"Fico vigiando pra ver se o paredão vai descer", diz aposentado que mora em área com risco de deslizamento

salvador
17.05.2015, 09:14:00
Atualizado: 17.05.2015, 09:37:49

"Fico vigiando pra ver se o paredão vai descer", diz aposentado que mora em área com risco de deslizamento

Morador do bairro da Cidade Nova, o aposentado tem medo que aconteça com a casa dele o mesmo que houve com o terreiro de candomblé,
O ajudante Edvan Ferreira tirou todos os móveis da sala com medo de perdê-los durante o  alagamento provocado pela chuva (Foto: Betto Jr.)

Desde que  a chuva começou a cair com força na cidade, o aposentado Diogénes Rezende montou guarda no sofá da sala, com receio de ter a residência levada pela encosta que fica no fundo do quintal. “Tem duas noites que eu não durmo. Só vou dormir 6h, quando a patroa acorda. Fico vigiando pra ver se esse paredão vai descer”, conta. 

Morador do bairro da Cidade Nova, o aposentado tem medo que aconteça com a casa dele o mesmo que houve com o terreiro de candomblé, que fica abaixo do mesmo barranco que vem tirando o sono dele.

O dia que seria de festa no terreiro, pelo aniversário de 17 anos de axé, da ialorixá Sarita de Oyá, por pouco não acabou em tragédia.  “Só deu tempo de salvar meus filhos de santo e os orixás”, lembra a ialorixá, que viu a lama invadir a cozinha, levar sua cadela de estimação e destruir o quarto de Iansã, seu orixá de devoção. “Eu sei que não foi a natureza. Infelizmente, tudo isso é consequência da falta de estrutura pública e de consciência humana, que ainda insiste em jogar lixo nas encostas”.
 
No mesmo bairro, as chuvas também deixaram o ajudante de pedreiro Edvan Ferreira receoso de perder tudo. Até uma mureta de contenção ele construiu na porta de casa, mas não teve jeito: no último mau tempo, a água chegou no meio da parede. “Eu acabei de comprar os móveis e nem paguei ainda. O jeito foi subir tudo - sofá, televisão - porque se deixar aqui na sala, a água leva”, afirma. “Fazemos um sacrifício para ter as coisas”, lamenta.

Vizinha do ajudante de pedreiro, a cabeleireira Leninha Oliveira conta que costuma desentupir o esgoto da rua em época de chuva com as próprias mãos. “As pessoas me chamam de doida. Mas não sou maluca. O que eu não quero ver é a água levar tudo que eu tenho dentro de casa. Quando eu vejo zoada de chuva, eu já vou pulando para o lado de fora para não ver minha casa alagada”.

Sarita de Oyá confere o prejuízo na cozinha  (Foto: Betto Jr.)

De acordo com o último balanço da Defesa Civil de Salvador (Codesal), até as 17h de ontem, foram registradas 186 ocorrências. Houve um alagamento de área, 15 alagamentos de imóvel, 48 ameaças de desabamentos de imóvel, uma ameaça de desabamento de muro, 10 ameaças de deslizamento de terra, oito ameaças de queda de árvore, três árvores caídas, duas avaliações de área, quatro avaliações de imóvel alagado, dois desabamentos de imóvel, três desabamentos de muro, seis desabamentos parciais, 76 deslizamentos de terra, um destelhamento e seis infiltrações. Não há registro de feridos. Entre as ocorrências, está a de uma casa que desabou,  por volta das 4h da manhã, na Rua das Pitangueiras, em Fazenda Grande. Lá morava sozinho o aposentado Juarez Guerreiro, que não teve ferimentos. Um casarão na ladeira do Taboão também ficou em ruínas no dia de ontem, mas sem vítimas.

A Codesal demoliu um prédio rosa de dois andares que estava condenado após o deslizamento de terra no Barro Branco, no final do mês passado. O aposentado Evandro Aguiar era um dos moradores da casa e acompanhou toda a demolição. “Estou mais tranquilo. A gente sabe que vivia no risco”. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o tempo deve permanecer nublado com pancadas de chuva. A temperatura deve variar entre 21°C a 26°C. 


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