Eles sabem do paranauê: Baiana e paulista conquistam título de melhores capoeiristas do mundo

salvador
03.03.2018, 20:52:00
(Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

Eles sabem do paranauê: Baiana e paulista conquistam título de melhores capoeiristas do mundo

Em evento no Farol da Barra, Joseph ‘Gugu’ e Jubenice ‘Bibinha’ foram eleitos os mais completos na arte da capoeira

Sob uma ‘lua’ de 37 graus, em frente a um dos monumentos ícones da Bahia, a capoeira confirmou sua universalidade. Quando um paulista radicado na Alemanha e uma baiana do Nordeste de Amaralina mostram que entendem bem do paranauê, está provado que a arte-luta-dança consegue dois feitos: ao mesmo tempo ultrapassa fronteiras e mantém suas origens.

Ao conquistarem o título de campeões do Red Bull Paranauê, Joseph Augusto dos Santos “Gugu”, 32 anos, e Jubenice de Oliveira Santos “Bibinha”, 34, se tornaram os capoeiristas mais completos do mundo. Tanto nas três qualificatórias quanto na final deste sábado, os mais de 300 capoeiristas (de 15 estados e outros cinco países) tiveram que mostrar suas habilidades em três dos principais segmentos da Capoeira – Angola, Regional e Contemporânea.

Em todos os duelos, os capoeiristas se reuniram no centro do palco e sortearam dois toques para serem jogados: Toque de Banguela (representando a Capoeira Regional); Toque Jogo de Dentro (representando a Capoeira Angola); e Toque São Bento Grande Regional (representando a capoeira Contemporânea). Identificados por braçadeiras de cores diferentes, os 16 finalistas (divididos nas categorias masculina e feminina) foram julgados por três mestres renomados: Mestre Nenel (Regional); Mestre Jogo de Dentro (Angola); e Mestre Paulinho Sabiá (Contemporânea).

Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO

Nas finais, Gugu e Bibinha superaram quatro competidores cada. Ele, natural de São Paulo, mora na Alemanha há quase três anos, onde coordena um dos núcleos de sua academia, com origem na capital paulista. Na verdade, seu primeiro contato com a capoeira foi com mestre Miguel Machado, do sul da Bahia. Por isso, depois de vencer o baiano Nahuel Mingote “Guaxini do Mar”, Gugu largou em alto e bom som no microfone: “Ê, Bahia!”. Aos 6 anos de idade, menino curioso, ia espiar as rodas da Praça da República. Não parou mais.

“Nasci dentro da capoeira. Jogo capoeira todos os dias da minha vida. É a minha inspiração”, disse Gugu, que, como todo bom capoeirista, gosta de deixar claro de quem herdou a arte. “Iniciei com mestre Miguel, que tinha um discípulo chamado Paulão. Mestre Paulão é meu mestre até hoje. Agradeço muito a ele”, disse Gugu, casado com uma alemã, pai de quatro filhos e mestre de 300 capoeiristas.

Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO

Já Bibinha nasceu em um bairro que se tornou berço da capoeira Regional. Foi no Nordeste de Amaralina que Mestre Bimba desenvolveu a modalidade. Na final, Bibinha venceu outra baiana: Jailane Graziele “Guerreira Lane”, do Subúrbio Ferroviário. Nos últimos dias, dividiu as atenções do treino com trabalho, estudos e as tarefas de mãe da pequena Dandara. “Muita luta, muita dedicação. Devo essa força à capoeira. Agradeço por ter nascido em um bairro que tem uma roda de capoeira em cada esquina. Comecei com mestre Crush”.  

No final das contas, o objetivo do evento é justamente, mostrar a universalidade da capoeira e manter sua essência, perpetuando ensinamentos de nomes como Bimba, Pastinha, Waldemar, Cobrinha Verde, João Grande, João Pequeno e tantos outros. “A capoeira está presente em mais de 170 países, mas tudo aqui é baseado em muito estudo, sempre com a preocupação de manter as tradições”, garantiu Jair Oliveira de Faria Junior, o Mestre Sabiá, curador do Red Bull Paranauê.

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(Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)
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