Hebert Conceição após ouro histórico: 'Quero recepção, mas sem aglomeração'

esportes
07.08.2021, 04:33:00
Atualizado: 07.08.2021, 04:50:07
Hebert Conceição com a medalha de ouro em Tóquio (Wander Roberto/ COB)

Hebert Conceição após ouro histórico: 'Quero recepção, mas sem aglomeração'

Baiano nocauteou ucraniano e fez 'dobradinha' com Isaquias Queiroz em 'noite baiana' na Olimpíada

Os bons ventos calmos levaram o nobre guerreiro Hebert Conceição à glória eterna na madrugada deste sábado (7), em Tóquio. "Eu estava perdendo", reconheceu ele, ainda incrédulo, mas com alma leve, ao analisar a luta que venceu no terceiro e último round com uma canhota certeira tirada da cartola, derrubando o ucraniano Oleksandr Khyzhniak pela categoria peso médio do boxe Olímpico, faturando a medalha de ouro.

"Foi uma surpresa pra muita gente, mas não foi pra mim", disse Hebert comemorando o resultado após o pódio. "Eu sabia que ele seria um adversário muito duro, e muito sujo também, com golpes na nuca, e teve uma hora que também fui [reagindo], e pensei 'agora são três minutos pra mudar a cor da medalha', e é só agradecer mesmo", comentou o soteropolitano, que dedicou a medalha a todos os brasileiros.

"A pandemia nos atingiu, e há muitas pessoas muito tristes, e eu espero ter proporcionado um pouco de felicidade pra vocês", continuou ele ao lembrar de pessoas próximas que morreram por conta do coronavírus e, também, dedicar o título à família, treinadores, à Marinha (onde está desde 2017) e aos torcedores.

"Foi um apoio muito grande durante a pandemia. (...) Bora Bahia minha porreta, tamo junto! E quero recepção no aeroporto, mas sem aglomeração, pelo amor de Deus", complementou o pugilista de 23 anos que reedita o feito de Robson Conceição, ouro na Rio 2016.

A luta
Hebert Conceição vinha perdendo o combate até o terceiro round, com vitória parcial de 20 a 18 para o ucraniano. Mas, no terceiro e último round acertou um golpe espetacular no ucraniano, que foi a nocaute. Com isso a luta foi finalizada e o brasileiro garantiu o ouro na mesma noite em que Isaquias Queiroz, outro baiano, trouxe a terceira medalha baiana dos jogos - Ana Marcela também subiu ao lugar mais alto do pódio na maratona aquática.

Essa é a segunda medalha do Brasil no boxe da Olimpíada de Tóquio. Antes de Hebert, Abner Teixeira já havia subido ao pódio após garantir a medalha de bronze na categoria peso pesado. 

Na madrugada desse domingo o Brasil disputa mais uma final nessa modalidade. A partir de 2h, no horário de Brasília, a também baiana Beatriz Ferreira sobe no ringue em busca de mais um ouro para o país. Ela enfrenta a irlandesa Kellie Harrington, campeã mundial em 2018 na categoria peso leve.

Perfil do campeão
Hebert, de 23 anos, natural de Salvador, repete o feito de Robson Conceição, campeão olímpico na Rio-2016. O boxe brasileiro volta ao ringue da Kokugikan Arena, neste domingo (8), a partir das 2 horas (de Brasília) com a também baiana Bia Ferreira, que vai disputar também a final, na categoria dos leves (até 60 kg), com a irlandesa Kellie Harrington.

Além de Robson, Bia e Hebert Conceição, o boxe brasileiro soma mais cinco medalhas em olimpíadas. Servílio de Oliveira foi bronze no México-1968, depois Esquiva Falcão, Yamaguchi Falcão e Adriana Araújo subiram no pódio em Londres-2012. Robson Conceição foi campeão na Rio-2016 e Bia luta por mais um pódio, enquanto Abner Teixeira ficou com bronze entre os pesados em Tóquio.

Hebert comemorou muito após a luta (Foto: Wander Roberto/COB)

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