Livro e exposição celebram 470 anos da Santa Casa da Bahia

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20.02.2019, 06:00:00
Antônio de Lacerda (1834-1885), criador do Elevador Lacerda, e creche do Asilo dos Expostos na Pupileira, na década de 1930 (Fotos: Acervo Santa Casa/Divulgação)

Livro e exposição celebram 470 anos da Santa Casa da Bahia

Acervo raro está no trabalho assinado por Nelson Cadena que será lançado nesta quarta-feira (20)

Poucas pessoas sabem, mas a Santa Casa de Misericórdia da Bahia é tão antiga quanto Salvador. Lá se vão 470 anos e muitas curiosidades guardadas no acervo que inclui raridades do século XVI. Basta mergulhar nos documentos para descobrir que Antônio de Lacerda (1834-1885), criador do famoso elevador que leva seu nome, doou toda a renda arrecadada no primeiro dia de funcionamento do cartão postal para a Santa Casa que fez história ajudando o próximo.

Outra curiosidade é que o poeta Gregório de Matos (1636-1696), controverso, satírico e por isso conhecido como Boca do Inferno, foi irmão da instituição que, por 200 anos, foi a única do Estado a prestar assistência aos baianos. Essas são só duas das inúmeras histórias registradas no livro Uma História da Santa Casa da Bahia: 1549- 2019 (340 páginas | R$ 100), do jornalista, pesquisador e colunista do CORREIO Nelson Cadena, colombiano radicado no Brasil desde a década de 1970.

Primeira ação comemorativa dos 470 anos da Santa Casa, o livro será lançado nesta quarta-feira (20), em evento para convidados, e vendido a partir de quinta (21) com sessão de autógrafos de Cadena no Museu da Misericórdia. Além da obra, será inaugurada uma exposição com mais de 50 fotos do acervo da Santa Casa, incluindo imagens feitas pelo etnólogo francês Pierre Verger (1902-1996).

“Viagem fascinante no tempo”, nas palavras de Cadena, 65 anos, o livro e a exposição resultam de um ano e meio de pesquisa feita em 1.800 manuscritos e mais de 8 mil documentos oficiais que estão no acervo da instituição. “Toda a história da Santa Casa é empolgante, porque ela sempre mexeu com o lado social e preencheu uma lacuna do poder público que não dava assistência às pessoas”, destaca o autor.

O comércio de vime em espaço locado pela Santa Casa no final do século XIX. Em meados do século XX, no espaço térreo da sede, funcionou a Livraria e Tipografia Vieira (Foto: Acervo Santa Casa/Divulgação)

Fatos inéditos
Frequentador assíduo de arquivos e bibliotecas desde a infância, principalmente quando se mudou ainda pequeno e “não tinha o que fazer”, Cadena se debruçou mais uma vez sobre o acervo da Santa Casa. “Fui encontrando coisas interessantes: a Santa Casa chegou a dar assistência às vítimas de Canudos, por exemplo”, citou o autor, sobre a instituição que ajudou presos, escravos e mendigos, só para citar alguns dos desfavorecidos.

Outro fato registrado no livro é que a Santa Casa deu assistência jurídica e apoio necessário para evitar o enforcamento do líder da Sabinada, revolta do período regencial brasileiro que ocorreu na Bahia, entre 1837 e 1838. “Cadena é muito profundo na pesquisa e é mais baiano que muitos baianos”, vibra o provedor da Santa Casa da Bahia, Roberto Sá Menezes, 70.

O dirigente da instituição conta que convidou Cadena para escrever o livro porque “ele já gostava de ir pesquisar no centro de memória da Santa Casa”. A ideia, agora, era  abordar fatos inéditos que não foram registrado por outros pesquisadores. “Temos mais de 28 livros editados com base na nossa memória, 15 feitos por estrangeiros. Cadena buscou coisas novas”, explica Menezes.

O livro traz, ainda, algumas das personalidades históricas que trabalharam como funcionários da Santa Casa, como Amélia Rodrigues (1861-1926), Juliano Moreira (1872-1933), Ruy Barbosa (1849-1923) e Aristides Maltez (1882-1943). Além disso, conta com a relação completa dos Irmãos da Santa Casa ao longo desses 470 anos, disponíveis em arquivo QR Code.

História da Santa Casa
Livro: Uma História da Santa Casa da Bahia - 1549-2019 (340 páginas | R$ 100)
Exposição: Visitação a partir de amanhã: de terça a sexta-feira, das 8h30 às 17h30; aos sábados, das 9h às 17h; domingos e feriados, das 12h às 17h. Até 31/3
Onde: Museu da Misericórdia (Rua da Misericórdia, 6, Centro Histórico)
Ingresso: R$ 10 | R$ 5

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