro popular do Rio), que eram as mais educadas e brincalhonas. Brincamos de passa-anel a noite toda! No episódio da horta, aprendi sobre compostagem, abelhas, minhocário... Foi tanta coisa que nem coube tudo na TV. 

Acha que os espaços públicos são bem ocupados no Brasil?

Acho que há um movimento de apropriação. Vejo parklets sendo aproveitados em São Paulo. Isso é botar vaga de um carro para ser usada de maneira pública. Aqui no Rio, as pessoas ainda têm medo, mas a gente precisa experimentar os espaços da cidade. Tudo muda se você leva pessoas para a rua. 

Quais os próximos planos na TV?

Tô conversando com minha coordenadora no GNT. Eles querem um formato e eu tô querendo outro. Quero algo que atinja mais gente do que o projeto particular. Gostaria de continuar no público. Adoro o GNT. É uma delícia, divertido, ótimo fazer programa. Faço tudo pra me divertir. Se não me mover nem divertir, vira emprego. E emprego é muito chato.

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