Ex-BBB João Luiz lança livro que mostra geografia presente no dia a dia

entretenimento
24.01.2022, 11:03:00
(divulgação)

Ex-BBB João Luiz lança livro que mostra geografia presente no dia a dia

Em "Como Essa Calopsita Veio Parar no Brasil?", ele se baseia em sua experiência em sala de aula

O mineiro João  Luiz Pedrosa, da cidade de Santos Dumont, foi o 12º eliminado da edição passada do BBB, a número 21. Longe de chegar à final, ele ainda assim conseguiu se destacar na mídia. Hoje, estrela campanhas publicitárias e apresenta dois programas na TV: Entrevista, no Canal Futura, e Trace Trends, no Globoplay.

Formado em Geografia há quatro anos, ele já deu aulas nas redes privada e pública de seu estado. Agora, está lançando seu primeiro livro na área, Como Essa Calopsita Veio Parar no Brasil? (HarperCollins/ R$ 44/ 224 págs.). O título refere-se ao seu animal de estimação e dá uma ideia da leveza com que a geografia é tratada no livro.

"Conto essas coisas a partir de um olhar geográfico, mas também divertido, atraente. Então, não é especificamente para professor ou estudante", garante o autor. A má distribuição de renda, as diferenças vocabulares no Brasil e o negacionismo são alguns dos temas tratados na publicação. "Tento explicar o que é e como funciona o negacionismo. Às vezes, a gente acha que é uma coisa super desorganizada (...). Mas não: tem organizações e a gente precisa perceber essas estruturas que estão se fortalecendo cada vez mais", defende.

Nessa conversa com o CORREIO, via internet, João fala sobre sua experiência em sala de aula, seu primeiro livro e, claro, sua participação no BBB.

Quando decidiu ser professor e como foi sua carreira até aqui?
Quando a gente termina o ensino médio, a gente sempre fica com aquela coisa "o que eu vou fazer da minha vida agora", né? Aí, desenvolvi esse interesse em fazer licenciatura. Sempre quis dar aula, viver a experiência escolar de outra forma. Fiz a licenciatura, me formei no início de 2018 e a partir daí comecei a assumir aulas na rede pública e na rede particular também, trabalhei em diversas instituições. Mas desde 2016 já desenvolvi uma série de trabalhos em escolas. Cheguei a trabalhar em colégio de aplicação em universidades, curso preparatório para vestibular... então, se a gente for somar, aí tem seis anos já.

Como você vê a situação da educação e dos professores hoje no Brasil?
Admiro muito a profissão de professor, tenho uma admiração bem forte. Acredito que a gente tem muito a fazer. A gente às vezes pensa que a educação é uma merda, uma bosta... não acho que seja. Ela tem que se resolver em umas coisas, mas pra isso precisa de política pública. Porque a gente tem muito professor que faz muita coisa por muito pouco. Acho que sou exemplo disso e meus colegas também. A gente acaba fazendo coisas demais, mesmo com pouca infraestrutura. A educação então precisa ser reestruturada.

O seu livro é direcionado a um público específico ou é para qualquer perfil de leitor?
A gente não tem público alvo. É para pessoas que gostam  de aprender e são curiosas. São capítulos individuais, sobre assuntos de temática do nosso cotidiano, que muitas vezes a gente acha que não tem nada ver com geografia, mas que está relacionada a ela. Porque às vezes a gente anda na rua, vê algo e diz "isso não é nada". Mas muitas vezes tem uma explicação, um embasamento dentro de um estudo. E conto essas coisas a partir de um olhar geográfico, mas também divertido, atraente.

Então, não é especificamente para professor ou estudante. Ele serve para alunos e professores, para pessoas que querem ver o mundo a partir de olhar crítico e de entender quais são as mudanças e dinâmicas do mundo.

Entre os assuntos que aborda no livro, está a má distribuição de renda, especialmente no continente africano. Por que essa preocupação?
Tem um capítulo específico sobre África de uma maneira geral. Quando a gente aborda a questão da pobreza, não aborda para generalizar o continente, até porque isso é um dos pontos que tento inclusive não fazer. Precisamos entender o continente africano como um continente que tem suas riquezas, suas características para não gerar generalização. Muita gente quando pensa na África jamais imagina um centro super tecnológico, como tem várias cidades e países que são. Vão sempre pensar em pobreza, safári, selva... Não se imagina uma metrópole com mais de dez milhões de pessoas... então, esses estereótipos que a gente tenta quebrar dentro do capítulo. Há pessoas com PIB per capita equivalente a países. Então, fico pensando: tem multimilionários no mundo que não são taxados de uma maneira justa. Acho que fazer essa comparação é importante pra perceber que tem país inteira com uma fortuna menor que a de uma única pessoa. E essa pessoa ganhou dinheiro como? Fazer comparações é importante e isso facilita entender a geografia. Bill Gates tem mais dinheiro que Moçambique inteiro. A fortuna dele equivale ao PIB de quatro Moçambiques, que tem 27 milhões de habitantes.

O negacionismo também é tema de um dos capítulos. De que forma fala sobre isso?
Tento explicar o que é e como funciona o negacionismo. Às vezes, a gente acha que é uma coisa super desorganizada, que só falam isso da boca pra fora ou é coisa de internet. Mas não: tem organizações e a gente precisa perceber essas estruturas que estão se fortalecendo cada vez mais. Então são estruturas contra a vacina e que pregam que a Terra é plana.

No capítulo, que chama A Terra Não é Plana, eu mostro evidências que explicam por que não é plana. Falo do negacionismo para entender como funciona e por que ele funciona. É importante falar disso porque é uma questão contemporânea, que chega a outras pessoas, que começam a se interessar por isso. Falo do movimento antivacina, anticiência, terraplanistas.

As diferenças vocabulares regionais também são tema de um dos capítulos?
É um capítulo sobre as principais "guerras" linguísticas do Brasil. É um capítulo divertido. Por exemplo, é aipim ou macaxeira. Na Bahia, aipim; em Pernambuco, macaxeira; em Minas, mandioca... São Paulo, é bolacha, mas Rio e Minas é biscoito. E aí, explico por que falamos diferente. Será que há um certo e um errado? Nesse livro, falamos muito sobre cultura e sobre o Brasil ser um país continental e isso faz com que as pessoas falem diferente umas das outras.

A decisão de participar do BBB foi exclusivamente pelo prêmio ou questões como a representatividade o motivaram? Qual a razão da boa audiência do programa, mesmo após 20 anos no ar?
A decisão de participar foi pensando no prêmio mesmo. Sempre fui fã do programa, assistia muito. Não ganhei, mas muita coisa boa veio. Na edição antes de eu entrar, torci muito pela Thelminha e acabei ficando amigo dela, fazemos muitas coisas juntos, ela também mora em São Paulo. O programa mudou de uns anos pra cá e por isso virou sucesso nos últimos três ou quatro anos. É porque as pessoas se identificam com ele.

O BBB costuma dividir as redes sociais: de um lado, aqueles que defendem o programa e o assistem; do outro, aqueles que o atacam e dizem que é entretenimento de baixo nível. Mas o fato é que ele ainda pauta a sociedade, não é?
Com certeza, porque é o programa de maior audiência no Brasil. Sai uma listagem de participantes e todos ficaram parados para acompanhar. As pessoas estavam assistindo O Cravo e a Rosa para, nos intervalos, saberem quem eram os participantes. O BBB é um sucesso porque você vê na casa pessoas com quem se identifica.

Não víamos diversidade nos realities. Mas nas últimas edições, de um tempo pra cá, mudou. Teve PCD (Marinalva), tem uma participante vitiligo, teve mulher trans (Ariadne). É cedo pra dizer quem é meu favorito,  mas gosto de muita gente ali.

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