'Ela aprendeu muito rápido', lembra 1º professor de natação de Ana Marcela

esportes
04.08.2021, 18:05:00
Atualizado: 04.08.2021, 18:23:13
Ana Marcela e Adriano, o primeiro professor de natação, em um reencontro em 2016 (Acervo Pessoal)

'Ela aprendeu muito rápido', lembra 1º professor de natação de Ana Marcela

Adriano Reis deu aula para a campeã olímpica quando ela tinha 2 anos

Ana Marcela Cunha caiu no mar em Tóquio para fazer história. Aos 29 anos, baiana se tornou a primeira brasileira campeã da maratona aquática em Jogos Olímpicos, completando a prova de 10km, no Odaiba Marine Park, em 1h59m30s8. Foi a coroação da carreira brilhante da atleta que já se destacava ainda nos primeiros anos de vida.

A história de Ana Marcela com as águas começou quando ainda tinha 2 anos. Por sempre ter sido apaixonada pelo mar, os pais, Ana Patrícia e George Cunha, colocaram cedo a baiana na aula de natação. Não demorou muito e ela já estava batendo os pés e logo saiu da boia. A rapidez surpreendeu até o primeiro professor, Adriano Reis.

"Enquanto outras crianças tinham medo de sair da boia, ela aprendeu muito rápido. Se destacou, desgarrou fácil. Com uma semana, já estava nadando", lembra.

Adriano deu aulas para Marcelinha por cerca de um ano, na escolinha Pimpolho, no Stiep. Na época com 25 anos, o professor conta que criava musiquinhas para ajudar as crianças a aprenderem a nadar - e Ana Marcela amava.

"Eu pegava o ônibus e ficava planejando as aulas, era uma fonte de inspiração (risos). Ela e outros alunos aprendiam bem com a música. Então ficava cantando: 'Marcelinha, bate, bate, bate, bate o pé, perepepé, perepepé, perepepé'. E ela ligava o motorzinho. Foi uma fase muito legal", recorda.

Hoje, 27 anos depois, Adriano se vê orgulhoso de ter participado da trajetória de sucesso da baiana. Além do ouro, o primeiro de uma atleta feminina brasileira na natação olímpica, Ana Marcela acumula 33 medalhas de ouro, 16 de prata e 17 de bronze em campeonatos da Federação Internacional de Natação (Fina). Também foi a campeã da maratona aquática nos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, em 2019.

"Minha participação foi criar essa memória afetiva, essa simbologia com a água. Muito bom saber que fiz parte de uma história tao legal", diz.

Aos 51 anos, o primeiro professor da campeã ainda mantém contato com a família de Ana Marcela. Ele acompanhou toda a prova da ex-aluna na Olimpíada de Tóquio, e comemorou o resultado.

"Fiquei muito ansioso, era a única medalha que faltava. Fiquei falando: 'liga o motor, liga o motor! Dá a pernada!'. Foi lindo demais, na tocada da mão. Ela é uma guerreira, retada", afirmou Adriano, que já quer reencontrar Marcelinha: "Já falei para a mãe dela que, quando ela voltar, já está convidada para comer uma pizza".

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