"Eu represento os leigos", afirma Mano Brown sobre ser apresentador

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18.03.2022, 06:00:00
Mano Brown comanda segunda temporada de podcast (Foto: Pedro Dimitrow/Divulgação)

"Eu represento os leigos", afirma Mano Brown sobre ser apresentador

Rapper busca mais histórias e novos desafios em segunda temporada do Mano A Mano, que terá Emicida, Seu Jorge e Sidarta Ribeiro

Há cerca de um ano, Mano Brown queria levar as dúvidas e questionamentos que Pedro Paulo Soares Pereira tem para o mundo. Aproveitando o prestígio enquanto artista e articulador social, o cantor dos Racionais MC´s buscou uma série de convidados para falar de amor, política, segurança, saúde, futebol, religião, filosofia, entretenimento e tudo que seja de interessante - para ele e para o mundo. Assim nasceu o Mano A Mano, seu podcast, que após 7 meses e 16 episódios retorna para a segunda temporada no Spotify.

Lá atrás, Brown falava sobre o medo que tinha de ser um comunicador. Repete à exaustão que não é jornalista e sim um leigo com acesso a boas fontes. E faz as perguntas que um leigo com acesso a boas fontes fariam. Assim, conduziu conversas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a jornalista Glória Maria, a cantora Karol Conká, o médico Drauzio Varella e os atores Lázaro Ramos e Taís Araújo, entre outros, rendendo momentos icônicos e mobilizando uma multidão para ouvir o que ele tinha a perguntar.

“Eu represento os leigos, falando com profissionais e pessoas entendidas dos assuntos. Eu prefiro me colocar no lugar que eu sou mesmo, o cara que sabe pouco, mas que vai fazer perguntar para aprender”, declarou em encontro virtual com a imprensa, ontem.

Dilma e Pelé

Nesta temporada, que estreia no dia 24 de março, Brown já confirmou os cantores Emicida e Seu Jorge, o neurocientista Sidarta Ribeiro e os jornalistas especialistas em segurança pública Cecília Oliveira e André Caramante. Ele tenta trazer a ex-presidenta Dilma Rousseff e sonha com uma conversa com Pelé - que só não aconteceu ainda, garante, por conta do estado de saúde sensível que o rei enfrenta.

"Se a coisa vai indo bem, a gente consegue inspirar mais gente(...) é sinal de que seu trabalho está sendo bem feito", revelou antes de afirmar que usa da admiração que os convidados têm por ele para alavancar o sucesso do podcast e arrancar boas respostas: "Eu tento usar ao meu favor, criar um clima de amizade mesmo", completou.

O podcast Mano A Mano foi o segundo mais escutado no  Brasil no Spotify, plataforma que hospeda a série de entrevistas com exclusividade. Para evitar ficar pensando demais em sua atuação, Brown confessa: ele não foi uma das milhares de pessoas que deu o play. Passou bem longe disso. “Não posso mentir pra você, eu não ouvi nenhum. Minha passagem é só de ida”, revelou. O podcast tem direção criativa de Spotify Studios e Gana, além de produção de Spotify Studios, Mugshot e Boogie Naipe.

O trabalho de comunicar continua sendo motivo para o cantor se sentir desafiado e sair da própria zona de conforto. Mas é inegável que vem alcançando sucesso. Além de ser o segundo podcast mais ouvido do país, o Mano A Mano também teve o episódio mais ouvido da plataforma, uma das mais populares do Brasil. Foi justamente a conversa com Lula.

“Venho aprendendo, saí da zona de conforto. Entendo que eu possa estar me expondo e mostrando fragilidades se eu não souber... Tem que ter uma certa frieza. Tenho que me resguardar ao que tenho que fazer e não ao ego. Eu administro eu comigo mesmo, de errar, de não fazer uma pergunta interessante, de não tirar uma ideia boa do entrevistado. Se você não faz uma boa pergunta, o problema é você”, disse Brown.

No final das contas, Brown tem duas exigências: compartilhar conhecimento e ser interessante e acessível. “Conhecimento tem que ser compartilhado, a nossa função é sempre compartilhar e não concentrar. Eles [jovens]se espelham em quem tá perto. Entendo que na periferia existe uma inteligência de sobrevivência, você só se apega ao que é útil, não vai se encher de informação inútil. Maior do que nós, é a ideia e a nossa causa”, disse em tom de empolgação.

Rapper, comunicador, escritor e referência. Transitando por todos os lugares, onde pode e não pode, Mano Brown vai fazendo de si a imagem de uma letra dele próprio: mil faces de um homem real.

Cinco episódios marcantes da primeira temporada

1.  Lula - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o convidado de um encontro improvável para alguns, mas inevitável para outros, especialmente após o discurso marcante de Brown sobre o PT, na véspera das eleições de 2018. Memórias, inquietações pessoais e coletivas, dão o tom dessa conversa que olhou pro passado para ressignificar o presente e projetar o futuro. Foi o terceiro episódio do Mano a Mano - e o mais ouvido de todo o Brasil no Spotify, em 2021.

2. Gloria Groove - Para o próprio Brown, foi o episódio mais marcante. Aqui, ele assume que saiu totalmente de sua zona de conforto ao ver uma artista LGBTQIA+ falar de suas vivências e criações no rap, num encontro de gerações que teve como mote uma busca por conexões entre mundos tão próximos quanto distantes.

3. Fernando Holiday - O próprio Brown avaliou que só não foi o episódio onde ele precisou mais sair da zona de conforto porque é um cara ligado à política. Aqui, no entanto, há uma colisão de pontos de vista e visões de mundo. No meio da conversa, Brown revelou que amigos próximos e parte da equipe não queria que Holiday fosse convidado. Mas Brown bateu o pé e rendeu uma conversa que soa até estranha considerando a polarização do país e as dificuldades em aceitar a coexistência de mundos e opiniões diferentes.

4. Karol Conká - No episódio que inaugurou o podcast, Brown conversou com uma Karol Conká ainda abalada depois de uma série de polêmicas em que a cantora se envolveu durante o Big Brother Brasil, registrando a mais rejeição da história do programa após ser uma das vilãs da edição. 

5. Leci Brandão - Um encontro de gerações da música, marcado por inúmeras identificações, seja na vida ou pelo respeito mútuo ao longo dos anos. Embora sejam conhecidos de longa data, foi no podcast que conversaram pela primeira vez de forma profunda sobre vida, carreira, memórias e política. E, juntos, acabam descobrindo coisas interessantes sobre a música e as histórias um do outro.

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