Marcio F. Nascimento: Carnaval, ‘Eva’ e os três últimos minutos do universo

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29.01.2015, 07:33:00

Marcio F. Nascimento: Carnaval, ‘Eva’ e os três últimos minutos do universo


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Há uma bela canção no Carnaval de Salvador, sem dúvida o maior do mundo, tocada em gênero musical único, repetidamente desde o início da década de 1980 pelo Bloco e Banda Eva, que em 2015 completa 35 anos de fundação. Sucesso primeiro nas vozes do grupo Rádio Taxi, rapidamente passou a ser um dos hinos momescos da Bahia.

Muitos conhecem letra e melodia de cor e salteado, e identificam a música com a banda de mesmo nome, mas poucos sabem que a composição ‘Eva’ na verdade é uma versão da canção homônima em estilo pop rock de enorme êxito elaborada pelo famoso cantor, compositor e produtor musical italiano Umberto Tozzi, em álbum de mesmo nome lançado em 1982, letra que contou ainda com a parceria de Giancarlo Bigazzi.

No Brasil, o estrondoso sucesso deveu-se à competente versão de Marcos Ficarelli. A letra da música é narrada por um homem que afirma chegar o fim da humanidade, pois o “sol não apareceu” e “toda a terra” foi “reduzida a nada, nada mais”. Ele e sua amada, porém, se salvarão, embarcando em uma “última astronave”, como uma “arca de Noé”. O casal, então, formaria um novo Adão e Eva, viajando pelo espaço “além do infinito”.

De fato, não há como prever se haverá um fim, e se este seria como diz a canção. No entanto, há bons livros científicos, bastante respeitados, que tratam do assunto. Um deles, acessível ao publico leigo, recebeu o título de Os Três Últimos Minutos, do físico e escritor inglês Paul Charles William Davies (n. 1946), Editora Rocco (1994). O livro especula como seria o fim do mundo, combinando as mais recentes ideias científicas sobre o destino final do Universo com situações que a humanidade pode vir a presenciar. Os astrônomos têm hoje uma clara noção do destino que cabe às estrelas e outros corpos celestes a partir de teorias e dados existentes. Por extrapolação, pode-se chegar a algumas conclusões lógicas, ainda que especulativas. Davies cita alguns processos que, embora com baixíssima probabilidade, podem levar ao fim o universo, como a radiação proveniente dos confins estelares ou mesmo o simples decaimento de prótons (embora estes sejam bastante estáveis).

Ainda de acordo com o livro, Davies também leva em consideração algumas das várias formas em que a vida em nosso planeta poderia deixar de existir, como uma lenta degradação ecológica, grandes mudanças climáticas ou mesmo uma pequena variação na produção de calor pelo Sol. A ficção cientifica é pródiga em filmes a respeito, como ‘2012’, Impacto Profundo, O Dia Depois de Amanhã... entre outros.

Temos hoje, portanto, uma noção razoável de algumas possibilidades, mas como será o seu fim? Como uma explosão, um implosão, ou simplesmente não terminará? Ainda não sabemos, mas ao menos é possível evitar algumas das catástrofes no planeta Terra – talvez baste utilizar dos novos recursos tecnológicos e da inteligência coletiva. Há esperança, e ela depende de nós – ‘Eva’ é também um hino a nos lembrar da herança a ser deixada para as próximas gerações se não salvarmos o planeta. Curiosamente, a composição ao menos coincide com o título do livro de Davies, pois têm um pouco mais de três minutos. Tomara que não seja necessário elaborar um plano de escape para evitar o fim da humanidade, qual como na canção...

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