"É preciso buscar novos lugares de fazer piada", defende Leandro Hassum

entretenimento
21.03.2019, 12:00:00
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"É preciso buscar novos lugares de fazer piada", defende Leandro Hassum

Porém, nova comédia estrelada pelo ator reproduz velhos preconceitos

Poucos atores brasileiros conseguem protagonizar filmes com um intervalo tão curto entre um e outro. E um deles, certamente, é Leandro Hassum. No ano passado, foram dois: O Candidato Honesto 2 e Não Se Aceitam Devoluções. Agora, ele retorna em Chorar de Rir, que propõe reflexão sobre a linha tênue que separa o riso do choro.

A direção é de Toniko Melo, experiente diretor de filmes publicitários, que dirigiu o longa VIPs (2010). O diretor teve a ideia de retratar o tema em um filme enquanto assistia a uma entrevista de Meryl Streep. Após atingir tanto sucesso em dramas, a premiada atriz afirmava estar pronta para fazer comédia e aquilo chamou sua atenção. “Há um sentimento muito difícil de definir no momento que choramos de rir. [...] O que dá para afirmar sobre esse sentimento tão especial, é que ele se situa numa fase intermediária, um pulso em transição do choro para o riso ou do riso para o choro”, argumenta o diretor.

A trama de Chorar de Rir se passa nos bastidores do mundo da comédia. Hassum dá vida a Nilo Perequê, comediante que vive o auge da carreira. No entanto, ao notar que seu prestígio é ofuscado quando comparado ao de atores dramáticos, resolve abdicar da carreira de humorista e arriscar-se como ator “sério”. Por intermédio de sua namorada atriz, vivida por Monique Alfradique, que está envolvida com um diretor ‘cabeça’, ele se joga de cabeça em uma adaptação para o teatro do clássico de Shakespeare, Hamlet. No entanto, alguém próximo a Nilo encomenda um feitiço ao Papanô, o feiticeiro dos famosos, que garante que ele só consiga provocar o riso em seu público.

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Rafael Portugal é responsável pelas poucas piadas engraçadas que o filme traz
Rafael Portugal é responsável pelas poucas piadas engraçadas que o filme traz (Foto: Divulgação)
Apesar de defender que o humor precisa buscar novos lugares de fazer piada, repertório de Hassum reproduz velhos preconceitos
Apesar de defender que o humor precisa buscar novos lugares de fazer piada, repertório de Hassum reproduz velhos preconceitos (Foto: Divulgação)

Tirando a parte fantasiosa, Chorar de Rir parece até uma biografia não autorizada de Hassum que assume se identificar com Nilo em diversos aspectos, principalmente por serem atores, humoristas e já terem vivido essa pressão para fazer um ‘papel mais sério’.  “O que eu não me identifico com o Nilo, mas acaba se tornando importante para a trama é que ele tem a ingenuidade de achar que ele precisa abrir mão da comédia para ser levado a sério. Quando na verdade ele pode acumular. Não precisava largar a comédia para fazer Hamlet, ele poderia continuar sendo um grande comediante e fazer Hamlet”

Em termos de atuação, Leandro Hassum assume bem o papel do ator versátil capaz de transitar entre os dois gêneros. No entanto acaba recorrendo ao estereótipo do gay afeminado para fazer graça, nos momentos em que está sob efeito da maldição e não consegue se controlar. Em situações fora de contexto em que o estereótipo não cabe e nem faz rir, soa como um vício de atuação. A situação piora quando este vício é acompanhado de uma piadinha heteronormativa “sobre não dar os fundos” que não tem graça para todo mundo. 

O repertório de piadas ainda inclui algumas gracinhas que podem ser encaradas como machistas. Como por exemplo quando sua namorada está na sala de cirurgia dando à luz e ele faz um comentário sobre ‘seu brinquedo’ estar estragado. Isso sem falar sobre os comentários gordofóbicos, disfarçados de piada, direcionados ao personagem de Otávio Muller.  

Apesar disso o ator assume um discurso diferente das piadas que conta. Em entrevista ao CORREIO, Hassum defendeu que os humoristas precisam buscar outros lugares de fazer piada. “Chegou um momento, e estamos vendo esse momento em vários aspectos, que perdeu a graça. Perdeu-se a mão de fazer piada com mulheres, virou misoginia. Da mesma forma que se perdeu a mão de fazer piadas com gays e negros”, defende. Para ele antes de fazer uma piada é preciso estar atento à empatia e saber escutar o outro.  "Eu acho que o nosso ideal de humor deve ser aquele que a pessoa se identifica, mas não diminui a pessoa", observa. 

No entanto faz questão de deixar um recado para aquelas pessoas que se apropriam de discursos para ‘lacrar’: “Eu acho exagerado quando as pessoas criticam, mas eles mesmos não têm essa postura. Porque é muito fácil jogar pedra no telhado dos outros. Quando as pessoas usam a hashtag apenas para lacrar. Isso eu acho babaca”, defende. 

Chorar de Rir é mais uma produção cinematográfica que mostra as semelhanças entre os gêneros, além de proporcionar momentos emocionantes e outros poucos engraçados, na maioria das vezes provocados pelo rival de Nilo, interpretado por Rafael Portugal.  A aparição de Sidney Magal como feiticeiro e sua secretária deixam sua marca na produção e são um dos pontos altos do filme. Uma boa surpresa que a trama reserva é a releitura da cena icônica de Dançando na Chuva (1952), uma das cenas clássicas do cinema.

Confira Horários e Sessões:

Uci Orient Shopping da Bahia  

Sala 7: 13h10, 15h20, 17h30, 19h40, 21h50  

Uci Orient Shopping Barra  

Sala 2: 13h50, 16h10, 18h30, 20h50  

Uci Orient Shopping Paralela  

Sala 4: 13h10, 15h20, 17h30, 19h40, 21h50  

Orient Cineplace Boulevard  

Sala 4: 14h20, 18h50, 21h  

Orient Serrinha Shopping

Sala 1: 13h10, 17h10, 19h20, 21h30  

Cinemark  

Sala 3: 16h30, 21h40  

Cinépolis Bela Vista  

Sala 8: 14h10, 16h20, 21h40  

Cinépolis Salvador Norte  

Sala 3: 15h, 17h20, 20h, 22h20

*Sob Orientação de Roberto Midlej


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