Em qualquer parte do mundo onde tem festa com axé music tem baiano

entretenimento
15.05.2021, 05:08:00
Produtores e foliões baianos de Salvador para New York em 2014 (Acervo pessoal)

Em qualquer parte do mundo onde tem festa com axé music tem baiano

Festeiros por natureza os baianos não medem esforços quando querem ver um show carnavalesco em grandes festas no exterior; leia o Baú do Marrom

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Desde que comecei a fazer coberturas de shows internacionais o que mais me chamou a atenção é que, nos lugares mais remotos e inusitados, sempre encontro com baianos fazendo a festa. Alguns moram no país onde está sendo realizado o evento. Outros viajam apenas para curtir. Principalmente se for artista de axé. É como se eles não brincassem o Carnaval ou as micaretas em solo brasileiro.

Desde minha primeira viagem para a Europa, em 1995, onde fui cobrir shows da Banda Mel e Timbalada, em Paris (França), lá estavam os baianos saudosos, geralmente com a bandeira do Brasil ou a camisa do seu time preferido. Sem querer ser parcial, sendo torcedor do Esporte Clube Bahia só encontrei torcedor tricolor e tenho registro, antes que os rivais torcedores do Esporte Clube Vitória digam que é armação.

Dai por diante, não tem show que eu compareça que não encontre os baianos na maior animação. A começar pela Noite da Bahia que foi realizada durante 20 anos no famoso Festival de Montreux na chamada Suíça francesa. Era o auge da axé music. Para ter-se uma ideia, o Festival de Jazz de Montreux  que existe até hoje, expandiu sua programação para outros ritmos como o rock e a MPB. E a música baiana tinha direito a uma noite especial por onde passaram Ara Ketu, Asa de Águia, Timbalada, É O Tchan, Margareth Menezes, Cheiro de Amor, Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Armandinho, Terra Samba, Carlinhos Brown entre outros.

Infelizmente a Noite foi encerrada porque começou a ter muita briga entre as chamadas “moças de vida fácil” que compareciam aos shows não apenas para se divertir mais para outras “cositas” se é que você me entende. A ponto de os organizadores terem que suspender a sua realização, apesar do sucesso absoluto de vendas. Das cerca de 20 noites do evento, era a primeira que esgotava os ingressos. Em paralelo aos shows no belo Salão Stravinski com capacidade para cinco mil pessoas, tinha um outro evento num barco que percorria o Lago Léman. Ai era onde a baianada fazia a fuzarca.

Baianos torcedores do Esporte Clube Bahia durante o CarnAustália em 2018 (Acervo pessoal)

Nas edições do Rock in Rio Lisboa, desde o primeiro que teve Daniel Mercury e Ivete Sangalo a cena se repetia. Baianos de toda a parte da Europa marcavam presença. E claro alguns que conciliavam as férias com a data do festival para ir dançar além mar. Nas dições seguintes de Ivete no Rock in Rio Lisboa, Madri e Las Vegas lá estavam os foliões. Muitos eu já conhecia de sempre encontrá-los.

Com Ivete fiz outras coberturas tanto em Milão, Montevidéu, Londres e New York onde ela se apresentou em duas edições do Brazilian Day e gravou um DVD no Madison Square Garden. Foi nessa gravação que parecia Carnaval em Salvador. Uma legião de baianos rumou para a cidade que nunca dorme com o objetivo de assistir a esse momento histórico. Na véspera da gravação quando aconteceu a entrega das camisas que davam acesso ao local do show, foi amado uma balcão com direito a fazer a costumização como acontece em Salvador. Uma festa. As mulheres caprichando no modelito. Os homens mais contidos.

Tá pensando que eles só seguem Ivete? Ledo engano. Com Claudia Leitte em Santiago no Chile, em Boston, Newark, Miami e New York. Margareth Menezes, Carlinhos Brown e Daniela Mercury na Lavage de La Madeleine em Paris. Armandinho, Gilberto Gil na Jam Session de Montreux, outro evento com direito a Lavagem no Lago Léman. E até na longínqua Austrália com o Jammil e Uma Noite liderada por Levi Lima e Compadre Washington representando o E O Tchan. Para minha surpresa apareceram tantos baianos que cheguei a imaginar que a Austrália era a Bahia.

Os baianos chamam a atenção e conquistam os moradores desses lugares onde chegam pela sua contagiante alegria, simpatia e muito suingue. Sem falar no alarido que costumam causar e sempre fazendo questão de mostrar sua brasilidade nas roupas e nos adereços. E até improvisando uma roda de capoeira com o berimbau. Esses baianos não são brinquedo não.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas