Marcio Luis F. Nascimento: a Matemática suando a camisa na Copa do Mundo e no Brasileirão 2014

artigo
18.08.2014, 08:17:00
Atualizado: 18.08.2014, 08:20:13

Marcio Luis F. Nascimento: a Matemática suando a camisa na Copa do Mundo e no Brasileirão 2014

 

É cada vez mais comum nos jogos de futebol, e não poderia ser diferente na Copa do Mundo no Brasil, tão pouco no Brasileirão, o uso da matemática para tentar auxiliar na interpretação e compreensão do que ocorre entre as quatro linhas. Inclusive você já deve ter visto: além dos já tradicionais tempo e placar dos jogos, as transmissões informam aos telespectadores a distância percorrida por cada um dos jogadores.

Os narradores e comentaristas tendem a interpretar tais dados como uma medida de esforço dos profissionais da bola. Através de tais medições, é possível ter também uma noção das posições que mais se movimentam. Por exemplo, e curiosamente, os meias são os que geralmente mais se deslocam em campo. É a tecnologia a serviço dos jogadores. Mas como funciona?

Basicamente tudo se deve ao que se chama de ‘análise de imagens’: como haviam pelo menos 34 câmeras dedicadas à transmissão oficial de uma Copa do Mundo em cada arena, e cada câmera filmava uma área do gramado, estas imagens eram enviadas para alguns computadores em tempo real.

Pois bem, os computadores interpretam as informações a partir de um programa / ‘software’ específico (que usa a mesma tecnologia de mísseis de guerra), e aglutina as imagens. Isso permite que o programa acompanhe o movimento de cada um dos jogadores com precisão. Os dados sobre distâncias aparecem geralmente quando um jogador é focalizado pelas câmeras de TV, como por exemplo numa substituição. O mesmo ‘software’ pode informar também a velocidade do jogador bem como as áreas de atuação no gramado (chamados de ‘heat maps’, ou numa tradução livre: ‘mapas de movimentação’).

Importante frisar que o número de câmeras pode ser ainda maior, já que algumas emissoras licenciadas para a Copa (ou mesmo o Brasileirão, utilizando de um número menor) podem posicionar outras extras e exclusivas. Vale ressaltar também que, entre estas 34 câmeras, existiam equipamentos de filmagem em helicópteros e também a ‘spidercam’, ou câmera-aranha, que tem esse nome devido ao seu formato peculiar, era suspensa por cabos de aço, se movimentava rapidamente, conseguindo imagens aéreas bem próximas do campo de jogo, a poucos metros dos jogadores.

Vale lembrar que na última Copa, em 2010, havia 16 câmeras fazendo o mesmo trabalho, uma delas a câmera-aranha em teste. No total, nesta Copa foram aproximadamente cinco mil horas de imagens armazenadas, entre jogos na íntegra, pré-jogo, pós-jogo.

Por fim, poderíamos citar inclusive as câmeras específicas de altíssima resolução, 14 ao todo (metade para cada gol), que usaram a “Goal Line Technology” (numa tradução livre, “Tecnologia da Linha do Gol”), que visa dar uma mãozinha para os árbitros naqueles momentos em que todos se perguntam: a bola entrou ou não entrou? Cada uma das câmeras produz 500 imagens por segundo – o olho humano registra no máximo 16 imagens no mesmo tempo.

Ao todo, cada gol usa 3.500 imagens por segundo para entender se foi gol ou não. Assim que a bola atravessa a linha do gol, o juiz recebe um aviso em um relógio de pulso inteligente, que vibra e mostra “GOAL”. O tempo para a chegada do aviso é de apenas um segundo. A tecnologia é capaz de perceber mudanças de cinco milímetros na posição da bola. Inclusive ela foi testada no jogo entre França e Honduras, auxiliando o juiz brasileiro Sandro Meira Ricci.

Não há dúvidas então que a Copa no Brasil já pode ser considerada o evento de futebol mais ‘high-tech’ de todos os tempos. Em particular, deve-se dar crédito à matemática, que vem ‘suando a camisa’ e fornecendo dados bastante interessantes em todos os jogos, seja na Copa, ou mesmo no Brasileirão!

 

Professor da Escola Politécnica, Departamento de Engenharia Química e do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da UFBA