Ex-técnico de Bahia e Vitória, Vadão morre aos 63 anos

esportes
25.05.2020, 14:37:00
Atualizado: 25.05.2020, 16:22:14

Ex-técnico de Bahia e Vitória, Vadão morre aos 63 anos

Treinador lutava contra um câncer no fígado

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Técnico com passagens por Bahia, Vitória e seleção brasileira feminina, Oswaldo Fumeiro Alvarez, conhecido popularmente por Vadão, faleceu no início da tarde de ontem, em São Paulo, decorrente de complicações relacionadas a um câncer no fígado, o qual acabou evoluindo para outros órgãos.

O treinador foi diagnosticado com a doença em dezembro do ano passado, quando estava fazendo exames de rotina. Desde então, vinha realizando tratamento, mas teve que ser internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo, no último dia 12. No entanto, o quadro de Vadão já era considerado grave e ele acabou não resistindo ao tratamento via quimioterapia e radioterapia.

Oswaldo Alvares, de 63 anos, deixa sua esposa Ana Alvarez e dois filhos, Adriano e Carolina Alvares, que fazia a parte da assessoria de imprensa do pai. O velório e sepultamento acontecerá em Monte Azul Paulista, sua terra natal.

Vadão nasceu no dia 21 de agosto de 1956. Ele começou a sua carreira como jogador de futebol atuando de meia-esquerda nas categorias de base do Guarani e rodou por clubes como Noroeste, Catanduvense e Botafogo de Ribeirão Preto.

Ao mesmo tempo, ele entrou na faculdade, se formou em Educação Física e acabou aceitando o convite para ser preparador físico da Portuguesa. Iniciou a carreira de treinador no Mogi Mirim por convite do histórico presidente Wilson Barros. Lá foi responsável por montar o famoso “Carrossel Caipira” no início dos anos 90.

Este time, na época, usava um esquema tático parecido com a da seleção da Holanda, com troca de posições entre os jogadores, que revolucionou o futebol em 1974 na Copa do Mundo da Alemanha sob a batuta do meia Johan Cruyff. O Mogi Mirim contava ainda com bons jogadores como o trio ofensivo formado por Rivaldo, Leto e Válber, além do zagueiro Capone, que executava bem o papel de líbero.

O técnico ainda comandou Guarani, XV de Piracicaba, Athetico-PR, Corinthians, São Paulo, Ponte Preta, Goiás, Sport, dentre muitos outros. Ele foi campeão do Torneio Rio-São Paulo em 2001 pelo São Paulo com um time jovem e que tinha como destaque o meia Kaká, lançado por ele aos 16 anos.

“Minha eterna gratidão por você ter aberto as portas pra um garoto que ninguém conhecia e poucos acreditavam. Mas você acreditou, me ensinou, me deu oportunidades pra que eu pudesse voar. Hoje o dia é de muita tristeza, mas as lembranças que guardo no meu coração são de muitas alegrias! Descanse em paz meu amigo”, escreveu Kaká. 

Foi vice-campeão brasileiro da Série B em 2009 e vice do Paulista pelo Guarani em 2012. Ele teve cinco passagens pelo clube de Campinas, em um total de 204 jogos. É tratado com idolatria também pela arquirrival Ponte Preta, time no qual dirigiu em quatro oportunidades.

Seu último trabalho foi na seleção brasileira feminina. Deixou o comando em meados do ano passado após o Mundial na França. Em suas duas passagens, Vadão conquistou duas Copas Américas (2014 e 2018), a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2015, dois Torneios Internacionais, além de um quarto lugar nos Jogos Olímpicos do Rio-2016.

Dupla Ba-Vi
A primeira passagem do treinador pelo futebol baiano aconteceu em 2004. Naquele ano, Vadão foi o técnico do Bahia durante toda a temporada. Na Série B, o Esquadrão conseguiu chegar até a última rodada com chances de acesso, mas acabou derrotado pelo Brasiliense, na Fonte Nova, e deu adeus ao sonho de voltar à Série A. 

O comandante voltou à Bahia na temporada 2007, dessa vez para comandar o Vitória. Ele assumiu o rubro-negro durante a disputa da Série B, ocupando o cargo que era de Marco Aurélio, e conseguiu levar o Leão à primeira divisão. Naquele ano, o Leão terminou em quarto lugar, com 59 pontos ganhos. A campanha geral teve 18 vitórias, cinco empates e 15 derrotas, com 68 gols marcados e 50 sofridos. 

Em nota, tanto Bahia quando Vitória lamentaram a morte de Vadão. “O Esquadrão lamenta o falecimento de Oswaldo Alvarez, o Vadão, técnico tricolor durante toda a temporada de 2004. Nossa solidariedade a familiares e amigos”, postou o tricolor nas redes sociais. 

O Leão escreveu. “O Esporte Clube Vitória lamenta o falecimento de Oswaldo Fumeiro Alvarez, o Vadão, vítima de um câncer no fígado aos 63 anos. O ex-treinador rubro-negro, na campanha do acesso em 2007, e da seleção brasileira feminina, deixa esposa e dois filhos”.

Outros atletas que trabalharam com Vadão também se manifestaram. Melhor jogadora do mundo, Marta fez uma homenagem ao ex-treinador da seleção feminina.

“Desconheço qualquer ser humano igual, voce soube viver a vida de maneira digna e honestamente, orgulho demais de ter vivido momentos maravilhosos ao seu lado e ter tido a oportunidade de aprender muito. Obrigada por tudo”, afirmou Marta. 

A centroavante Cristiane também relembrou com carinho do professor. “Você era uma pessoa absurdamente bondosa,de um coração gigante,que tentava abraçar todo mundo. Você adorava esse bonezinho rs,era sua marca! Gostava de papear”.

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