Espetáculo teatral investiga como HIV e covid-19 têm atingido os corpos gays

entretenimento
10.04.2021, 10:05:00
Corre Coletivo Cênico apresenta o espetáculo Para-Iso a partir deste sábado (10) (divulgação)

Espetáculo teatral investiga como HIV e covid-19 têm atingido os corpos gays

Corre Coletivo Cênico estreia neste sábado (10) espetáculo teatral Para-Iso, apresentado em 8 episódios no Youtube

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Após meses de pesquisas e 24 dias de imersão criativa durante fevereiro e março de 2021, o Corre Coletivo Cênico estreia virtualmente a partir deste sábado (10) o espetáculo Para-Iso, dividido em oito episódios disponíveis no Youtube do grupo.. A peça remonta a trajetória de um homem gay que vem a óbito, a partir da visão de cinco personagens que têm suas vidas atravessadas por ele. 

A montagem propõe uma reflexão sobre o modo como o HIV/Aids e a covid-19 têm atingido os corpos gays, numa tentativa de tecer uma correlação entre as epidemias separadas por 40 anos. Vividas por Anderson Danttas, Igor Nascimento, Luiz Antônio Sena Jr, Marcus Lobo e Rafael Brito, as personagens Leka, Tito, Miguel, Rogério e Paul, respectivamente, se encontram na Casa Para-Iso, durante o velório. Ao passo que enxergam/visitam esse espaço, agora vazio e cheio de mensagens subliminares, transbordam as memórias.  Ao correlacionar as epidemias, o grupo Corre observa os modos como ambas foram e são abordadas. 

A dramaturgia escrita por Luiz Antônio Sena Jr., que também assume a direção, traz ainda o ideal da comunidade imune que acaba por escolher quem deve morrer em virtude da "imunidade", gerando os corpos demunes - que não estão no padrão ideal, ou seja, que não se alinham à cis-hetero-branco-normatividade. Outro recorte da trama é a validação do vírus como espectro social que espelha as hierarquias com seus abismos sociais.

"Nos baseamos nesses marcadores para entender o vírus social que afeta e mata muito mais. É importante mudar o foco do olhar, perceber os preconceitos estabelecidos e como podemos quebrá-los, usando as estratégias desse tempo, mas sempre se inspirando nas narrativas deixadas por aqueles e aquelas que vieram antes de nós", reforça Marcus Lobo, co-diretor do espetáculo.

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