Empresas juniores: Quando aprender vale mais que o salário

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24.04.2017, 08:09:00

Empresas juniores: Quando aprender vale mais que o salário

Empresas juniores não pagam bolsas, mas valorizam o 'passe' de estudantes universitários

Sair da universidade apenas com a bagagem teórica não é um problema para quem participa de empresas juniores (EJs). Não à toa, o movimento que busca aliar a teoria com a prática atrai mais de 15 mil jovens em todo o país, espalhados por 444 empresas. No estado são 34 filiadas à Federação das Empresas Juniores da Bahia (Unirj-BA) na capital e cidades do interior como Feira de Santana e Juazeiro.

Por ser uma associação sem fins lucrativos, as EJs não oferecem remuneração, mas a possibilidade dos jovens gerenciarem desde o marketing até questões financeiras faz com que a experiência seja atraente. Segundo Alanna Marzola, 20 anos, presidente da UNIJr-BA, “o objetivo dessas empresas é a transformação tanto pessoal quanto profissional, e apesar de não deixar o membro com mais dinheiro, deixa ele mais caro para o mercado”, diz.

A estudante Fabine Fernandes, 22, escolheu a Projecta - empresa júnior de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia (Ufba), pelo seu caráter de cunho social, característica comum às EJs. “Fazer parte da Projecta foi algo que eu quis desde o momento em que soube o público-alvo da nossa empresa: pessoas que não podem pagar um arquiteto formado”.

Com cinco meses de empresa, Fabine Fernandes já fez de tudo um pouco: orçamentos para projetos, elaborou contratos, participou de planejamento estratégico e lidou diretamente com os clientes.

Seleção

Apesar de estar em um ambiente universitário, as EJs levam com seriedade a seleção de novos membros. Segundo Andrei Golfredo, presidente da Brasil Júnior, “os processos seletivos são semelhantes aos das empresas seniores, já que as juniores têm as mesmas responsabilidades”. 

Por outro lado, a diferença está nos critérios, já que a experiência profissional não é levada em consideração e o ambiente estimula o aprendizado com troca de conhecimento e investimentos. “A partir do dinheiro que recebemos das empresas que nos contratam, capacitamos a nossa equipe e adquirimos recursos físicos para auxiliar na produtividade”, explica Alanna, da UNIJr-BA.

O que fazer para ser selecionado para um a empresa júnior

Espírito empreendedor Jovens que entendem a importância de se fazer um projeto e de como isso vai impactar na vida de alguém se destacam na seleção. Ter o desejo de ser ético, competitivo, educador e colaborador são pontos positivos.

Currículo  O principal nessa etapa é inovar no documento e colocar as experiências que acredita serem válidas dentro do seu contexto de vida, não só as profissionais.

Entrevista  Sinceridade, inconformismo e proatividade para mudar as coisas são características que caem bem na hora da entrevista. Além disso, demonstrar as razões pelas quais deseja entrar na EJ e as expectativas ajuda na aprovação.

Vestimenta  Observe como a galera da EJ vai vestida para a universidade. Se você conhece pessoas que sempre vão de social, é um indício de que a empresa cobra roupas mais formais. É preciso mostrar seriedade na hora da seleção.

Linguagem corporal e verbal  É importante ser consistente com a linguagem que se está utilizando. A equipe pode perceber as incompatibilidades entre o que é dito e a linguagem corporal, por exemplo, e isso não cai bem.

Fabine Fernandes é membro da empresa júnior Projecta (Foto: CORREIO/Arisson Marinho)


Relato de Fabine Fernandes, estudante de arquitetura da UFBA faz parte da Projecta, empresa júnior 

"Fazer parte da Projecta foi algo que eu quis desde o momento em que soube o público alvo da nossa empresa: pessoas que não podem pagar um arquiteto formado. Através de serviços de cadastro, projeto arquitetônico e proposta de layout, disseminamos uma arquitetura transformadora. 

O aprendizado é muito intenso dentro de uma empresa júnior. Já como trainee eu aprendi um pouco sobre cada área da Projecta: Projetos, Recursos Humanos, Comunicação, Presidência e Administrativo e Financeiro. Tudo é feito por estudantes. Meu coração de nerd quase explodia de animação a cada reunião semanal naqueles dois meses, com tanta coisa nova para aprender. Além disso, tive também que lidar com meus bloqueios pessoais, porque eu não podia crescer tudo o que gostaria com timidez e insegurança. Ser trainee me fez superar essas duas coisas. 

Estou buscando na Projecta a experiência completa do Movimento Empresa Júnior: gestão, projetos e empreendedorismo. Nesses cinco meses depois que fui efetivada e me tornei membro projetista, já fiz orçamentos, elaborei contratos, cuidei de desligamento, participei de planejamento estratégico, colaborei em dois cadastros e tive a oportunidade de lidar com o que é a maior diferença dos projetos que fazemos na faculdade: o cliente. Atender uma pessoa real, com necessidades, vontades e limitações próprias, que na maioria das vezes não entende nada de arquitetura. Completamente diferente da sala de aula.

Também existe a oportunidade de atuar em instâncias de apoio e representação de empresas juniores. Atualmente sou Assessora de Comunicação da UNIJr-Ba, a Federação de Empresas Juniores da Bahia, e estou aprendendo muito sobre Marketing, Branding e Exposição de Marca com uma equipe de pessoas incríveis de outras empresas juniores.

Ser empresária júnior é ter a oportunidade de crescer e aprender todos os dias. É enfrentar e superar meus medos com a ajuda de pessoas que estão fazendo a mesma coisa. É ser responsável, ética e empreendedora. É elevar minha educação superior a um nível completamente diferente. É me reinventar e impactar a vida de várias pessoas diariamente. Ser empresária júnior é uma oportunidade para mudar o mundo constantemente, um passo de cada vez."

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