"Ele não fez nada, não reagiu", diz rodoviário que acompanhou motorista baleado por bandidos em hospital

salvador
16.11.2020, 20:28:00
Atualizado: 16.11.2020, 20:28:41
(Foto: Mauro Akin Nassor/Arquivo CORREIO)

"Ele não fez nada, não reagiu", diz rodoviário que acompanhou motorista baleado por bandidos em hospital

Atingido na barriga e no braço, o rodoviário foi atendido em hospital particular e teve alta

Geremias Pereira Maciel, 57 anos, motorista de ônibus, foi baleado em um assalto a ônibus na madrugada desta segunda-feira (16), às 4h30, no bairro do Lobato, em Salvador. Os tiros, que teriam sido dados após o assalto, quando os criminosos já estavam fora do veículo, atingiram o rodoviário na barriga e no braço. Encaminhado ao Hospital Teresa de Lisieux, Geremias recebeu atendimento e já teve alta médica.

De acordo com vítimas, o coletivo, que saiu de Paripe rumo à Rodoviária, teria sido interceptado por um grupo de dez homens armados que entraram no ônibus na Av. Suburbana e saquearam motorista, cobrador e passageiros.

Segundo Laudenício Matos, 47, supervisor da empresa do ônibus assaltado, que acompanhou o rodoviário até o hospital, Geremias relatou que toda a ação aconteceu de maneira rápida. "Ele disse que foi tudo muito rápido. Do nada, os bandidos apareceram no caminho. Eram uns dez bandidos, só quatro entraram pra roubar. Os outros ficaram do lado de fora. Rapidamente levaram tudo que os passageiros tinham", relata.

Perguntado sobre o porquê dos disparos, Laudenício falou que os criminosos atiraram sem motivação. "Eles já estavam na parte de fora do carro. Tinham conseguido tudo que queriam. Geremias disse que não reagiu, não fez nada que pudesse indicar que eles estavam em risco. Atiraram sem motivo aparente, por maldade", conta.

Procurada pela nossa reportagem, a Polícia Civil informou que realizou o registro da ocorrência e que as investigações sobre o assalto ao ônibus conduzido por Geremias está na responsabilidade do Grupo Especial de Repressão a Roubos em Coletivos (GERRC), que já apura a autoria do crime.

Insegurança para rodoviários
Assustado com a situação, Laudenício declarou que é comum saber de ocorrências ligadas a assaltos de ônibus e que o que mais preocupa é a violência contra os rodoviários. "A gente fica com medo, não tem como. Saímos pra trabalhar e ficamos expostos a esse tipo de situação, que tem rolado muitas vezes na cidade. E, além de roubar, os criminosos são violentos e podem atentar contra sua vida. Como se sentir seguro com isso?", lamenta.

Segundo dados registrados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia (SSP), ao longo de 2020, 1.381 ocorrências de assaltos a ônibus coletivo foram contabilizadas.

A reportagem do CORREIO procurou o Sindicato dos Rodoviários da Bahia para saber do posicionamento da entidade, que informou que, após, o fato, acompanhou de perto prestando socorro e suporte às vítimas.

"Infelizmente, esse é um dos inúmeros assaltos a coletivos na Avenida Suburbana. Em inúmeras ocasiões, a direção do sindicato se reuniu com o comando da Polícia Militar da região e também com o comando geral da PM para tratar dos crimes cometidos na localidade. Continuamos a clamar por mais segurança para os trabalhadores e passageiros dos coletivos que trafegam por essa avenida tão importante para Salvador, mas que está sendo uma espécie de zona do terror para quem utiliza ou trabalha nos coletivos urbanos da cidade", disseram. 

*Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro.

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