Governador determina expulsão de PMs envolvidos em estupro: "crime bárbaro"

bahia
13.07.2015, 07:56:00

Governador determina expulsão de PMs envolvidos em estupro: "crime bárbaro"

Rui Costa também parabenizou os policiais da 10ª CIPM/Candeias, que fizeram a prisão dos policiais suspeitos

O governador Rui Costa determinou na noite deste domingo (12) que a Polícia Militar da Bahia expulse os soldados que foram flagrados estuprando uma adolescente de 17 anos, grávida de três meses. em São Sebastião do Passé, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). O crime aconteceu no último sábado, quando a dupla abordou a vítima e o companheiro dela, no km 6 da BR-110.

Governador falou pelo Twitter (Foto: Reprodução)


"Determinei a PM, apuração e abertura de processo de expulsão contra os policiais que cometeram um crime bárbaro. Vão ser expulsos seguindo os critérios legais. Tenham certeza que crimes como esse não vão ficar impunes em nosso governo", disse o governador pelo seu perfil o Twitter.

Rui Costa também parabenizou os policiais da 10ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Candeias) que fizeram a prisão dos policiais suspeitos. "Agiram com rapidez e conseguiram deter os criminosos em flagrante", finalizou.

O crime

Antônio: lotado na 17ª CIPM e Ednardo, policial reformado
(Foto: Arisson Marinho)

O companheiro da adolescente havia ido buscar ela no trabalho e, juntos, retornavam para casa pela rodovia de moto. O casal foi parado pelo soldado Antônio Marcos Gomes dos Santos, lotado na 17ª CIPM (Uruguai), e o policial reformado Ednardo Rodrigues de Santana.

A dupla estava armada a bordo de um Chevrolet Corsa sedan branco, placa JRJ-2949. Segundo nota da PM, que confirmou as prisões, a placa do veículo é fria. Os policiais atiraram para intimidar o casal, obrigando-os a parar no acostamento da BR.

Simulando uma ação policial, perguntaram por drogas e revistaram o casal. Os policiais, então, obrigaram a jovem a entrar no carro. Os PMs pegaram a chave da moto do rapaz, que foi abandonado no local. Após a fuga da dupla, o marido da jovem entrou em contato com a Polícia Militar.

Após alguns instantes, passou pelo local uma viatura da 10ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Candeias) comandada pelo sargento PM Cantídio. Os policiais socorreram o rapaz e seguiram em buscas pela região na tentativa de localizar o veículo.

A vítima foi encontrada, ainda de acordo com a corporação, em um local conhecido como Banco de Areia “em companhia dos dois elementos, flagrados forçando a vítima à pratica de atos libidinosos”. Ao serem abordados, os dois  se identificaram como policiais militares, mas acabaram presos em flagrante.

O caso foi registrado na Delegacia de São Sebastião de Passé. Ao ser ouvida pela polícia, a adolescente relatou que está grávida de três meses. Ela relatou ainda que os dois, sempre com armas em punho, a ameaçaram e agrediram.

A dupla foi encaminhada para a Corregedoria da corporação, onde foi ouvida, e depois para o Departamento de Polícia Técnica de Salvador, onde passaram por exame, antes de serem presos no Batalhão de Choque da PM-BA.

O carro da dupla foi apreendido, além de uma máscara tipo brucutu, um revólver calibre 38 e uma pistola. A polícia suspeita que a dupla já vinha praticando outros crimes como assalto e roubo de veículos na região. O delegado plantonista André de Oliveira Alves atuou os dois em flagrante pelos crimes de estupro, sequestro e cárcere privado.

Coordenadora do Serviço de Atenção a Pessoas em Situação de Violência Sexual (Viver), Dayse Dantas afirmou que a adolescente ainda não havia sido atendida porque o local não funciona nos finais de semana há três anos.

Segundo ela, está sendo negociado com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) a disponibilidade de um médico para retomar a oferta do serviço. “O procedimento padrão em casos de estupro é registrar ocorrência policial, fazer a perícia médica e depois procurar o Viver”, disse.

O serviço funciona no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues, na Avenida Centenário. Segundo ela, em crimes desse tipo que ocorrem nos finais de semana, a recomendação é que a vítima seja encaminhada imediatamente para um hospital da rede pública. O CORREIO não conseguiu confirmar com a Secretaria da Segurança Pública que tipo de atendimento foi prestado à vítima. 

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