Fernando Musa, presidente da Braskem: ‘A Lava Jato já está no nosso passado’

bahia
18.11.2018, 06:00:00
(Divulgação)

Fernando Musa, presidente da Braskem: ‘A Lava Jato já está no nosso passado’

Há pouco mais de dois anos à frente da Braskem, Fernando Musa reuniu investidores e jornalistas esta semana, em São Paulo, para apresentar o balanço da empresa do terceiro trimestre - o lucro aumentou 68%. No encontro, respondeu a uma série de perguntas sobre a possível fusão com a holandesa LyondellBasell, a operação Lava Jato e os novos negócios da companhia.

Pergunta  - A holandesa LyondellBasell negocia a compra  da Braskem. O que se pode esperar desta integração?  

Fernando Musa - Vou responder  de uma forma conceitual tendo em vista que esta possível transação está sendo conduzida pelo acionista controlador [a Odebrecht]. A participação da gestão da Braskem tem sido - única e exclusivamente - no apoio ao processo  de diligência, ou seja, fornecer as informações. Eu vou dizer  o que eu faria se estivesse comprando a LyondellBasell, e não ao contrário. Eu acho que existem algumas oportunidades importantes de sinergias que vão em linha de continuar algumas ações que a Braskem têm feito  e que têm criado bastante valor. Por exemplo: à medida que a Braskem foi adquirindo as plantas de polipropileno nos Estados Unidos e na Europa  e integrando-as ao seu modelo de gestão, a gente pôde fazer algumas ações que são interessantes. O Brasil é estruturalmente importador de polipropileno e a Europa exportadora. Nós produzimos uma gama ampla de produtos na Europa. À medida que nós  aprendemos  a gerenciar o sistema nós começamos a pegar alguns desses produtos  que são vendidos na Europa, deixamos de produzir por lá, e agora são feitos exclusivamente no Brasil. São produtos de maior valor agregado do que  algumas exportações que fazíamos no Brasil. Com isso  liberamos  espaços nas plantas da Europa para produtos como maior competitividade naquele ativo específico. Ao gerenciar a rede como um todo você cria esse tipo de oportunidade, na otimização de ativos, na otimização dos fluxos de produtos e resinas entre as regiões.

Pergunta  -  Que outros aspectos o senhor destacaria? 

Fernando Musa - A gente tem as sinergias óbvias num caso desse. Por exemplo:  não precisa de dois CEOs. Tem uma simplificação da gestão. Tem algumas oportunidades na gestão de logística e de matérias-primas. Consegue-se gerenciar melhor a utilização de navios e  vagões de trens nos EUA. Por último, tem um conjunto de sinergias que é a combinação das capacitações das duas empresas. Juntar todas as operações cria novas opções. Será que viabiliza  construir uma fábrica nova de polipropileno (PP) na Europa? Hoje, para a Braskem construir uma unidade  nova  não é a  melhor oportunidade. No conjunto, talvez faça sentido.

Pergunta  -   O senhor acredita que este negócio  possa ser concretizado ainda este ano? 

Fernando Musa - Esta pergunta eu não tenho condição de responder porque, como disse anteriormente, eu participo apenas de uma parte do processo. Se eles estiverem trabalhando em paralelo na elaboração dos contratos, são contratos complexos, é possível que aconteça este ano.

Pergunta  -  Esta negociação acontece já há algums meses. Isto  atrapalha o planejamento da Braskem para o próximo ano?

Fernando Musa -  Não. A gente trabalha dentro da Braskem com a premissa de que a transação não vai acontecer. Eu não posso parar o  dia a dia da companhia  em função desta possibilidade. Nós já estamos finalizando o ciclo de orçamento e o  plano de negócios para os próximos cinco anos. A premissa do trabalho é que não vai ter transação e a gente continua operando dentro da nossa estratégia. Nós não tivemos nenhuma decisão da companhia que foi mudada em função desta possível negociação. Não tem motivo para  mudar o curso das ações. Alguns projetos nossos têm parceiros externos. Alguns deles dizem, às vezes, “eu prefiro esperar o fim dessas negociações”. Para minha surpresa são poucos que têm dito isto. A maioria tem dito “vamos em frente porque com ou sem a LyondellBasell o projeto  é  bom, vamos fazer”.

Pergunta  - A operação Armistício, um desdobramento da Lava Jato, realizada na semana passada, citou a Braskem, como participante  de um esquema de pagamentos de propina. Que impacto isto causa na empresa? 

Fernando Musa - Do ponto de vista de reputação e no nosso dia a dia, a  Lava Jato já está no nosso passado, é página virada. Nós arcamos com as consequências, fizemos o acordo global, já estamos pagando as penalidades (uma multa de R$ 3,1 bilhões), estamos no processo de monitoria, fizemos uma série de mudanças de governança, muitas por iniciativa própria, outras por recomendação dos monitores. É óbvio que   notícias no jornal causam distrações. Tudo que tem saído é mais do mesmo. Na operação da companhia este é um tema passado. Antes, a gente só falava de Lava Jato, agora é LyondellBasell. No dia a dia a gente fala muito pouco de Lava jato. Saiu na mídia interessa, mas internamente não tem tido grandes consequências.

Pergunta  - O mercado de resinas vem crescendo em torno de 3% a 4% ao ano. A perspectiva é manter este ritmo no próximo ano? 

Fernando Musa - Vai depender muito do que acontece com a economia. As expectativas são positivas e a agente deve continuar com uma boa taxa de crescimento. Mas esta  volatilidade de curto prazo está criando uma certa incerteza com preços e   importações.   

Pergunta  -  O governo eleito já sinalizou que pretende reduzir as tarifas de importações de diversos setores. Como isso pode afetar estruturalmente a empresa? 

Fernando Musa - Este é um assunto bastante complexo. É importante entender  que reduzir ou aumentar tarifas têm consequencias que têm que vir acompanhada de um entendimento dessas  consequencias para que o ecossistema funcione. É importante lembrar que,  no nosso caso, apesar da tarifa de resinas  nominalmente ser de 14%, a tarifa efetiva, na prática, é muito menor, e muito mais próxima das tarifas ao redor do mundo que estão na faixa de 6,5% por conta de conjunto de acordos que o Brasil tem que acaba impactando no nosso setor. A aparência é que  tem uma distorção muito grande, mas na prática não é bem assim. Se essa redução de tarifas for dentro  de uma mudança do ecossistema como um todo pode ter impactos positivos para a Braskem.

Pergunta  - Em termos de novos projetos, o que a Braskem tem feito neste momento?

Fernando Musa - As equipes dos vários negócios da Braskem, nas várias regiões, têm desenvolvido uma série de oportunidades e ideias. Nós temos hoje um portfólio bastante interessante de investimentos com impacto relevante em produtividade. São projetos que criam  aumento de capacidade à medida que as plantas vão ficando mais produtivas. Nós temos uma lista interessante  de projetos para reduzir gargalos, basicamente em todas  as regiões, como exceção nos Estados Unidos, cuja prioridade é a conclusão da planta nova, no Texas. E nós temos alguns projetos de plantas novas em parceria com  outras empresas ou projetos próprios. Mas não tem nada que esteja num estágio de poder comunicar ao mercado. Estamos trabalhando nesses projetos e à medida que eles vão evoluindo vamos discutindo com o conselho.

Pergunta  – Quando a Braskem  pretende  renegociar o contrato de nafta com a Petrobras? Como tem sido o uso do gás etano nas unidades em Camaçari?

Fernando Musa – O contrato de nafta com a Petrobras vai até o fim de 2020. É um contrato de cinco anos, portanto já foi cumprido pouco mais da metade deste contrato. A  negociação para a renovação deste contrato é algo que, na nossa cabeça, acontecerá ao longo de 2019, nós não vamos deixar para a última hora, mas hoje não é uma prioridade para nós. Com relação a Camaçari, a lógica do investimento para o uso também do gás etano  é criar flexibilidade. Até agora temos usado 13% do etano  porque isso tem criado competitividade para o site. A medida que o tempo vai passando isso pode mudar. O conceito é criar um balanço melhor entre a nafta e outras matérias-primas e flexibilidade. Pode ser 13% mas podemos rodar três, quatro, cinco meses com zero de etano. O sistema foi construído para ter essa flexibilidade. A visão de médio e longo prazo da companhia é buscar um equilíbrio no conjunto de suas operações globais:  metade mais ou menos nafta, metade mais ou menos  gás e outras matérias-primas. Dentro do ciclo da indústria, a nafta vai seguir sempre como uma matéria-prima competitiva.

Pergunta  – A planta da Braskem no México  tem operado abaixo de sua capacidade. Qual seria a taxa de utilização ideal? E por que isso tem acontecido?

Fernando Musa – O ideal é 100%. As centrais petroquímicas quando rodam com 92% a 96% de utilização podemos considerar a taxa muito boa. O México pode rodar com 100%, tem capacidade para isso, mas se tivéssemos 92% ou 93% seria muito melhor do que hoje.  A Pemex (estatal de petróleo do México e parceira da Petrobras no projeto) tem algumas plataformas no Golfo do México que alimentam o sistema dele. Tem uma plataforma grande que teve um problema operacional e parou de produzir gás.  Ficou três meses sem produzir. Quando não produz não vem para costa e não dá para separar o etano. O sistema de operação criogênica,  que extrai do gás etano de dentro do gás natural, tem algumas plantas que estão com dificuldade operacional. Este tipo de coisa acontece. O desafio é que isto não se resolve logo,  daí porque a importação no curto prazo é uma alternativa interessante.

Pergunta   – Qual o volume que a Pemex é obrigada a  fornecer para a Braskem?

Fernando Musa – O contrato prevê 66 mil barris dia de etano.  A gente mantém com os nossos fornecedores diálogo diurno com a questão da taxa de operação em função  do que eles estão entregando ou não. Todos. Petrobras, Pemex, os outros 20.  Esta discussão é parte do negócio. A nossa prioridade é discutir com a Pemex que entregue o que está previsto em contrato.   No quarto trimestre a gente continua com volatilidade, tem dia  que eles entregam 100% do contratado, tem dia que  60%, 70%.


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