O Brasil tem hoje a população mais jovem de sua história, mas dificilmente teremos os progressos que esperamos alcançar na Agenda de Desenvolvimento Sustentável para os próximos anos se não forem feitos os investimentos adequados e criadas as oportunidades necessárias para os jovens brasileiros alcançarem seu potencial.
São 51 milhões na faixa etária de 10 a 24 anos, sendo que os menores de 25 anos representam 40% da população total do Brasil. O bônus demográfico significa mais cidadãos em idade ativa do que crianças e idosos, ou seja, mais pessoas aptas para trabalhar, produzir e aumentar a base fiscal e, proporcionalmente, menos pessoas aposentadas dependendo do Estado.
Em relação à população feminina jovem, o bônus demográfico pode ter um impacto importante. As mulheres poderão dedicar menos tempo às tarefas de reprodução e de cuidado dos filhos, se beneficiando de mais tempo para cuidar de si próprias e para se incorporar à população economicamente ativa (PEA). Para além disso, o aumento da esperança de vida eleva o ciclo de vida produtivo da mulher o que, associado ao aumento das taxas de escolaridade, irá agregar capital humano.
Os dados indicam um cenário promissorm mas não são, em si mesmos, suficientes, já que é responsabilidade de todas e de todos garantir que essas e esses jovens alcancem seu potencial.
Muitos jovens nem estudam nem trabalham, a “geração nem nem” ou “sem sem”, ou seja, sem acesso à educação e sem oportunidades de trabalho. De qualquer modo, dados do IBGE de 2014 indicam que entre jovens de 15 a 29 anos, um em cada cinco não frequenta a escola nem está inserido no mercado de trabalho. Desses, 63% são pretos ou pardos e 63% do sexo feminino. Quantos às jovens mulheres, a mesma fonte indica que entre as que não estudavam nem trabalhavam, 58% tinha pelo menos um filho e 92% se dedicava a tarefas domésticas 30 horas por semana, ao passo que os rapazes da mesma idade se dedicavam a essas tarefas durante uma média de 11,5 horas.
Em dezembro de 1999, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou o 12 de agosto como o Dia Internacional da Juventude. “Rota para 2030” é o tema deste ano que defende a realização de investimentos significativos para a vida dos(as) jovens e adolescentes para que os objetivos da Agenda de Desenvolvimento Sustentável sejam alcançados.
Não podemos ignorar que a juventude é frequentemente representada na mídia como o grupo que causa “problemas”, mas elas e eles devem ser considerados como vozes ativas na busca de soluções para os problemas do mundo atual. Se devidamente educados, capacitados e empregados, a sua participação pode ser a chave para um crescimento econômico e sustentável do Brasil.
* Jaime Nadal Roig é representante do Fundo de População das Nações Unidas Brasil (Unfpa)