Eduardo Athayde: Energia solar, mais barata do mundo

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25.05.2017, 06:54:00
Atualizado: 25.05.2017, 06:55:58

Eduardo Athayde: Energia solar, mais barata do mundo


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O mundo consome atualmente cerca de 14 trilhões de litros de petróleo, ou óleo equivalente em petróleo, gás e carvão. Um  volume pequeno  diante da quantidade de energia que o sol, reator nuclear, distante 8.3 minutos luz, joga sobre o planeta - 10.000 vezes a energia que usamos de todas as fontes combinadas.

A energia solar vem batendo recordes exponenciais, crescendo entre 35% a 40% ao ano, nos últimos 20 anos, fazendo os preços das tecnologias  solares mergulharem mais rápido que previsões dos especialistas mais otimistas.

Nos EUA, o gás natural era a energia mais barata, em torno de US$ 0,05 ¢   por quilowatt-hora (kWh). Porém, no final de 2016, um ousado contrato de fornecimento de energia solar, em Palo Alto, na Califórnia, foi assinado por US$ 0,036 ¢ por kWh, desbancando a liderança do gás natural.

Acelerando na corrida e disputando mercado, os lances solares ganharam uma dúzia de leilões no Chile, o mais baixo com US$ 0,029 ¢ por kWh. Esse não era apenas o preço mais barato já atribuído para a energia solar, era também o contrato, sem subsídio, mais barato para a eletricidade de qualquer tipo no planeta, com qualquer tecnologia na história.

Disputando na incansável competição solar, os Emirados Árabes Unidos foram surpreendidos, em seguida, com outro recorde de tarifa. Abu Dhabi recebeu a menor oferta para um projeto de energia solar fotovoltaica, US$ 0,024 ¢ kWh, tomando do Chile o título de mais barato projeto de energia solar do mundo e o menor da história das energias.

O parque solar de Abu Dhabi, inicialmente planejado para 350 MW, diante do reequilíbrio eco-nômico, passará para 1 gigawatt (GW). Nos últimos meses, grandes parques de energia solar em todo o mundo, acompanhados pelo WWI-Worldwatch Institute, receberam lances inferiores a US$ 0,04 ¢ kWh, na Índia, Chile, Emirados Árabes Unidos e em outros lugares.

Locais do planeta com concentração de sol atraem atenções e investidores focados na eficiência energética da eco-nomia, deflagrada pelo Acordo de Paris. No último leilão brasileiro, realizado em 2015, a energia solar fotovoltaica, abundante no país, foi vendida a US$ 0,078 kWh.

O potencial energético solar fotovoltaico brasileiro, só para usinas de grande porte, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), é de 28.500 GW, equivalente a 200 vezes toda a atual matriz elétrica nacional de 150 GW, somando todos os tipos de fonte de energia.

As minas solares renováveis do Nordeste brasileiro estão na mira dos investidores dos Emirados Árabes. Atenta, a Sudene inova - em parceria com o Centro de Energias Renováveis (CER) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e o Centro Brasileiro de Inovação e Tecnologia (CSEM) - incentiva a geração de células e módulos fotovoltaicos orgânicos e flexíveis, com nanopartículas de óxido de molibdênio, ferro, titânio e zircônio, formando um revestimento de tinta orgânica que reage quimicamente ao entrar em contato com a radiação solar.

Ganhando notoriedade internacional por promover governança nova e liderar o setor, a Associação Brasileira da Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) mostra que, só em 2016, o Brasil teve um crescimento de 320% da geração distribuída solar fotovoltaica, pulando de 1.827 sistemas para mais de 7.600 sistemas de micro e minigerações, criando cerca de 30 empregos diretos para cada megawatt instalado, crescendo a um ritmo sem precedentes na história da eco-nomia energética global.

*Eduardo Athayde é diretor do WWI-Worldwatch Institute. eduathayde@gmail.com

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