Filme de cineasta baiano é indicado pelo Brasil para disputar vaga no Oscar

entretenimento
15.10.2021, 13:34:50
Atualizado: 15.10.2021, 13:43:35
(Divulgação)

Filme de cineasta baiano é indicado pelo Brasil para disputar vaga no Oscar

'Deserto particular' já foi premiado no Festival de Veneza deste ano

"Deserto particular", do diretor baiano Aly Muritiba, é o filme indicado pelo Brasil para disputar uma vaga na categoria de melhor filme internacional no Oscar 2022. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (15), após reunião do Comitê de Seleção da Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais.

O filme conta a história de Daniel (Antonio Saboia), um policial exemplar, mas que comete um erro que coloca em risco sua carreira. Ele sai de Curitiba e vai para o sertão baiano em busca uma mulher com quem se relaciona virtualmente.

O filme já foi premiado no Festival de Veneza deste ano com o prêmio do público, Premio Del Pubblico BNL, na mostra paralela Venice Days.

Ele estará na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, como início no dia 21 de outubro, e estreia nos cinemas do Brasil no dia 25 de novembro.

Filme
O longa é protagonizado por Antonio Saboia (“Bacurau”), que vive Daniel, um policial afastado do trabalho depois de cometer um erro. Ele mora em Curitiba, com um pai doente, de quem cuida com devoção. Taciturno, Daniel fala pouco, e sorri menos ainda. Seu único motivo de alegria é a misteriosa Sara, uma moça que mora no sertão da Bahia, e com quem se corresponde por aplicativo de celular. O desaparecimento súbito de Sara faz com que Daniel resolva cruzar o país em busca de seu amor.

O diretor Aly Muritiba

"Deserto Particular é um filme de encontros. Desde 2016, com o golpe que tirou do poder uma presidenta democraticamente eleita, minha geração enfrenta o momento mais dramático de sua existência. O país afundou numa espiral de ódio que culminou com a eleição de um fascista como presidente e o país se dividiu entre o sul conservador e o norte e nordeste progressista. Essa época de ódio me motivou a fazer uma obra sobre encontros. Nesse momento de ódio, resolvi fazer um filme sobre o amor”, explica o cineasta.

Saboia foi o primeiro escolhido para o filme, e, conforme explica o diretor, lutou muito pelo papel. “Eu não o conhecia, mas ele havia ouvido falar do roteiro e me procurou. Depois de algumas ligações nós enfim nos encontramos e o santo bateu. Olhei pra ele e senti a energia de Daniel. Parei pra ouvi-lo e ela tinha a voz que havia imaginado que Daniel tinha.”

Sobradinho
Para Muritiba, a cidade de Sobradinho, como cenário, serve como uma metáfora para os personagens. “Sempre me interessei por aquela pequena cidade erguida ao redor de uma enorme represa. Sobradinho é uma cidade rodeada de energia elétrica, mas também levantada sob o signo do represamento, do controle do fluxo das águas. Essa energia decorrente desse represamento movem meus personagens, mas também essa vontade de sair se derramando por aí.” E filmar ali “foi um desafio proporcional à magnitude da represa que há na cidade. Havia toda uma energia no set que com toda certeza contagiou o filme.”

Também diretor de documentários, com filmes como A Gente e Pátio, e da recente série Globoplay O Caso Evandro, Muritiba explica que essa experiência foi fundamental para Deserto Particular. “O modo como abordo os espaços e os corpos nos espaços vem do documentário de observação. Aqui, essa experiência foi determinante para o mise-en-scène, mas não só. O compromisso ético com o tema e os objetos (personagens) que tenho quando faço documentários está todo o tempo em pauta nas minhas ficções.” Deserto Particular estreia no Brasil no próximo ano.

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