Livro e exposição revisitam universo do fotógrafo Aristides Alves

variedades
17.04.2017, 06:15:00

Livro e exposição revisitam universo do fotógrafo Aristides Alves

A exposição, que reúne fotos que marcam os 40 anos de carreira de Aristides Alves, será aberta nesta terça (18), na Paulo Darzé Galeria

O livro O Eixo de Oju reúne  cinco ensaios fotográficos de Aristides Alves 

(Foto:divulgação) 

Um velho conto Yorubá fala de uma ave desprezada por não possuir nenhum encantamento, que encontra na floresta sagrada um velho abandonado e doente. Após sete dias alimentando e cuidando do ancião, esse se revela Obatalá, e, como agradecimento, tinge a ave com Efun, transformando-a no animal mais importante do culto dos Orixás: a Etu, a galinha d’angola. O conto inspira o primeiro ensaio do livro O Eixo de Oju, do fotógrafo Aristides Alves.

O lançamento do livro e a abertura de exposição com fotos de Aristides Alves acontece nesta terça (18), das 19 às 22 horas, na Paulo Darzé Galeria, no  Corredor da Vitória . A mostra permanece aberta ao público, com visitação gratuita,   até dia 13 de maio. Na oportunidade, o livro também estará disponibilizado para a venda, com valor  de R$ 50.

O livro e a mostra marcam os 40 anos de fotografia de Aristides Alves. Além do ensaio Etu, a publicação   conta com quatro outros ensaios, sendo três inéditos, que exploram o universo desse profissional nascido em Minas Gerais e radicado na Bahia. “Fiz uma seleção das imagens que possuíam uma maior identificação pessoal, que existem dentro de um universo atemporal e que falam às minhas identidades mineira e baiana, permeadas de barrocos”, pontua Aristides. 

Aristides Alves comemora 40 anos de fotografia

(Foto: Bruno Ribeiro)

Influências
Embora não se reconheça como uma pessoa religiosa, ele lembra que é impossível não se contagiar por uma religiosidade que está presente no cotidiano de Salvador e que isso se refletiu na escolha das imagens para os projetos.

 “Antes de nascer, minha mãe havia perdido dois filhos e, quando ficou grávida, fez promessa para Santo Antônio por sete anos. Quando cheguei à Bahia, fui a um terreiro de candomblé em Itaparica e lá fiquei sabendo como Ogun é sincretizado com Santo Antônio e achei a coincidência curiosa”, conta, ressaltando que essas impressões foram  servindo para guiar o olhar.

Com o título Outros, o segundo ensaio  mostra as imagens realizadas no período entre 1994 a 2015, nas quais ele descontextualiza elementos e objetos do seu universo cultural, associando-os ao corpo nu, criando uma nova estrutura visual - o corpo que se tem é a consistência da realidade. Este ensaio faz um  passeio pelo universo afro-baiano e universos próximos. “Trabalho, então, com os ícones da grávida com a igreja na cabeça e das pipocas que remetem ao banho de purificação”, esclarece Aristides.

Entre os ensaios inéditos está Tríade, seleção de fotografias realizadas nos últimos 10 anos, entre Belém do Pará e Sul da Bahia, o litoral e o sertão. Cada foto extrapola o contexto do ensaio de origem, ativa uma história e um espaço próprios que vão além do aparente. Cada conjunto propõe um patamar de reflexão. “Busquei usar os planos de forma lúdica, misturando pinturas e realidades, além de trabalhar os planos e as pessoas”, conta Aristides, destacando uma imagem retirada de um posto de gasolina, que está no livro por ser um registro único e especial.

“Fiz a imagem num dia e percebi que poderia buscar um ângulo melhor, quando voltei no dia seguinte o mural havia sido apagado porque o posto fazia parte de uma franquia e precisava manter uma uniformidade de cor. Imortalizei na foto esse trabalho de um artista anônimo”, conta.

Urbanidades
Os outros dois ensaios apresentam um conjunto de imagens entre 1998 e 2016, influenciadas pela leitura do livro A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen, de Eugen Herrigel, e de uma oficina de fotografia feita com o poeta Paulo Leminski – O Hai Kai e a Fotografia. São pequenos recortes com as minúcias de luz/sombra, claro/escuro, figura/fundo, resultantes do trabalho na contemplação solitária de centros urbanos, especialmente do bairro do Rio Vermelho.

Nascido em Belo Horizonte, Aristides Alves mora em Salvador desde 1972. Nesse período, se graduou em Jornalismo e Comunicação pela Universidade Federal da Bahia. Entre 1978 e 1984, ele  realizou a exposição coletiva Fotobahia e foi coordenador do Núcleo de Fotografia da Fundação Cultural do Estado da Bahia, além de produzir e editar o livro A Fotografia na Bahia (1839/ 2006). 

Aristides também criou a primeira agência baiana de fotografia, a ASA, e foi correspondente da agência paulista de fotojornalismo F4. Ensina fotografia, trabalha com pesquisa, curadoria e montagem de exposições. Realizou diversas exposições individuais e participou de importantes coletivas no Brasil e no exterior. No total, tem 13 livros autorais publicados, dedicados à investigação da paisagem humana e natural do Brasil.

 No texto de apresentação de  Eixo de Oju, o curador  Diógenes Moura destaca a capacidade do fotógrafo de olhar  para si mesmo, quarenta anos depois da primeira imagem. “Duas terras que se unem: Minas Gerais e Bahia. Uma onde ele nasceu; a outra onde vive quase desde sempre. Na de lá, as Gerais, montanhas como grandes ichos pré-históricos adormecidos ao pôr do sol, toda margem, ainda há. Na de cá, a Bahia de agora desde sempre, o Ojá do tempo sobre a cabeça”.

FICHA

Livro: O Eixo de Oju

Projeto editorial e fotografia:  Aristides Alves

Curadoria e texto:  Diógenes Moura

Preço: R$ 50

SERVIÇO

Exposição: Abertura amanhã, das 19h às 22h, na Paulo Darzé Galeria de Arte ((Rua Chrysippo de Aguiar 8, Corredor da Vitória, Tel: 3267.0930)

Visitação: até o dia 13 de maio, sempre das 9 às 19 horas. Gratuito


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