"Glúten não é problema, farinhas xexelentas sim", diz Raiza Costa

bazar
16.12.2017, 13:00:00
Raiza Costa, a Rainha da Cocada, apresentadora do programa de mesmo nome no GNT: amou tanto abará e moqueca baianas, que a cocada ficou pruma próxima (Fotos: Divulgação)

"Glúten não é problema, farinhas xexelentas sim", diz Raiza Costa

A apresentadora do GNT e youtuber com mais de 500 mil seguidores esteve em Salvador para lançar seu livro, Confeitaria Escalafobética e explicou:"o que não faz bem não é o glúten, é um monte de adição química que é colocada nessa farinha de trigo que parece um talco, tipo as de algumas marcas xexelentas"

Acredita que a apresentadora do programa Rainha da Cocada (GNT), Raíza Costa, 30, esteve em Salvador e não comeu uma cocadinha baiana sequer em sua primeira visita a Salvador? “Saí para jantar moqueca de peixe e camarão, comi muito pirão e fiquei cheia. Antes provei um abará, que adorei. Gostei mais até do que de acarajé. Achei muito interessante mesmo! É mais leve e a folha de bananeira dá um sabor levemente frutado”, conta a paulista que vive desde 2008 em Nova Iorque, onde participou do Masterchef Estados Unidos.

Ela, que acumula mais de 700 mil seguidores no Youtube e 234 mil no Instagram, é formada em Artes e começou no mundo da gastronoia como autodidata. Só depois de consolidada nos vídeos é que tomou aulas no The French Culinary Institute, na Broadway. Na última terça-feira, esteve na capital baiana para lançar o livro Confeitaria Escalafobética – Sobremesas explicadas tim-tim por tim-tim (Ed. Senac-SP, R$ 89), e bateu um papo com o editor Victor Villarpando, do Bazar. Confira.

Olha o nível das imagens do livro de Raiza: tudo lindo

Como foi sua passagem por Salvador? O que mais gostou de comer por aqui?

Nunca tinha vindo. Foi corrido, mas de noite consegui sair para comer moqueca, me levaram no Yemanjá. Eu já tinha comido moqueca antes, mas não aqui na Bahia. Foi minha primeira vez, achei bem gostosa. Provei de peixe e de camarão e vieram com pirão. Experimentei também o abará, gostei muito, mais até do que do acarajé. Achei bem levinho, com um sabor meio floral por causa da folha da bananeira.

Não rolou nem uma cocadinha?

Não consegui comer a cocada de sobremesa porque o prato era muito bem servido, acabei comendo demais.

A estética dos vídeos de Raíza inspirou também o livro: escalafobética

O que mais te marcou nessa tour de lançamento do livro?

Em São Paulo foi muito animado, em Curitiba também. Foram surpresas pra mim. Minhas expectativas não tavam tão altas. Em Curitiba chegou a esgotar as senhas. Me disseram que o pessoal lá era frio, mas o povo gritava... Me senti uma rockstar, tipo Bono Vox. Gostei de todos os lugares por onde passei, mas esses foram os mais animados. Lá em Recife teve uma história engraçada. Na noite de autógrafos, veio uma mulher bem bonitona com a filha de uns 12 anos. Elas falaram comigo, tavam emocionadas e tal. Aí a mulher me convidou pra conhecer o hotel dela, o Nannai. Aí eu falei que tava indo pra lá no dia seguinte, que tinha reserva há meses! Ela gritou: “Maria, a Raíza vai ficar no hotel da mamãe!”. Ela contou que já tinha combinado com a filha de ligar pros hotéis da cidade pra saber em qual quarto a gente ia ficar. Aí, do nada, eu tava no hotel dela! Elas ficaram felizes, foram me ver, levaram presentes, foi muito gostoso, muito bacana, foi uma puta coincidência. Uma história que vai ficar.

Qual é o doce que te dá sugar high (termo em inglês para aquela alegria/excitação pós consumo de açúcar)?

O pudim é um dos mais gostosos que existe. É o mais comfort food (comida afetiva) também, com aquele caramelozinho fino. Gosto muito. Se eu tiver que ficar comendo uma só sobremesa, eu ficaria com ele. Mas daqueles bem cremosinhos, sem bolhas. Odeio aquela textura de ovo cozido. Gosto dele bem cremoso mesmo. E sem leite condensado!

O livro Confeitaria Escalafobética – Sobremesas explicadas tim-tim por tim-tim (Ed. Senac-SP, R$ 89)

Qual é a parte do seu trabalho que você mais gosta?

Gosto muito de dirigir os vídeos, é muito legal você ter uma ideia e fazer uma coisa que passe aquela ideia para a pessoa. Muitas vezes a gente tem uma ideia e não é capaz de transmitir para alguém, às vezes por limitações criativas ou outras. A parte mais prazerosa de meu trabalho é colocar uma ideia no papel e depois ver tudo pronto, ver que as pessoas conseguem entender e se educar.

Por exemplo, lancei essa semana um vídeo no meu canal do Youtube pra desmistificar algumas bobagens que as pessoas falam sobre o glúten. Elas nem sabem do que tão falando direito. Tão falando de umas farinhas vagabundas que são vendidas hoje em dia. O que não faz bem não é o glúten, é um monte de adição química que é colocada nessa farinha de trigo que parece um talco, tipo as de algumas marcas xexelentas que a gente encontra no mercado. Farinha boa não é aquilo. Se as pessoas usarem farinha de boa qualidade, elas não vão ter tantos problemas.

E a parte da qual menos gosta?

É tudo muito desgastante, as pessoas não têm ideia do quanto. A gente filma 12 horas por dia, 5 dias por semana, sem trégua. O Rainha da Cocada me leva oito meses de trabalho intenso sem parar, desde roteiro, pré-produção... A parte que eu menos gosto é me sentir exausta, porque, além de tudo, sou apresentadora, tô de frente para a câmera. O que menos gosto é essa exaustão do audiovisual.

O que acha dessa onda de doces fitness?

Nossa, Deus me livre! Penso que é uma democracia, cada um pode fazer o que quiser. Se quiser fazer um doce com baba, pode. Só não dá pra chamar de sobremesa. É que nem pirulito: é um açúcar que você chupa, mas não é bem uma sobremesa.

Você vê diferenças entre os doces do Brasil e dos Estados Unidos?

Nos Estados Unidos a relação com a cozinha é, em geral, muito preguiçosa. Tem gente que mal sabe usar talheres de tanto ter costume de só comer coisa pronta, com as mãos mesmo. Tem também o uso de tudo industrializado. E a gente tem que ter cuidado pra não ir no mesmo caminho.

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