Faça você mesmo e seja criativo sem sair de casa

entretenimento
05.04.2020, 06:45:00
(Foto: Shutterstock)

Faça você mesmo e seja criativo sem sair de casa

Trabalho manual é aliado de quem quer passar o tempo; veja dicas e vídeo tutorial

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.


O origami pode ser feito com qualquer pedaço de jornal ou revista que você não usa mais. A dica é da professora de artes e trabalhos manuais Mineco Hirai Okabe, 82 anos, também conhecida como Miriam. Filha de imigrantes japoneses, a paulista que mora em Salvador há mais de 50 anos aprendeu a técnica de dobradura em papel com 5 anos e garante: o trabalho com as mãos acalma e é aliado de quem quer passar o tempo.

“No origami, por exemplo, você tem que usar o raciocínio, que com a idade a gente vai perdendo. Se você faz sempre, usa aquela habilidade manual, não fica com a cabeça parada”, defende Miriam, que também aprendeu a fazer todo tipo de trabalho em tecido: bordado, crochê, macramê... “Não faço com perfeição, mas tenho o conhecimento”, pondera a artista dedicada cujo foco é mesmo o origami.

Dona de casa, além de professora, Miriam também aplica seu talento com as mãos na jardinagem. “Cuido do quintal todo também. É o hobby que tenho. Faço tudo em casa, não tenho empregada”, conta, orgulhosa. E justifica a extensa “grade curricular” aos 82 anos com bom humor: “É bom, porque dá um estímulo. Uso a mão e a mente para não ficar, como se chama, ‘lelé da cabeça’”.

Para quem tem mais de 60 anos e acha está tarde para começar, Miriam diz que basta “ter boa vontade”. “Todo mundo tem chance, é só querer. Às vezes a pessoa não tem habilidade, porque não está acostumada a usar as mãos, mas vai conseguir. Uma pessoa com idade demora mais de aprender, mas não deixa de aprender. É só pensar: ‘Eu posso fazer e vou fazer’. É assim que faço minhas coisas”, incentiva.

(Foto: Shutterstock)

Coragem
Foi pensando em ter uma ocupação depois de se aposentar que a funcionária pública do IBGE Fernanda Bastos, 63, decidiu aprender a costurar. “Fiz cursos para ter uma terapia, justamente para não ficar em casa ociosa. Tinha o grupo do artesanato, o grupo do corte e costura, e tudo isso vai enchendo nosso tempo para não deixar a cabeça vazia”, justifica.

Almofada, encosto de cama, roupas, bolsas, carteira de mão, artesanato com madeira e gesso fazem parte de seu acervo criativo. “Qualquer pedacinho de pano que a pessoa tenha em casa, pode fazer um fuxico”, exemplifica Fernanda, que há menos de uma semana começou a fazer máscaras em tecido. Bastam 20 cm de tecido e 17 cm de elástico, explica.

Sem sair de casa nas últimas semanas, Fernanda tem reaproveitado tecidos, caixas antigas e outros materiais encontrados ao seu redor. Antes, sua produção ficava presa aos dias do curso, mas agora tomou “coragem de fazer as coisas sozinha”. “O máximo que pode acontecer é ficar ruim e jogar fora (risos). Já estamos reaproveitando, então vamos nessa! Botar a cabeça para funcionar e usar a criatividade para não enjoar”, conta, empolgada.

Terapia
Professora de corte e costura, Sara Moura, 45, destaca que o trabalho manual convida a pessoa a se concentrar no momento, sem peso e com prazer. “É meio meditativo. Você está vivendo o presente, porque está prestando atenção no que está fazendo, mas não fica pensando nos problemas. Te auxilia a não pensar tanto no passado, nem no futuro. Ainda mais agora, que a gente não sabe o que vai acontecer no futuro”, reflete Sara.

Em contato com o crochê desde que se entende por gente, porque a mãe sempre costurou, a dona de casa Olga Kalil, 67 anos, vê no trabalho manual “a melhor terapia que existe”. “Não tem coisa melhor do que você criar com as mãos. Eu gosto muito, minha cabeça fica a mil. Uma hora faço crochê, outra hora bordo, pinto aqueles caderninhos... Não tem coisa melhor”, aprova.

Olga, que só foi pegar em uma agulha há 16 anos, quando perdeu o pai em um acidente de carro e acolheu sua mãe em casa, conta que a produção ficou mais intensa nos últimos dias. Ela e a matriarca Dona Bete, que hoje tem 96 anos, estão passando o tempo da quarentena criando colchas, mandalas e cachecol. “Eu incentivo ela e ela me incentiva”, conta Olga, orgulhosa com o crochê em conjunto.

Paciência
Quem não tem o material em casa, como as agulhas e linhas específicas do crochê, pode optar por aprender uma técnica de tecelagem mais versátil como o macramê. Dá para fazer peças com corda de varal, barbante, galho de árvore e palitinho de churrasco, por exemplo. “É bem simples. O objetivo é que a pessoa não tenha dificuldade”, incentiva a professora de artes têxteis, Jéssica Faust, 28.

Didática, Jéssica tem como lema a frase “Vou te ensinar a fazer tudo que sua vó não teve paciência”. Por isso, oferece cursos online para iniciantes no site www.bisaonline.com.br (o cupom “ficaemcasa” dá 50% de desconto), e tutoriais gratuitos no Instagram (@bisa.vo). O primeiro foi de pluma de macramê, que serve como chaveiro; o segundo foi um chaveiro em espiral; e o terceiro, que será publicado no sábado, provavelmente será de crochê.

“Tenho sempre o cuidado de dizer que o trabalho manual não é uma terapia, mas pode ser um aliado do processo terapêutico”, ressalta Jéssica. “Uma coisa para você se sentir útil, pensar ‘poxa, sei fazer algo’, ‘sou produtivo’, ‘sou auto-suficiente’. E pode ser educativo, sabe? Desenrola os pensamentos da vida”, completa. E para quem diz que não tem talento, Jéssica avisa: “Isso não existe. Insista um pouquinho, vá no seu tempo, sem pressão”.

***

O CORREIO entende a preocupação diante da pandemia do novo coronavírus e que a necessidade de informação profissional nesse momento é vital para ajudar a população. Por isso, desde o dia 16 de março, decidimos abrir o conteúdo das reportagens relacionadas à pandemia também para não assinantes. O CORREIO está fazendo um serviço de excelência para te manter a par de todos os últimos acontecimentos com notícias bem apuradas da Bahia, Brasil e Mundo. Colabore para que isso continue sendo feito da melhor forma possível. Assine o jornal.


Relacionadas
Correio.play
https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/sao-joao-sera-comemorado-com-maratona-de-lives-promovidas-pelo-correio/
Serão seis apresentações de bandas e cantores durante o projeto, que arrecadará doações
Ler Mais
https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/junho-chegou-correio-promove-lives-para-comemorar-o-sao-joao/
Apresentações acontecem sempre às sextas e sábados de junho, às 19h
Ler Mais
https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/editorial-fotografado-a-distancia-une-tres-paises-na-quarentena/
O ensaio foi realizado pela plataforma Zoom, usando celular
Ler Mais
https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/bau-de-marrom-a-bahia-tambem-ensina-ao-mundo-como-cantar-e-dancar-forro/
https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/copo-de-leite-faz-haddad-acusar-bolsonaro-de-brindar-supremacistas-brancos-entenda/
Leite tem sido usado como símbolo por neonazistas nos EUA; petista enxergou provocação após repercussão de mortes de homens negros. Presidente nega
Ler Mais
https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/anastacia-comemora-80-anos-com-muito-forro/
Cantora e compositora lança EP com produção de Zeca Baleiro e parcerias com Mariana Aydar, Chico César e Amelinha
Ler Mais
https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/nizan-guanes-vai-entrevistar-roberto-medina-abilio-diniz-e-washington-olivetto/
As entrevistas são parte do Sunday Night Live que o publicitário tem realizado em sua conta do Instagram
Ler Mais
https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/luiz-caldas-substitui-sanfona-por-guitarra-em-disco-de-forro/
Álbum é o centésimo em projeto do músico que prevê um lançamento temático por mês
Ler Mais