Especial Falas da Vida retrata as dores e a delícia de ser velho

entretenimento
30.09.2021, 06:38:00
Atualizado: 30.09.2021, 06:58:09
Chicão, Zezé Motta e Regina (Fotos: João Miguel Júnior/Globo)

Especial Falas da Vida retrata as dores e a delícia de ser velho

Zexé Motta apresenta o programa que será exibido nesta sexta-feira,

A população idosa já soma mais de 29 milhões de pessoas no Brasil e elas continuam na ativa. Tanto que, de acordo com o Sebrae, essa faixa já responde por 20% do consumo no país e, muitas vezes, os velhos são responsáveis pelo sustento da família. Por isso, já passou da hora de a sociedade olhar para essas pessoas com mais atenção e respeito.

O Dia Internacional da Pessoa Idosa é comemorado em 1º de outubro e, para marcar a data, a Globo exibe nesta sexta-feira, logo após Império, o especial Falas da Vida, em homenagem a essa essencial faixa da população. A atração será reprisada no GNT no dia 4 de outubro, à meia-noite, e no Canal Brasil, dia 6, às 20h. O especial segue o formato de outros exibidos e produzidos pela Globo, que também davam voz a minorias, como Falas Femininas, Falas Negras e Falas da Terra, sobre o povo indígena.

O programa desta semana revela a história de cinco idosos anônimos, que se enquadram nas características médias dessa população no Brasil. Os personagens do especial são batalhadores depois dos 60, participam da geração de riqueza na sociedade, moram em vários arranjos familiares e têm renda média em torno de R$ 2.200,00. Mesmo aposentados, trabalham, geram renda e cuidam da família. Muitas vezes, são as pessoas mais importantes da casa, os chefes do lar. 

A apresentação é de Zezé Motta, atriz e cantora de 77 anos.  Para ela, é muito importante o idoso se ver na mídia:

"É representatividade, acima de tudo. A identificação é muito importante. Se ver inserido na sociedade e mostrando que é capaz de produzir, trabalhar...".

Zezé diz que, perto de se tornar octogenária, vive um momento especial e que, em cerca de dois anos, fez mais de 35 campanhas de publicidade, algo que antes nunca tinha acontecido num período curto de tempo. "Isso pode ser considerado até um fenômeno para uma atriz 70+", revela.

Um dos personagens escolhidos para o programa é Chicão, de 89 anos, que vive numa ILPI (Instituição de Longa Permanência Para idoso) em São Paulo. “Sempre quis trabalhar para lutar pela minha sobrevivência. Outros têm família, os filhos os ajudam, eles ajudam os filhos. A mulher trabalha, ajuda também o marido, sempre em conjunto. Como eu não me casei, toquei a minha vida sozinho, procurando lutar por mim mesmo. Não tive ninguém para me ajudar, não”, comenta Chicão, que foi pedreiro, ajudante geral e faxineiro.

Sem esposa nem filhos, Chicão nunca esteve só e fez muitos amigos. No ILPI, continua cercado de amizades. Lá, seu Chicão é conhecido e querido por todos. É muito prestativo e uma de suas atividades preferidas é tirar abacate maduro do pé, além de receber novos hóspedes e fazê-los sentir-se bem ali. 

Com a participação no especial, ele espera que familiares se reaproximem:

“Eu tenho sobrinhas que moram a duas horas de ônibus daqui. Tenho essa esperança, de que ela assista a esse programa na TV Globo e, caso me veja, queira descobrir onde é que fica essa casa dos velhinhos. Só isso que está nos meus pensamentos. Daí para a frente, não tem mais nada”, deseja Chicão.

Aos 74 anos, Joãozinho Carnavalesco tem uma trajetória bem diferente de Chicão. Tem quatro filhos, sendo cada um de uma esposa diferente. Músico, fez parte de grupos populares como o Trio Mocotó e Originais do Samba, o mesmo que revelou o humorista Mussum (1941-1994). Desde 1992, segue em carreira solo. Hoje, vive com a renda de um salário mínimo e pequenos cachês de shows que ficaram mais raros nesses na pandemia. Joãozinho mora com Lúcia, sua companheira há sete anos. 

Joãozinho Carnavalesco, um dos entrevistados do Falas da Vida

“Temos uma amizade muito grande. Fui despejado há alguns anos e foi ela quem me acolheu. Resolvemos um cuidar do outro. Ela tem 67 anos e muita disposição. Eu morava num apartamento na esquina da Ipiranga, em São Paulo, e não tive mais condições de pagar. Então veio uma ordem de despejo. A cada seis meses, o oficial de justiça voltava. Durante quatro anos, eu consegui levar, mas depois não teve mais jeito”, comenta o músico.
Joãozinho é enfático ao falar sobre a falta de respeito com os idosos.

“O idoso, aposentado, sofre discriminação no trabalho; não dão oportunidade, e isso leva muitos à depressão. O aposentado, o idoso, gosta de produzir e muitas vezes é o que sustenta a família. Os atendimentos nos hospitais, a educação, a cultura. Tudo é péssimo para os idosos”, lamenta. 

Além de Joãozinho e Chicão, o programa apresenta a vida de Bebel, de 75 anos; Gracinda, de 72, e Regina, de 65. Bebel mora com um filho, a nora, três netos e um bisneto. Professora desde muito jovem, a maranhense foi a responsável pela alfabetização da região onde mora. Além de professora, tornou-se funcionária pública na área de saúde. Assim, criou seis filhos, 15 netos e 11 bisnetos.

Gracinda é uma ex-bancária, casada, mãe de cinco filhos, que tinha uma vida estabilizada e confortável, até que a separação a levou a uma depressão profunda. Para sustentar-se, começou a fazer faxinas. Hoje, ela desfila, é modelo e foi 3º lugar num concurso de beleza de uma bairro do Rio de Janeiro.

Regina é a "caçula" dos entrevistados. Dos 65 anos de vida, mais de 60 foram totalmente dedicados a cuidar de alguém. Terceira filha de 15, criou todos os irmãos. Casou, teve dois filhos biológicos e uma filha de criação. Quando os filhos ainda eram pequenos, André, seu marido, se tornou alcoólatra e durante toda sua vida Regina cuidou dele. Há mais de sete anos, ela cuida da sogra com Alzheimer. A mineira está animada com a exibição do Falas da vida: "Acredito que perseverança seja uma importante mensagem. Que as histórias sirvam de exemplo para que as pessoas lutem por sua dignidade, para que tenham força e não desistam nunca".

Cinema Especial

O Canal Brasil  aproveita a data e exibe uma programação especial para mostrar como as lentes do cinema nacional retratara as dores, os dilemas e as curiosidades dessa fase da vida.  Desta sexta (1) ao dia 8, sempre às 20h, será exibido um longa que aborda o tema.  Na estreia está o inédito Noites de Alface, que chega ao Canal Brasil apenas três meses depois de estrear nos cinemas.

Dirigido por Zeca Ferreira, o filme traz Marieta Severo e Everaldo Pontes vivendo  um casal que leva uma bucólica cidade no interior, onde todos se conhecem. A rotina dos dois e de seus vizinhos ganha contornos de mistério com o sumiço repentino do carteiro.

Falas da Vida: Sexta-feira (1º), na Globo, após Império. Reprise no GNT no dia 4 de outubro, à meia-noite, e no Canal Brasil, dia 6, às 20h.

Cinema Especial, com filmes sobre a velhice: Canal Brasil, 20h, de sexta-feira até dia 8

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