Itaú Cultural Play inaugura mostra dedicada a Chico Liberato

entretenimento
24.09.2021, 10:34:00
Boi Aruá, de 1984, foi criado a partir de 25 mil desenhos feitos a mão (reprodução)

Itaú Cultural Play inaugura mostra dedicada a Chico Liberato

Criador do Boi Aruá, primeiro longa de animação do Nordeste, diretor baiano passa a ter quatro de suas principais obras na plataforma

A partir desta sexta (24), a plataforma de streaming do cinema e audiovisual brasileiro Itaú Cultural Play acrescenta mais 10 filmes ao seu catálogo, chegando à marca de 200 títulos nacionais disponíveis gratuitamente. Quatro dessas produções são de autoria de Chico Liberato, cineasta baiano considerado um dos pioneiros do cinema de animação no Brasil. Além do icônico Boi Aruá (1984), primeiro longa-metragem neste formato realizado na região, a mostra dedicada ao diretor traz Ritos de Passagem (2014) e os curtas-metragens Carnaval (1989) e Amarilis (2016).

O Nordeste em animação de Liberato não poderia deixar de marcar presença na mostra em homenagem a este realizador e artista visual, nascido em 1936 em Salvador. Sua obra produzida fora do tradicional eixo Rio-São Paulo retrata preocupações políticas e místicas do país, assim como sua beleza plástica e riqueza humanista. É assim em Boi Aruá, criado a partir de 25 mil desenhos feitos a mão.

Baseada no folclore sertanejo, a história mágica do boi é contada em cores fortes e referências à literatura de cordel.  O enredo se passa no sertão nordestino, onde um fazendeiro trata seus vaqueiros e sua família de maneira cruel e truculenta. Certo dia, o poderoso e popular Boi Aruá, surge da terra seca da caatinga e começa a provocá-lo. Enfurecido, o prepotente fazendeiro tenta capturar por todos os meios o bicho encantado.

No curta-metragem Carnaval, feito essencialmente de imagem e música, a beleza plástica dos desenhos de Liberato e a trilha sonora de tambores carnavalescos são grandes atrativos. Máscaras, fantasias e serpentinas colorem a vida e desfazem a monotonia cinzenta dos arranha-céus. Nesse mundo às avessas, o operário é coroado Rei e encontra o amor de uma Rainha. Infelizmente, porém, todo Carnaval acaba.

A animação Ritos de Passagem foi exibida nos festivais Anima Mundi e de Havana (divulgação) 

Outro importante filme do diretor, Ritos de Passagem foi exibido em diversos festivais brasileiros e internacionais, entre os quais o Anima Mundi e o Festival de Cinema de Havana. A animação é baseada na literatura de cordel, especialmente em dois de seus mais famosos personagens, o Santo e o Guerreiro, símbolos de justiça e de luta popular na cultura nordestina. Enquanto embarcam os vivos na Barca de Caronte, perante o Anjo e o Demo, eles rememoram suas aventuras. O primeiro segue suas andanças com um bando de cangaceiros no sertão sem lei. O outro luta para construir uma vida libertária e farta para todos.

No curta Amarilis, o cineasta segue fiel ao seu projeto de brasilidade. A marcante trilha sonora de piano e flauta, a estética popular de cores fortes da região, a força rústica das imagens e a universalidade da história são um convite do diretor para o encantamento. A história se inicia após um homem e uma mulher trocarem flores entre si. Juntos, atravessam o campo a cavalo, brigam quando estão na cidade, mas finalmente se reencontram para dividir um ciclo amoroso, visto de maneira poética e colorida.

MOSTRA CHICO LIBERATO

Boi Aruá (1984) - Duração: 60 min - Classificação indicativa: livre

Carnaval (1989) - Duração: 9 min - Classificação indicativa: livre

Ritos de passagem (2014) - Duração: 93 min - Classificação indicativa: 10 anos (linguagem imprópria)

Amarilis (2016) - Duração: 10 min - Classificação indicativa: livre


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