Juliana Ribeiro denuncia 'racismo institucional' de funcionário do TRE

Cantora foi impedida inicialmente de fazer foto para biometria com torço

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  • Da Redação

Publicado em 23 de abril de 2018 às 23:28

- Atualizado há um ano

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A cantora e compositora baiana Juliana Ribeiro denunciou nesta segunda-feira (23) uma situação de discriminação que sofreu no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA) ao fazer seu recadastramento biométrico. A artista estava com um torço e foi inicialmente impedida de fazer a foto necessária para o processo. “Fui fazer o recadastramento biométrico semana passada. Dei bom dia a todos na sala, e o funcionário me vem com essa: - Bom dia. A senhora pode tirar o torço? Pensei comigo ‘de novo esta história de racismo institucional disfarçado de 'lei'?’. Respirei fundo, sorri sarcasticamente é claro, e respondi sorrindo: - Não, não posso”, respondeu.

Ela diz que o funcionário insistiu afirmando que a lei determinava que ela retirasse o adereço. "Que lei meu senhor? Me fale ai pra gente discutir melhor isso ( nessa hora ele me olhou, ficou sem graça e falou:) - É que eu tô SEM A LEI AQUI... - Ah, sei.... Meu senhor, pela designação federal para documentos, o rosto precisa estar a vista, sem cobrir olhos ou testa. Meu torço ainda ajuda neste sentido pois retira meu cabelo da face", continuou a artista.

Juliana conta então que foi reconhecida por duas funcionárias do local que informaram que ela não precisa tirar o torço. "Sim, sei disso, mas parece que seu colega não está informado sobre isso", respondeu ela. "O funcionário não deu mais uma palavra. Fez a minha biometria com a cara emburrada e concluiu meu atendimento. Saí de lá fina, dando tchauzinho para as funcionárias e deixei ele e o racismo dele colocados no devido lugar! Será que não dá para se instruir melhor, ao invés de ficar reproduzindo atitudes preconceituosas? Cansada desses racismos institucionais e cotidianos", finalizou. 

O CORREIO procurou o TRE, mas o órgão não se posicionou sobre o fato.