"Libertei meu pai e tentei libertar minha mãe", disse filho de cineasta Eduardo Coutinho após crimes

brasil
02.02.2014, 22:07:00

"Libertei meu pai e tentei libertar minha mãe", disse filho de cineasta Eduardo Coutinho após crimes

Amigos de Coutinho ouvidos pelo Estado contaram que Daniel tinha comportamento hostil

Maior documentarista em um século de história do cinema brasileiro, Eduardo Coutinho foi assassinado a facadas na manhã deste domingo, em casa, no Rio, aos 80 anos, pelo próprio filho, Daniel, de 41.

Com duas facas de cozinha, ele atacou também a mãe, Maria das Dores, de 62, internada em estado grave com duas facadas no peito e três na barriga, que provocaram uma lesão no fígado.

Daniel, segundo amigos da família, tem problemas mentais, faz uso de remédios controlados e é

Cineasta foi morto pelo filho em surto

dependente de drogas. Depois de esfaquear os pais, com quem vivia num apartamento na Lagoa, ele tentou se suicidar com duas facadas na barriga e está hospitalizado, sob custódia da polícia; seu quadro é estável.

O outro filho do casal, Pedro, promotor de Justiça em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, foi acionado pela mãe, que conseguiu se desvencilhar de Daniel e se trancou num cômodo. De acordo com o delegado Rivaldo Barbosa, diretor da Divisão de Homicídios, que investiga o caso, Daniel, após esfaquear o pai, bateu na porta de vizinhos e disse: “Libertei o meu pai, tentei libertar minha mãe, tentei me libertar, mas não consegui”.

Em seguida, voltou para o apartamento e se trancou. Depois, abriu a porta para a entrada dos bombeiros. O pai já estava morto. “Provavelmente ele estava em surto psicótico”, acredita o delegado.

Amigos de Coutinho ouvidos pelo Estado contaram que Daniel tinha comportamento hostil, mas nenhum soube dizer se ele já havia agredido os pais.

“Coutinho o colocava na equipe, levava para as filmagens, tentava ajudar, mas sempre dava confusão. Ele tem problemas mentais, usava drogas. Coutinho sofria com essa situação”, disse a produtora Vera de Paula.

Produtor de Cabra Marcado para Morrer, obra-prima de Coutinho, o cineasta Zelito Viana, marido de Vera, falou ao telefone com ele semana passada, e nada lhe pareceu anormal. “Estou chocado com a violência. O que sei é que Daniel tomava muito remédio”, revelou.

“Coutinho estava empolgado com o lançamento em DVD da cópia restaurada de Cabra. Ele voltou a filmar no mesmo local e incluiria isso como extra do DVD.” O documentarista fumava muito e teve problemas de saúde por isso.

No entanto, estava recuperado e focado em dois projetos, contou o crítico José Carlos Avellar: o DVD de Cabra e um filme novo, que filmara no Rio e estava montando.

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