Drauzio relembra entrevista com Suzy e pede desculpa à família de menino morto; assista

em alta
10.03.2020, 19:53:23
Atualizado: 10.03.2020, 21:01:16

Drauzio relembra entrevista com Suzy e pede desculpa à família de menino morto; assista

Matéria do Fantástico comoveu o país, mas depois gerou revolta; entenda

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Foto: Reprodução

O médico e apresentador Drauzio Varella divulgou um vídeo em suas redes sociais, na noite desta terça-feira (10), no qual comenta toda a repercussão do caso envolvendo a detenta trans Suzy Oliveira, no programa Fantástico (TV Globo), de dois domingos atrás.

Uma passagem da reportagem, na qual Suzy comenta que não recebia visitas havia oito anos, comoveu muitos depois que ela recebeu um abraço de compaixão do médico. Após a repercussão do caso, Suzy recebeu mais de 200 cartas e mensagens de apoio.

No entanto, muita coisa mudou depois que um grupo de advogados divulgou o crime cometido pela detenta: em 2010, ela havia estuprado e assassinado um garoto de 9 anos em São Paulo.

Leia também: O crime de Suzy não foi estuprar e matar o menino

No vídeo desta terça, Drauzio explica o ocorrido e aproveita para pedir perdão à família do menino que foi vítima de Suzy. Assista ao vídeo e leia a transcrição mais abaixo.

“Eu estou aqui para dar uma satisfação para todos aqueles que me acompanham. No último domingo (8) foi revelado para o País, inclusive para mim mesmo, o crime cometido por uma das entrevistas na matéria que apresentei no Fantástico no dia primeiro de março. É um crime que choca a todos nós.

Escrevi uma nota em que fui sincero ao dizer que não entrei na cadeia como juiz, e sim como médico. Ser médico orienta o meu olhar em todas as situações, não só quando estou atendendo pacientes. Faço isso há mais de 50 anos, seja nos consultórios, na cadeia, nos livros que escrevi, na televisão, nos jornais e na internet.

Posso imaginar a dor e peço desculpas a família do menino que foi involuntariamente envolvida no caso.

Na matéria em questão o foco era mostrar as condições em que vivem as transexuais presas. As estatísticas oficiais indicam que a imensa maioria delas está preso por roubo e furto. A maneira pela qual a Suzy foi apresentada deu a entender que ela fazia parte desse grupo majoritário. Por isso entendo a frustração de quem se decepcionou comigo.

Ali, aconteceu o seguinte: eu terminei a entrevista, que foi uma entrevista longa, e ela ficou de cabeça baixa. No fim, perguntei há quanto tempo ela não recebia visitas e ela disse: ‘há 7 ou 8 anos’. Eu ainda disse para ela: solidão, né, minha filha. E nessa hora ela se virou para mim com um olhar tão triste que me comoveu e eu dei um abraço nela.

Para quem acha que eu errei, desculpa. Mas esse é meu jeito. Eu lamento, mas assumo totalmente a responsabilidade negativa que o caso teve. Eu gostaria de dizer claramente, sem nenhuma chance que eu volte atrás no futuro, que eu nunca fui e nunca serei candidato a nada. As pessoas que estão explorando politicamente esse caso podem ficar tranquilas.”

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas