Em biografia, Jô fala com graça sobre a vida dele e a dos outros

entretenimento
20.01.2018, 06:10:00
Atualizado: 20.01.2018, 07:26:17
Jô Soares (marcio scavone/divulgação)

Em biografia, Jô fala com graça sobre a vida dele e a dos outros

O Livro de Jô fala com humor sobre o Brasil dos anos 1930 a 1960

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Durante as entrevistas que realizava nos dois talkshows que teve - um no SBT, outro na Globo -, Jô Soares impressionava a audiência pela excelente memória que tinha e divertia o público contando casos que havia protagonizado ou testemunhado. O entrevistador contava tantas histórias, que acabou ganhando a fama (às vezes, justa) de vaidoso ou de falar mais que o entrevistado.

Com tantas - e divertidas - lembranças, a todo tempo, Jô era cobrado por amigos para que escrevesse uma autobiografia. E eis que finalmente está pronto O Livro de Jô - Uma Autobiografia Desautorizada (Companhia das Letras). Escrita pelo próprio Jô, a publicação teve a importante participação do jornalista Matinas Suzuki Jr., que funcionou como um entrevistador do humorista, provocando suas lembranças.

“Eu precisava de alguém com quem conversar. Eu tenho que ter alguém junto pra falar porque sou muito oral. Gosto de contar histórias e gosto de vivê-las”, disse Jô em entrevista a Mario Sergio Conti, na Globonews.

E as memórias são tantas, que acabaram rendendo dois livros. Não era para menos, afinal, só de “carteira assinada”, como diz o próprio humorista, ele teve 59 anos. O segundo volume deve sair até dezembro.

Jô viveu por cerca de quatro anos na Suíça. Quanto terminou os estudos, foi admitido em Cambridge e Oxford, mas não pôde ir para a universidade pois seu pai estava falido. Acima,  na banheira, no colégio suíço.
(Foto: Acervo Pessoal)

Este primeiro cuida dos primeiros 30 anos de vida de Jô, que completou 80 anos no último dia 16. E, como o biografado passou por teatro, cinema, TV e rádio, o livro é um deleite para quem se interessa pela história das telecomunicações e da arte no país.

Rio de Janeiro
Estão no Livro de Jô casos muito saborosos sobre o Rio de Janeiro dos anos 30 a 50. Filho de um corretor de valores, o futuro comediante circulava em um meio repleto de badalações. Algumas das melhores passagens da publicação são sobre um grupo de playboys amigos dele que se aventurava nas noites cariocas.

Seguindo a cronologia, Jô começa lembrando de sua infância, quando vivia com os pais num anexo do luxuoso hotel Copacabana Palace.

Sobre aquele período, há ótimos casos a respeito a mãe dele, Mercedes, mulher muito bem humorada e bastante avançada para os padrões da época. Jô diz que por um problema de saúde, ela foi obrigada a ter um dedo amputado. Sempre otimista, chegou em casa brincando: “Amanhã, vou pedir 10% de desconto à manicure”.

As lembranças da juventude, período em que Jô estudou na Suíça, também rendem ótimos momentos, como o dia em que assistiu à final da Copa de 1954, no estádio daquele país. Há ainda a primeira namorada, a bela e milionária Angela Munemann, por quem ele rivalizou com um nobre russo. 

Em seguida, vem a derrocada financeira da família, o que obrigou a voltar ao Brasil. Detalhe: Jô havia acabado de ser admitido pelas  prestigiadíssimas universidades Cambridge  e Oxford, mas não pôde ficar na Europa porque seu pai já estava falido.

No início da carreira, Jô passou pelas TVs Tupi e Continental. Seu trabalho como comediante começou a ganhar projeção na Record, onde ficou entre 1961 e 1970 e fez A Família Trapo. Na foto, com Chico Buarque, na Record.

(Foto: Acervo Pessoal)

No retorno ao Brasil, as condições econômicas eram completamente adversas àquelas que Jô havia vivido na infância. Em vez de ser vizinho do Copacabana, alugou um quartinho numa pensão. Jô diz que lidou bem com a situação, graças ao que aprendeu com os pais. “Meu pai dizia: o dinheiro pra comida de amanhã, já tenho. A de depois de amanhã, eu providencio amanhã”, lembra.

O livro corre em tom de conversa, numa informalidade que só enriquece a experiência da leitura. E, se como romancista, Jô, às vezes, escorregava num humor tão “sofisticado” que ficava meio sem graça, em sua autobiografia ele se sai bem melhor. E que venha o volume dois.

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