Entre altos e baixos: as polêmicas de Maradona fora dos gramados

esportes
25.11.2020, 22:29:00
Atualizado: 26.11.2020, 11:46:57
( Jorge Duran / AFP)

Entre altos e baixos: as polêmicas de Maradona fora dos gramados

Dependente químico e atuante na política, o argentino viveu duros momentos nas últimas décadas

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Para um ser intocável dentro das quatro linhas, os defeitos de  vida pública de Maradona o puxam de volta para a nossa realidade. Não há como não relacionar a vida do ex-jogador com a constante luta na dependência química, principalmente após a sua aposentadoria. Seu primeiro contato com as drogas, no entanto foi bem antes. “A primeira vez que tomei drogas foi em 1982, na Europa, e fiz para me sentir vivo”, afirmou. 

O vício em cocaína e álcool foi marcado por altos e baixos ao longo dos últimos 30 anos. Em 91, a passagem pelo Napoli estava no seu sétimo ano quando foi pego no exame antidoping por uso da droga. A punição foi de 15 meses e Maradona partiu, então, para a Argentina, onde voltou a se envolver com o uso de cocaína e foi preso por porte da droga. Ele pagou uma fiança de US$ 20 mil e foi liberado da cadeia. 

Na Copa do Mundo de 1994, El Pibe volta aos gramados e pronto para mostrar que, mesmo com 33 anos, tinha condições de dar o tricampeonato ao seu país. A atuação nos EUA não durou muito e, na segunda partida da fase grupos, o camisa 10 foi levado para fazer o exame antidoping após o jogo com a Nigéria.

"Na luta contra a droga parece que se luta contra um fantasma", afirmou Diego em 1997

Detectada a presença de efedrina, substância proibida pela Fifa, ele nunca mais voltou a atuar em uma Copa do Mundo. O afastamento dos gramados proporcionou a Maradona as primeiras experiências como técnico, quando teve rápidas passagens pelo modesto Mandiyú e também no Racing. 

Após a aposentadoria, Maradona flertou com a morte pelo uso excessivo de álcool. Em 2000, um outro ataque cardíaco por conta de overdose o deixou internado no Uruguai. Quatro anos depois, os veículos de imprensa se preparavam para o pior, com manchetes que estampavam a crítica situação do ex-jogador pelo abuso de drogas e obesidade resultando em mais uma parada cardiorrespiratória. A época também foi marcada pela visita de Maradona a Cuba, para fazer sua reabilitação em uma clínica no país.

Crise familiar
Entre as internações, Maradona ocupou espaço na mídia por sua conturbada vida familiar. Desde 2003, quando Diego acusou Claudia Villafãne - sua esposa na época - de desviar parte do seu dinheiro, o argentino surgia nos jornais por manter relações extraconjugais. Além de Villafãne, com quem teve suas duas primeiras filhas, Dalma e Giannina, o ex-atleta manteve relações públicas com Rócio Oliva, em 2014, e a acusou de roubar joias e relógios num valor de US$ 400 mil. 

A jovem chegou a ser presa, mas continuou mantendo um relacionamento com Maradona até 2019, quando romperam de uma vez. Uma suposta agressão do jogador a moça foi investigada pela polícia, mas descartada.

Rócio foi só mais um nome de 2010 para cá associado ao ex jogador. Também em 2014, Maradona assumiu a paternidade de Jana, que nasceu em 1996 no envolvimento com Valeria Sabalain, e dois anos depois reconheceu ser pai de Diego Junior. Com 29 anos, ele é filho de Cristina Sinagra, caso que El Pibe manteve em meio ao seu primeiro relacionamento, em 1987. O mais recente dos filhos reconhecidos, o 5°, também leva o nome do craque argentino. Diego Fernando tem 10 anos e é fruto da relação do ex-jogador com Verónica Ojeda.

Diego e Claudia Villafãne com sua filha Dalma (Foto: Arquivo Jornal Clarín)

 Além das mulheres, El Pibe teve problemas com jornalistas. Em 2002, chegou a ser condenado a dois anos e meio de prisão por atirar em repórteres com uma espingarda de ar comprimido, sentença que foi posteriormente convertida em multa. Em 2014, deu um tapa num jornalista que o questionou sobre seu ambiente familiar. 

Posicionamento político

Cuba também é espaço para outra relação que Maradona mantinha fora dos gramados: com a política. Não é preciso falar muita coisa sobre sua preferência, bastava ver a tatuagem que ele tinha no braço com o rosto de Che Guevara.

El Pibe tinha Fidel Castro - também morto num 25 de novembro - como figura importantíssima em sua vida, chegando a ser garoto-propaganda das campanhas políticas do cubano, assim como apoiava o venezuelano Hugo Chávez. Em 2016, na morte de Fidel, Maradona esteve ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff no velório, que se tornou mais uma figura da esquerda próxima a ele. Em 2018, quando Lula foi preso, o El Pibe declarou apoio ao petista e chamou Michel Temer de traidor.

Maradona durante campanha de Nicolás Maduro, sucessor venezuelano de Hugo Chávez (Ariana Cubillos / AP)

 Antes de tudo isso, na década de 90, o argentino tinha uma relação pessoal com o neolibral Carlos Menem, peronista da direita argentina. Só a partir dos anos 2000 que Maradona se aproximou de vez da esquerda do seu país, com a relação de amizade com a família Kirchner, mais especificamente com Cristina Kirchner, ex-presidente argentina e atual vice.

Também teve suas desavenças com Mauricio Macri, político conservador que sucedeu Kirchner em 2016. Mas a briga com político era anterior. De 1995 a 2007, Macri foi presidente do Boca Junior e conviveu com Diego em sua segunda passagem. Após sua aposentadoria, Maradona chegou a declarar que “Macri é um filho de papai” e que “teria vergonha se meu pai me desse a presidência do Boca de presente”, disparou.

"Tampouco morto eu encontrarei a paz. Me utilizam em vida e encontrarão um modo de fazer o mesmo estando morto", em 1996


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