Jornalista comenta polêmica e diz que pessoas de bem "foram abandonadas"

brasil
06.02.2014, 21:59:00
Atualizado: 06.02.2014, 22:11:37

Jornalista comenta polêmica e diz que pessoas de bem "foram abandonadas"

A âncora negou a defesa da violência; colega de bancada disse que comentário não é posição do SBT

A jornalista Rachel Sheherazade comentou nesta quinta-feira (6) no "SBT Brasil" as críticas que recebeu depois de um comentário em que diz que o ataque de um grupo a um suspeito de assalto "é até compreensível". O jovem, que é menor de idade, foi agredido e preso, nu, a um poste no Rio de Janeiro.

O comentário polêmico foi feito na terça, quando Sheherazade defendeu um "contra-ataque" aos bandidos, se dizendo a favor dos jovens que detiveram o suspeito de roubo. Com a repercussão do caso, ela e o colega de bancada, Joseval Peixoto, comentaram novamente o assunto.

A âncora negou a defesa da violência. "O que eu defendi foi o direito da população de se defender quando o Estado é omisso, quando a polícia não chega. Isso está na lei. Todo cidadão tem o direito de prender um meliante flagrado em delito", explicou. "As pessoas de bem que foram abandonadas à própria sorte porque não tem polícia, não tem segurança pública e elas estão desesperadas, obviamente". E se defendeu: "Sou do bem".

Peixoto então ressaltou que a posição de Sheherazade não reflete a opinião do SBT, destacando que a âncora fez um comentário, que é pessoal. "Um princípio geral para todos nós é que é absoluta a liberdade de expressão", diz Peixoto. "Não abrimos mão desse direito", acrescenta Sheherazade.

Assista ao comentário que gerou polêmica

Sindicato criticou Sheherazade
O Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro também se manifestou sobre o tema, repudiando as declarações de Sheherazade, salientando que "o desrespeito aos direitos humanos tem sido prática recorrente da jornalista".

"Sheherazade violou os direitos humanos, o Estatuto da Criança e do Adolescente e fez apologia à violência", diz trecho da nota, que pede ainda que a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj" "investigue e identifique as responsabilidades neste e em outros casos de violação dos direitos humanos e do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros". A nota lembra ainda que canais de rádio e TV não são propriedade privada, "mas concessões públicas que não podem funcionar à revelia das leis e da Declaração Universal dos Direitos Humanos". A nota lembra que jornalista não pode usar seu espaço para "incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime".

A repercussão vai levar o SBT a se manifestar sobre o caso nesta quinta-feira, segundo a Folha Online. Tanto a equipe de jornalistas como os dirigentes da emissora não concordam com a âncora e querem que fique claro que a posição dela não reflete a do SBT no tema. Uma das opções discutidas era que Sheherazade lesse no jornal de hoje um editorial dizendo que ela não defende os justiceiros, mas que a população tem direito de se revoltar com a criminalidade. Essa ideia foi desconsiderada, mas a apresentadora deve ser questionada na bancada pelo colega Joseval Peixoto. A emissora quer deixar claro que discorda de Sheherazade.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas