Estratégia e frota robusta são caminhos para vencer dificuldades logísticas

bahia
27.05.2020, 17:09:31
Bases próprias garantem operação da Larco (Foto: Divulgação)

Estratégia e frota robusta são caminhos para vencer dificuldades logísticas

Movimentação de produtos requer planejamento e estratégia das empresas

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Em condições normais, o Brasil tem um enorme desafio logístico, com um modal de transporte concentrado na atividade rodoviária. Quando se adicionam medidas de contenção para enfrentar uma pandemia à equação fazer chegarem os produtos essenciais, ou enviar cargas chega a ganhar contornos dramáticos. 

Com restrições ao deslocamento da população, muitas vezes mesmo aquelas empresas que fornecem bem e serviços essenciais estão precisando lidar com dificuldades para a aquisição de insumos de produção, ou para distribuir os seus produtos no mercado. O caminho tem sido investir em planejamento e na busca por alternativas. 

“Normalmente, a logística no Brasil já é desafiadora. A Larco vem superando isso antes da pandemia e mesmo agora porque tem uma frota muito grande, em vários estados”, conta Alberto Costa Neto, diretor-executivo da empresa. Segundo ele, o fato de a atividade da empresa ser um serviço essencial facilita as movimentações de produtos. “A gente consegue ter um desempenho e uma acessibilidade maior”. 

Alberto destaca que para otimizar custos, muitas vezes a empresa trabalha com roteiros em que o veículo que vai com produtos para clientes, retorna com insumos para as bases da empresa. “Não se trata apenas de ter poder de entrega, é uma questão de otimizar os custos não rodar com o veículo vazio”, explica. 

A Larco é uma empresa baiana que atua no mercado de combustíveis. A empresa possui bases na Bahia, Pernambuco, Maranhão, Goiais e Minas Gerais. 

Segundo o diretor da Larco, o primeiro impacto causado pelo momento atual foi uma queda na demanda por combustíveis. “Existe uma pandemia e a recomendação para as pessoas é que elas busquem o isolamento. Com isso há menos gente circulando e menos demanda por combustível”, destaca Alberto Costa Neto. Um efeito direto para a empresa é o aumento na competitividade. “As distribuidoras passam a disputar o cliente com mais voracidade para girar o estoque e manter a operação”, destaca. 

Aberto Costa Neto, da Larco (Foto: Divulgação)

“Em abril, houve uma queda de movimento em torno de 40% nos pontos, mas a Larco, graças a algumas ações internas, conseguiu minimizar bastante esses impactos”, lembra Alberto Costa Neto.

Segundo ele, houve queda, assim como em todo o mercado, porém numa proporção menor que a registrada no conjunto da atividade. 

O caminho para suportar as dificuldades do mercado foi uma busca pelos fornecedores para negociar uma repactuação. “Tomamos algumas ações internas para reduzir custos fixos, com reengenharia de processos e de pessoas, para nos readequarmos a este momento”, lembra.  

Matérias-primas
O empresário Sergio Tude, da Planeta Fardas, conta que tem enfrentando o aumento nos preços da matéria-prima para a produção dos aventais de TNT, usados para proteger profissionais de saúde. “Estamos tendo dificuldades para encontrar o cami, que é o tecido usado para fabricar os aventais. As indústrias vendem os produtos para os atravessadores, que estão cobrando preços absurdos”, lamenta. Segundo ele, uma peça que era vendida por R$ 0,60 antes da pandemia, atualmente está custando até R$ 3. 

“A gente está fazendo os produtos para manter nossa fábrica funcionando, mas também para salvar a vida de familiares e amigos. Nessas condições, ou vou ter que parar ou me submeter a esses preços absurdos”, lamenta o empresário. 

As dificuldades também se repetem no setor dos produtos usados para a limpeza. Juan Lorenzo, presidente do Sindicato das Indústrias de Sabões, Detergentes, Produtos de Limpeza em Geral, Aditivos e Velas da Bahia (Sindisabões-Ba) conta que existem dificuldades em alguns roteiros, mas tratam-se de situações contornáveis. “A industria de transportes está funcionando e razoavelmente bem. Em alguns casos, o que demorava três dias, leva sete dias por conta de algumas barreiras, que obrigam cargas a contornarem cidades”, conta. 

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