Elza fez show com o ícone do jazz Louis Armstrong

entretenimento
20.01.2022, 18:21:00
Elza Soares e o instrumentista americano Louis Armstrong (reprodução)

Elza fez show com o ícone do jazz Louis Armstrong

Cantora conheceu o ícone americano na Copa do Mundo do Chile, em 1962

Elza Soares contava que começou a fazer o scat (técnica vocal gutural criada por Louis Armstrong e popularizada por Ella Fitzgerald) sem saber:  "Eu botava uma lata de água na cabeça e gemia. Eu pensei, esse barulho vai dar um som maravilhoso".

"Eu achava que ele [Louis Armstrong] me imitava. Eu não conhecia ele", disse a cantora sobre o encontro que teve com o cantor e trompetista de jazz na década de 60. "Eu substitui Ella Fitzgeral na Itália. Ela tinha um show em que cantava Tom Jobim e eu morava por lá com o Mané Garrincha. Foi o Naná Vasconcelos que disse que eu poderia substituí-la", revelou Elza ao jornalista Pedro Bial em entrevista no seu programa na Globo.

O encontro dos dois aconteceu por acaso. Em 1962, Elza Soares era madrinha da seleção brasileira na Copa do Chile e, como Armstrong estava lá, eles cantaram juntos. Em entrevista ao Memória Roda Vida, ela relata seu encontro com o jazzista. O mais popular músico americano do jazz e um dos melhores trompetistas do gênero ficou impressionado com a voz de Elza Soares. Reza a lenda que Elza só não foi para os Estados Unidos com Armstrong porque ficou ela mais impressionada por um gênio de pernas tortas chamado Garrincha.

“Pois é… Foi terrível. Eu cometi muita gafe. Eu acho isso maravilhoso. Eu estava no Chile, que eu fui como madrinha de seleção de 1962, que eu não sabia o que era ser madrinha da seleção. Fui levada por um grande empresário, que era o Edmundo Klinger, na época. E eu, cantando no Chile, estava cantando Rei do Mundo e escuto um trompete fazendo aquelas variações, e as pessoas, os músicos estavam todos nervosos e diziam: “Olha para trás, olha para trás”. Eu olhei e vi  Monsueto, parecia um Monsueto. E aquele negão, se parece mesmo.  Lindo, né, aquele lenço. Eu falei: “Tá bom, aqui é a Elza Soares”.

Neste depoimento ela faz piada com sua própria ignorância em inglês:

"Quando eu terminei de cantar, ele pediu que me levasse ao camarim. E me levaram ao camarim dele, aquela coisa toda. E veio aquele negão. E ele dizia: “Yeeaaah!” Eu olhava… Que coisa é esta? Não entendia nada de inglês. E o negão lá: “Yeaaah!!! I’m doctor!” O que é isso? Ainda me traz aqui e me chama de doutora, pô! E ele: “Yeah, doctor”. Eu falei: “Por que está me chamando de doutora, cara? Você não viu que eu me chamo, Elza”?  E eu acho que o cara pensou que eu estivesse brincando. Ele disse: “Você não sabe o que quer dizer doctor”?  Falei: “Doctor, eu sei, é doutora”. E ele: “Não, daughter in English”, quer dizer filha”. Eu digo: “Não tem nada a ver, doutor!”

E depois, ouviu dos presentes que deveria fazer um carinho no gringo: 

"Agora vai lá e faz um carinho no cara. Eu digo: “Começo por onde?” Parecia um armário, “faz um carinho no cara”! Eu digo: “Começo por onde, meu Deus do céu”! [risos] “Vai lá, faz um carinho nele e chama ele de “my father!”. Eu digo: “Não, aí não, agora pega”. “Como é que eu vou chegar perto do cara e dizer: “my father”? [risos] Ele disse: “Mas você não sabe o que quer dizer isso”? Eu disse: “Lógico que eu sei o que quer dizer father, todo mundo sabe, só não vou chamar o cara para mim, pô”. Ele disse: “Não, vai e diz isso daí que ele vai gostar muito”! Falei: “Olha, que eu vou dizer agora, logo agora”. E cheguei perto dele e disse assim: “My… father!” E ele disse: “Yeeeaaahh!” E eu digo: “Ele gostou da coisa”, agora o que é que eu disse pra ele”? “Você chamou ele  de pai”. E eu disse: “É, tem a ver, father e filha!” Assim que eu conheci o Louis Armstrong. Foi uma paixão, que ele queria que eu fosse embora com ele, mas não tinha como. Já tinha conhecido o Mané..."


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