Entrevista: Christian Cravo revela que está organizando criação do Instituto Mário Cravo

Exposição
08.07.2017, 11:31:00
Atualizado: 08.07.2017, 12:41:45

Entrevista: Christian Cravo revela que está organizando criação do Instituto Mário Cravo

Representante da terceira geração da família Cravo, Christian Cravo, 43 anos, está morando novamente em Salvador

Representante da terceira geração  da família Cravo, Christian Cravo, 43 anos, está morando novamente em Salvador para cuidar da implantação do Instituto Mário Cravo Neto, em homenagem a seu pai. O espaço reunirá o acervo de cerca de 94 mil itens, desenvolverá projetos e criará um prêmio de  fotografia. Confira entrevista com o fotógrafo.

O que o motivou a escolher a África como tema da exposição e do livro? 
Já estava há anos trabalhando com a temática humana e já tinha sentido a necessidade de mudanças estéticas do meu trabalho, não sabia ainda o que era, mas tinha esse sentimento latente. Em 2009, meu pai faleceu e isso foi uma decepção carnal muito grande; em 2010, teve o terremoto no Haiti, país onde eu já havia trabalhado havia nove anos. Foi aí que decidi romper com a velha estética do meu trabalho, baseada na cultura humana e ir à África fazer um trabalho mais contemplativo. Busquei um lugar que me permitisse a contemplação e comecei pelas paisagens, no deserto da Namíbia. 

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(Foto: Marina Silva/CORREIO)

Quais as dificuldades encontradas na produção?  
Foram inúmeras. A começar pelas distâncias, que eram muito longas. O mundo tá cada dia mais engessado em termos de burocracia, de papelada, de dificuldades de liberdade intelectual. Na África e em muitos países, esse trabalho envolveu taxas, vistos de trabalho, o custo disso foi muito grande. Superou a distância física.

Como chegou ao resultado final para escolha das imagens do livro e da exposição?
Quando eu começo um trabalho, eu já tenho um sentimento do que quero, na medida que vou lapidando, as imagens começam a se formar na minha cabeça. Claro que, entre o que você quer, o que está procurando e o que vai conseguir, pode ser muito distante, até porque a fotografia é, das artes, uma das poucas que têm de ser presencial. Sempre o fator sorte, estar no lugar certo na hora certa, é uma grande influência no fazer do trabalho. Daí essas insistentes viagens. O trabalho foi se moldando ao longo de sete anos.

Exposição de Christian Cravo mostra registro das paisagens áridas da África

Qual, na sua opinião, é a imagem mais forte e que deu mais trabalho para atingir o resultado que desejava?
Pra mim, a imagem mais forte é gnus cruzando o rio, uma foto muito dramática, uma foto que tem uma mensagem dupla: tanto transmite o drama da natureza como um movimento em massa, que não se consegue parar, isso me dá muita admiração. A que mais demorou foi o perfil do leão, que era uma equação matemática, uma questão de tempo e de situação quase que impossível e que demorei de seis a sete anos pra chegar naquele resultado. Teoricamente muito simples, mas toda a situação seria muito improvável.

Como está sendo a experiência de revisitar o trabalho de Mário Cravo Neto para o instituto?
Tem sido um trabalho muito bom, muito frutífero e recompensador. A gente, apesar de ser filho, pai, mãe e irmão, nós nunca temos um amplo acesso ao que o outro pensa, a não ser quando a gente tem todas as chaves de todos os cofres, e esse é o caso, temos as chaves para abrir os pensamentos mais íntimos de Mário Cravo Neto, os projetos mais embrionários e traçando panorama desde a sua adolescência até pouco antes de falecer. A forma como a gente tá buscando aquele conhecimento embrionário é muito importante para desvendar quem era Mário Cravo Neto como artista, de múltiplas facetas, um artista genial, um dos maiores artistas que o Brasil já teve no século XXI.

Como  funcionará?
Funciona de duas formas básicas. Em Salvador, temos a base administrativa, que é o conselho, a sede é aqui, onde se traçará as decisões do que fazer com a obra dele, em termos de parcerias técnica e cultural. No Rio, temos uma parceria técnica forte com o Instituto Moreira Salles, que envolve a preservação dos originais da obra dele, define as exposições. As parcerias são dadas de forma individual e independente. Estamos descentralizando o instituto para ter uma estrutura mais enxuta, mais econômica, porque a grande dificuldade das instituições no Brasil é como se sustentar.

Seu próximo trabalho envolve sua mulher e suas três filhas. O que podemos esperar?
Mais uma vez envolve a necessidade de uma mudança estética, de experimentar. A África me trouxe pra casa, pra família, a necessidade de estar presente com minha família, de explorar a minha família... é sempre um vaivém, artisticamente falando, a arte é visceral, é um reflexo da sua vida pessoal.


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