Estado Islâmico reivindica atentado na Champs-Élysées, em Paris

mundo
20.04.2017, 21:57:00
Atualizado: 20.04.2017, 22:26:19

Estado Islâmico reivindica atentado na Champs-Élysées, em Paris

Grupo terrorista matou mais de 230 pessoas em ataques desde janeiro de 2015 em toda a França

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O medo voltou a visitar a França hoje quando um homem trocou tiros com a polícia na avenida mais importante de Paris e um dos cartões postais mais visitados do país, a Champs-Élysées. Faltando apenas dois dias para as eleições presidenciais, os franceses viveram novamente o clima de insegurança que o Estado Islâmico (EI) impôs nos últimos anos.

O ataque aconteceu por volta das 20h50 (15h50 em Brasília) e horas depois foi reivindicado pelo grupo extremista que já matou mais de 230 pessoas nos atentados realizados na França desde janeiro de 2015, quando os irmãos Said e Cherif Kouachi mataram 12 pessoas na sede do semanário satírico Charlie Hebdo.

(Foto: AFP)

Momentos de terror
O ataque a tiros desta quinta-feira (20) ocorreu ao ar livre, em um momento de grande fluxo de pessoas na avenida, situada no centro de Paris. De acordo com as primeiras investigações, um homem dirigindo um automóvel Audi estacionou junto a um furgão da polícia e abriu fogo contra seus ocupantes. Três agentes foram feridos, enquanto seus colegas reagiram ao agressor, que teria tentado fugir a pé antes de ser atingido. 

Antes mesmo de a organização extremista sunita, que domina partes dos territórios do Iraque e da Síria, assumir a autoria do ataque, uma investigação foi aberta pela Seção Antiterrorista do Ministério Público de Paris – um sinal de que autoridades francesas não tinham dúvida de que se tratava de um ato com motivação terrorista.

A polícia isolou a Champs-Élysées e toda a região e iniciou operações que se multiplicavam em busca de supostos cúmplices. Informações sobre disparos levaram um helicóptero a sobrevoar a área utilizando canhões de luzes para buscar possíveis suspeitos, enquanto forças especiais do Grupo de Intervenção da Polícia Militar Nacional (GIGN) ordenaram aos jornalistas e pedestres na área que levantassem as mãos e se abrigassem no interior dos prédios próximos à avenida.

“Eu vi a cena instantes depois do tiroteio, com os policiais tentando se abrigar, enquanto os feridos estavam caídos no chão, já recebendo atendimento, com cobertores de sobrevivência”, contou à reportagem o fotógrafo publicitário Nicolas Ferrand Simonnot, “Tudo foi muito, muito rápido.”

Outra testemunha, falando à emissora BMFTV, indicou que o alvo do agressor seriam os policiais. “Eu ouvi seis tiros, mas pensei que fossem fogos de artifício. Nós olhamos todos para a rua e vimos uma pessoa escondida atrás de um furgão. Ele poderia ter nos atacado, na calçada, e matar mais pessoas, mas seu alvo era a polícia”, disse o jovem. “As pessoas choravam, todo mundo correu para todos os lados”, completou.

As lojas baixaram suas portas, mantendo em seu interior os consumidores e turistas por razões de segurança. Em paralelo, a identidade do assassino foi descoberta e levou a uma operação policial realizada na região de Seine et Marne.

“Nesta noite, às 20h50, um homem armado de um fuzil atirou contra a polícia na altura da loja Marks & Spencer. O terrorista foi neutralizado por tiros de revide da polícia. A identidade é conhecida, foi verificada e as investigações estão em curso, com operações para saber se houve cumplicidade”, informou no início da madrugada o procurador antiterrorismo de Paris, François Molins, que abriu investigação por crimes de homicídio e tentativa de homicídio em associação ao grupo terrorista Estado Islâmico.

Identificação
Segundo o comunicado divulgado pelo EI, um homem apresentado por seu nome de guerra – Abou Youssef al-Belgiki – teria sido o autor do crime. As primeiras investigações mostraram que trata-se de um homem nascido em 1977, com passagens pela polícia e objeto de uma “Ficha S”, uma investigação dos serviços de inteligência por radicalização e proximidade com grupos que pregam a jihad – a “guerra santa”. 

França em alerta
O ataque desta quinta ocorre dois dias depois de uma operação policial prender dois homens em Marselha suspeitos de preparar um atentado visando as eleições. 

Na terça-feira (18), o ministro do Interior Matthias Fekl informou que os dois suspeitos, de 29 e 23 anos, têm “nacionalidade francesa” e foram “radicalizados”. Os dois homens, vigiados pela polícia por radicalização, já haviam sido presos por outros delitos sem relação com o terrorismo, informaram autoridades.

A polícia acrescentou que um dos dois tinha se convertido ao radicalismo islâmico durante um período na prisão. O procurador de Paris, François Molins, afirmou mais tarde que durante as buscas na casa dos suspeitos foram encontradas uma bandeira do grupo Estado Islâmico, material de propaganda jihadista, várias armas e explosivos. Segundo ele, um dos suspeitos estava planejando declarar aliança ao grupo extremista e o outro tinha ligação com uma célula jihadista na Bélgica. Com base nas buscas, foi possível desarticular o ataque.

Últimos atentados deixaram ao menos 230 mortos

Janeiro de 2015 

No dia 07, os irmãos Said e Cherif Kouachi mataram 12 pessoas na sede do jornal satírico francês Charlie Hebdo, em Paris. Nos dias 8  janeiro, Amedy Coulibaly matou um policial, e no dia seguinte fez reféns os clientes e funcionários de um supermercado judaico em Paris, matando quatro deles.

Fevereiro de 2015 

Em Nice, três militares de guarda em frente a um centro da comunidade judaica foram agredidos com faca.

Abril de 2015 

Em 19 de abril, Sid Ahmed Ghlam, estudante argelino de informática, foi detido em Paris por, supostamente, ter matado uma mulher e por preparar um atentado contra uma igreja.

Julho de 2015 

Quatro jovens foram presos como suspeitos de planejar o ataque ao campo militar de Fort Béar e a decapitação gravada de um oficial em nome da guerra santa.

Novembro de 2015  

No dia 13, a casa de shows Bataclan, vários bares e restaurantes de Paris, assim como os arredores do Stade de France foram alvos de atentados. Um total de 130 pessoas morreram, principalmente jovens, e mais de 350 ficaram feridas. 

Julho de 2016 

Mais de 80 pessoas morreram após serem atropeladas por um caminhão em Nice. O público assistia  à queima de fogos em comemoração ao Dia da Bastilha.  O autor do ataque foi morto pela polícia.

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