João Jorge vibra com o 'olodunico' Hebert Souza: "Olodum segue inspirando"

esportes
01.08.2021, 18:46:00
Atualizado: 01.08.2021, 18:50:46
(Júlio César Guimarães/COB)

João Jorge vibra com o 'olodunico' Hebert Souza: "Olodum segue inspirando"

Presidente do Olodum destaca que boxeador baiano cantou 'Madiba' a poucos dias do aniversário de 30 anos da visita do líder africano Nelson Mandela a Salvador

"Nobre guerreiro negro de alma leve/ nobre guerreiro negro lutador/ que os bons ventos calmos assim te levem aonde você for". Foi com uma canção do Olodum que exalta Nelson Mandela que o baiano Hebert comemorou, neste domingo (1), a classificação para as semifinais da sua categoria no boxe na Olimpíada de Tóquio. A vitória garantiu, pelo menos, uma medalha de bronze para o boxe brasileiro na Olimpíada. Se vencer a próxima luta, o baiano disputa o ouro.


A celebração do baiano causou euforia em todo país, mas especialmente no casarão de número 22 na Rua do Maciel, no Pelourinho, a sede do Olodum. Em conversa com o Correio, o presidente do bloco afro João Jorge Rodrigues vibrou com o 'olodunico' Hebert, sem esquecer o ouro de Rebeca Andrade
 
"Que maravilha! Acordamos felizes com esse domingo com Hebert e Rebeca. Estamos muito contentes, eu, os compositores Bida e Marquinhos Marques, e Lazinho, que deu sua voz a essa canção. Ao longo do tempo todo mundo espera que você perca suas raízes, mas essa celebração de hoje é a prova que o Olodum segue inspirando", comemorou João.

João vê ainda na celebração de Hebert a importância e a força dos blocos afros baianos na vida da população de Salvador, especialmente da periferia. 
João Jorge destaca vitória do baiano e celebração com 'Madiba' a dias do aniversário de 30 anos da visita de Nelson Mandela ao Olodum e das celebrações da Revolta dos Búzios (Foto: Reprodução)

"É um boxeador das ruas de Salvador, é torcedor do Bahia, o time do povo, é olodunico, a ponto de saber uma música que é atual, lançada em 2015. Temos músicas que falam de amor, mas isso mostra que nossas músicas que tratam do sentido fazem sentido para as pessoas, até porque somos uma banda com pretensão social. E mostra a força dos blocos afros de Salvador. São 46 blocos afros, com afoxés, se somadas ainda outras entidades como as indígenas, vamos a cerca de 86 organizações trabalhando essa cultura e o que ocorreu hoje mostra a importância desse trabalho social e de como isso está chegando na periferia", comemora João.

Inspiração Mandela 

João Jorge destaca ainda a coincidência de que Hebert cantou a música, gravada em 2015 pelo grupo, justamente na semana em que se completa 30 anos da visita de Nelson Mandela a Salvador. Hebert que tem 23 anos, sequer era nascido, mas a data marcou para sempre o encontro do maior líder sul-africano na luta contra o apharteid e a entidade baiana que fez dele uma inspiração. Mandela morreu em dezembro de 2013.

"Em acredito nessa força das coincidências. Mandela nos acompanhou desde sempre por mais de 30 anos. Desde os anos 80, quando fomos inspirados pelo Congresso Nacional Africano, organização de Mandela. Ele sempre foi uma inspiração, tanto que passamos a cantar a música do congresso, que era proibida na África do Sul. Quando Mandela foi libertado, foi um dia de Femadum (Festival de Música do Olodum) em 1990 e quando anunciamos no palco, foi uma comoção”, disse.

“Nós, através das culturas dos blocos afros, levamos Mandela para nossa gente. Mandela chegou em São Caetano, na Liberdade, no Pau da Lima. E seguimos levando esses ensinamentos na Escola Olodum hoje em dia. Mandela se tornou o principal negro africano da nossa gente, enquanto referência, e 30 anos depois do Olodum cantar para Madiba na Praça Castro Alves, nosso boxeador cantar essa homenagem nos deixa muito felizes", completou.

Leia mais: Relembre a visita de Mandela a Salvador. Ele discursou contra o racismo na Praça Castro Alves

Em 2021, o mês de agosto, que é de celebração para o Olodum, tanto pela visita de Mandela, quanto pelo aniversário da Revolta dos Búzios, no dia 12, vai ganhar mais um motivo para ser festejado. Seja lá qual for a cor, a legião de 'olodunicos' terá com seu 'nobre guerreiro negro lutado' uma medalha olímpica para chamar de sua. 

Olodunico e tricolor

Além do Olodum, o baiano festejou a vitória sem esquecer o time do coração, o Bahia. "Bora Bahêa! E obrigado a nação tricolor que também esteve na torcida e deu muito apoio no Instagram, estamos juntos", celebrou o baiano que de tão tricolor evita chamar as conquistas de vitória, e dá preferência ao uso de triunfo.

Tricolor, Hebert não perde a oportunidade de exaltar o Bahia (Foto: Acervo Pessoal)

O próximo compromisso do brasileiro é na semifinal contra o russo Gleb Sergejewitsch Bakshi, na quinta-feira, dia 5 de agosto, às 3h18 (horário de Brasília). Aprenda os versos compostos por  Bida e Marquinhos Marques para embalar o baiano na reta final da disputa olímpica.

"Nobre guerreiro negro de alma leve/ nobre guerreiro negro lutador/ que os bons ventos calmos assim te levem aonde você for/ Madiba/Madiba/ Sua luz divinal nunca se apagará/ está acesa em nossos corações/ Não vamos deixar ela se apagar/ Está acesa em nossos corações/ Não basta a gente se manifestar/ (..)/ Nobre guerreiro negro de alma leve/ nobre guerreiro negro lutador/ que os bons ventos calmos assim te levem aonde você for”.

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