Diogo Nogueira lança três álbuns com clima de Verão gravados no meio do mar

entretenimento
26.01.2021, 06:00:00
(Foto: Guto Costa/Divulgação)

Diogo Nogueira lança três álbuns com clima de Verão gravados no meio do mar

Sol, Céu e Lua têm participação de Zeca Pagodinho e Fundo de Quintal

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

A quarentena não está fácil para ninguém. Por isso, na tentativa de amenizar a impossibilidade de as pessoas irem pra rua curtir o Verão como manda o figurino, o sambista Diogo Nogueira, 39 anos, resolveu reproduzir o clima da estação mais quente do ano em três álbuns: Sol, Céu e Lua.  

O primeiro, já disponível nas plataformas digitais (diogo.no/youtube), e os seguintes, a partir de fevereiro e março, foram gravados em um só dia dentro de uma balsa no mar da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. O álbum Sol foi do início da tarde até o pôr do sol, enquanto Céu pegou o final da tarde e o início da noite.  

Para finalizar a trilogia, o disco Lua foi gravado totalmente à noite e cada um contou com oito músicas. O projeto audiovisual cuja imagem do pôr do sol nos morros do Rio serve de ícone “é uma oportunidade de se transportar mentalmente para esse lugar tão rico e tão lindo”, defende Diogo.  

“O Verão tem um clima tão gostoso. Essa paz, essa sensação de liberdade que ele traz e faz com que as pessoas fiquem felizes estão no trabalho”, compara o cantor. Com participação de Zeca Pagodinho e do grupo Fundo de Quintal, o projeto tem letras que também ajudam o ouvinte a se transportar para fora de sua sala.  

“Vem sambar/Você que está sentado pode levantar”, diz um trecho da música Divino e Natural, que tem Arlindo Cruz entre os compositores. Já em Bota Pra Tocar Tim Maia a letra diz: “Faz de conta que não tem ninguém/Que a praia é toda nossa amor/Foca nesse lindo mar azul/(...) Hoje o sol nasceu da gente”.

Roda de samba 
As músicas que marcaram as rodas de samba frequentadas por Diogo entraram no repertório ao lado de canções inéditas e de parcerias com nomes da nova geração. Tudo foi pensado ao longo de dois anos e o Samba de Verão seria, na verdade, um DVD gravado ao vivo com o público. Com a pandemia, os planos mudaram.  

As lives influenciaram o sambista nessa “experiência áudio-visual” sem público, como cita Pedro Bial no texto de apresentação do projeto. “Chame como quiser, o poder de comunicação de Diogo está todo lá, a serviço do samba”, resume o jornalista e apresentador da Globo que passeia por cada um dos três discos.  

“Nesse ‘Sol’, ele nos faz a presença de jovens partideiros - saravá, Juninho Thybau, saravá, Gabrielzinho do Irajá, saravá Mosquito, Mingo e Baiaco, saravá! Depois revivem jovens eternas em sua voz Jovelina Pérola Negra, sempre um ‘Sorriso Aberto’, e Beth Carvalho em sua eterna ‘Andança’”, descreve, ao citar a homenageada Beth Carvalho (1946-2019). 

Durante a escolha do repertório, Diogo conta que acabou ouvindo muita coisa na voz de Beth que “foi uma mulher muito importante para o samba” ao revelar novos artistas como os que participam do disco e o próprio Diogo. “Ela foi muito importante na minha carreira. Na de todo mundo. É uma forma de agradecer a essa mulher guerreira, forte, política”, elogia. 

O Samba de Verão é, portanto, um tributo ao gênero musical e à vida além da quarentena. Consciente de seus privilégios, afinal Diogo mora em uma casa com natureza e piscina onde pode “aproveitar o Verão dentro de casa”, como ele mesmo define, o cantor explica que seu objetivo com os três álbuns é ajudar os que não têm a mesma sorte. 

Ocupar a mente é o segredo, defende. “A vida sem a arte é uma vida completamente sem graça. A música, a arte, é salvadora. Parar para ouvir e entender as mensagens que estão ali dentro do DVD e aproveitar, mesmo dentro de casa pode ajudar a enfrentar esse momento difícil. Arrasta o sofá e vem dançar”, convida o sambista.

Bial concorda e acrescenta que "em tempos de doença, o samba de Diogo Nogueira chama a saúde de volta e entre tanta morte, canta a vida". "Nesse mais estranho dos Verões, todo Carnaval preso na garganta há de se libertar no Samba de Verão", acredita.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas