Fundador do Charlie Brown Jr., Champignon era um dos três melhores baixistas do pop rock brasileiro

entretenimento
10.09.2013, 10:19:00
Atualizado: 10.09.2013, 10:33:55

Fundador do Charlie Brown Jr., Champignon era um dos três melhores baixistas do pop rock brasileiro

O baixista Champignon se matou, na madrugada de ontem, em São Paulo, deixando tristes e perplexos amigos e fãs que o acompanhavam desde a adolescência no rock nacional. Segundo a esposa e pessoas próximas, ele estava deprimido

Doris Miranda
doris.miranda@redebahia.com.br


Parece que a carga ficou pesada demais. E o menino prodígio do rock nacional não aguentou o tranco. No primeiro tombo, perdeu o amigo de infância Chorão, que se foi em março por overdose de álcool e cocaína. Dois meses depois, veio a notícia da morte do guitarrista baiano Peu Sousa, encontrado morto em sua casa. Na madrugada de ontem, Champignon, 35,  ex-baixista do Charlie Brown Jr., desistiu de lutar contra a depressão silenciosa que tomava conta de seu coração e botou um ponto final na vida. Talvez tenha perdido a fé, como supôs ter acontecido com Peu e Chorão. “Se a pessoa vive sem fé, não importa se é em alguma religião ou em outra coisa, não tem como continuar”, disse à época.


Fundador do Charlie Brown Jr. e atual vocalista de A Banca, o baixista Champignon, 35 anos, se matou na madrugada de ontem com um tiro na cabeça, em seu apartamento em São Paulo

O velório de Luiz Carlos Leão Duarte Junior está acontecendo, aberto ao público, desde o início da noite de ontem no Cemitério Memorial Necrópole Ecumênica, em Santos, onde Chorão também foi enterrado. O sepultamento do baixista santista, que tinha uma filha de 7 anos de outro casamento, está previsto para as 15h de hoje.

Degola
Segundo relatos de amigos, ele saiu para jantar com a mulher Cláudia Campos, grávida de cinco meses. Discutiu com ela, mas aparentemente nada sério. Voltou de carona e ao entrar no elevador fez um sinal de degola, com dois dedos próximos ao pescoço, e outro de um V ao contrário (que significa derrota) para a câmera.

Em casa,  se trancou no quarto dos instrumentos no apartamento onde moravam, no bairro paulista do Morumbi. Cláudia achou que o marido ia tocar. Mas o que ouviu a seguir, por volta da 0h30, foram dois estampidos. Um no chão para testar a arma de calibre 380 e outro dado por Champignon na própria cabeça.

Segundo a delegada Milena Suegama, do 89º Distrito Policial, que cuida do caso, a esposa do artista, que foi internada em estado de choque, foi muito clara: “Ela disse que ele não faz uso de drogas nem de medicamentos controlados, que era calmo. As críticas artísticas estavam o deixando incomodado”.

Incomodado, certamente, com a responsabilidade que assumiu ao anunciar que A Banca, grupo formado com os ex-integrantes do CBJR, continuaria o legado construído com Chorão ao longo de duas décadas. Neste tempo, fizeram dez álbuns e seis DVDs e ganharam dois prêmios Grammy. Mas, nesta nova etapa, era o próprio Champignon quem cantava os velhos sucessos do Charlie Brown.

“Tem sido estranha a sensação de subir ao palco sem Chorão. Nunca almejei ser vocalista, mas sempre honrarei a missão que Deus me deu. É uma parada que envolve muita emoção da nossa parte, depois de tudo o que aconteceu, e um dos grandes motivos da gente continuar foi a força que os fãs deram para a gente”, disse o baixista, em entrevista ao CORREIO, em julho, quando A Banca fez show em Salvador.

Traição
A questão é que Champignon não imaginava o risco dessa decisão. Um dia antes de ser encontrado morto, uma imagem colada no mural da sua página no Facebook o atordoou: uma montagem feita em computador aplicava a palavra Judas no peito do músico. O ataque era direto e o efeito, devastador.

“Uma minoria o perturbava, dizendo que ele não havia respeitado a morte do Chorão, que não teria vivido o luto. Isso estava abalando muito o Champ”, revela o cantor Péricles Carpigiani, amigo pessoal de Champignon e ex-integrante da banda Nove Mil Anjos, ao lado de Júnior Lima e Peu Sousa.

Na tarde anterior à morte do artista, Carpigiani conversou longamente pelo telefone com ele: “Para quem construiu seus valores dentro de uma cultura de rua, ser acusado de trairagem era a mais dolorosa e incontornável das ofensas. Falei para não se abalar, mas, às vezes, duas pessoas falando mal causam um estrago maior que mil falando bem”.

Se foi mesmo a rejeição de alguns fãs que levou Champignon a perder a fé não se sabe, permanece um mistério. O produtor musical Rick Bonadio, que trabalhou com o CBJR em alguns discos de sucesso, verbaliza o espanto da  maioria: “Não consigo e acho que ninguém consegue entender as razões. Só Deus sabe os motivos e os caminhos da vida”.

Crítica por Hagamenon Brito
Baixista foi fundamental no som do CBJR
Se é verdade que o contrabaixo tem duas funções importantes a cumprir em quase todos os tipos de música popular, e é, então a ligação vibrante e de qualidade que definiu o ritmo e a harmonia do Charlie Brown Jr. não teria existido sem Champignon (1978-2013). Em seus melhores momentos, quando o estilo skate rock - embebido de hardcore, rap e reggae - transformou o CBJR no grupo de rock nacional de maior sucesso da molecada, Champignon fez o casamento perfeito com as letras e a atitude do carismático  Chorão (1970-2013). Os prêmios conquistados como melhor baixista - e até melhor instrumentista - do rock brasileiro, como os do Multishow (em 2004 e 2007), não foram gratuitos. Champignon, PJ (do Jota Quest) e Dengue (Nacão Zumbi) são os três melhores baixistas do pop rock brazuca dos anos 90. E não dá para ouvir as gravações originais de hits como O Coro Vai Comê! e Proibida pra Mim sem pensar nele.


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